A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de manter a suspensão de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê com lotes terminados em 1 marca uma nova etapa do caso.

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Com a medida mantida, a empresa deverá continuar executando as ações corretivas já apresentadas à agência, enquanto a Anvisa organiza uma nova inspeção na fábrica e segue analisando o recurso protocolado pela fabricante.

Além disso, a Ypê sugeriu a realização de novos testes em laboratórios independentes autorizados pela Anvisa. O processo administrativo continua em andamento dentro da agência reguladora.

Veja abaixo quais serão os próximos passos:

  • Nova vistoria na unidade industrial
  • Testes laboratoriais independentes
  • Estratégia para produtos distribuídos
  • Continuidade da análise do recurso

O que a Anvisa encontrou ao fiscalizar a Ypê?

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Nova vistoria na unidade industrial

Entre as próximas medidas previstas está uma nova inspeção da Anvisa na fábrica da Ypê, localizada em Amparo (SP). A agência informou que pretende organizar uma nova visita técnica para verificar o andamento das adequações feitas pela empresa, embora ainda não exista uma data definida.

O objetivo da fiscalização é avaliar se as mudanças anunciadas estão sendo aplicadas de forma efetiva nos processos de produção, nos sistemas de qualidade e nos controles internos da fabricante.

Durante reuniões técnicas realizadas na última semana, a Ypê informou ter apresentado mais de 200 ações em implementação nas áreas de produção e controle de qualidade.

Segundo a Anvisa, desde a suspensão a empresa também comunicou que interrompeu as atividades da linha de produção e iniciou procedimentos de limpeza, revisão de processos, reforço do controle de qualidade e compra de novos equipamentos.

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Testes laboratoriais independentes

Outra frente prevista para os próximos dias envolve a realização de novos testes laboratoriais. A iniciativa, no entanto, partiu da própria empresa e não foi uma determinação da Anvisa.

Em comunicado, a Ypê afirmou ter proposto à agência a apresentação de análises feitas por laboratórios independentes autorizados pela Anvisa em todos os lotes já distribuídos ao mercado, com o objetivo de comprovar a segurança dos produtos e acelerar uma eventual liberação.

De acordo com a fabricante, a proposta busca agilizar a avaliação dos itens que já chegaram aos consumidores.

A empresa também reiterou que, conforme seus controles internos e análises próprias, os produtos são seguros para uso.

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Estratégia para produtos distribuídos

A Anvisa também informou que a fabricante deverá apresentar um plano de gerenciamento voltado aos produtos que já estão no mercado, incluindo orientações direcionadas aos consumidores.

Segundo a agência, a expectativa é que um plano de gestão validado previamente pela Anvisa fortaleça o monitoramento e o controle das ações adotadas pela empresa.

Enquanto esse plano não entra em vigor, a recomendação continua sendo que os consumidores não utilizem os produtos suspensos e mantenham as embalagens lacradas ou bem fechadas em local seco e ventilado.

Veja fotos sobre a polêmica da Ypê

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Continuidade da análise do recurso

A análise do recurso apresentado pela Ypê ainda não entrou em sua fase principal. Conforme a Anvisa, a reunião mais recente não teve como foco os argumentos apresentados pela empresa contra a decisão da agência.

Segundo o órgão, a votação tratou apenas da retirada do efeito suspensivo automático previsto em lei. Em nota, a Anvisa explicou que, com a retirada desse efeito, a resolução que determinou a suspensão dos produtos volta a valer integralmente.

Dessa forma, as restrições permanecem válidas enquanto o recurso segue tramitando normalmente na agência. A Anvisa informou ainda que o mérito do pedido será analisado posteriormente, em rito próprio.

Relembre o caso

O episódio teve início após inspeções realizadas na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo, em parceria com órgãos de vigilância sanitária do estado.

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Segundo a Anvisa, foram identificadas falhas em etapas consideradas críticas da produção, incluindo problemas nos sistemas de controle de qualidade, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento inadequado de resíduos.

A agência também informou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

A bactéria é comum no ambiente e representa baixo risco para a maior parte das pessoas saudáveis.

Os maiores riscos envolvem grupos vulneráveis, como pacientes imunossuprimidos, pessoas em tratamento contra câncer, transplantados, indivíduos com feridas, queimaduras ou dermatites, além de bebês e idosos fragilizados.

Nessas situações, a bactéria pode provocar infecções principalmente em casos de contato com mucosas, olhos ou lesões na pele.

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A recomendação é interromper imediatamente o uso dos produtos afetados pela medida. Pessoas que utilizaram os itens, mas não apresentaram sintomas, não precisam procurar atendimento médico apenas por terem tido contato com os produtos.

Especialistas orientam atenção a sinais como irritações persistentes, secreções, febre e problemas oculares. Também recomendam a troca de esponjas de pia utilizadas com os detergentes afetados e, em caso de dúvida, a relavagem de roupas íntimas, toalhas e peças de bebês utilizando outro produto.

O que diz a Ypê?

A Ypê contesta as conclusões apresentadas pela Anvisa. A empresa afirma que a inspeção não identificou contaminação nos produtos comercializados e sustenta que as imagens divulgadas da fábrica mostram áreas sem contato direto com os itens vendidos ao consumidor.

A fabricante também argumenta que o uso habitual dos produtos reduz drasticamente qualquer carga bacteriana e afirma não haver registros na literatura médica de infecções provocadas por roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados.

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