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TUTORES RESPONSÁVEIS

Casal de Blumenau se muda com 26 cachorros para o Mato Grosso e história emociona

Para fazer o transporte foi preciso ajuda e muita negociação; 25 cães foram de carro, um foi de avião

14/11/2021 - 19h00 - Atualizada em: 16/11/2021 - 09h11

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Por Giulia Machado
Cães em Blumenau se preparando para serem transportados (E), e já no novo lar (D)
Cães em Blumenau se preparando para serem transportados (E), e já no novo lar (D)
(Foto: )

O casal Amauri Vitorino, 54, e Vera Lucia Faria Bastos, 67, decidiu se mudar de Blumenau para Cuiabá, no Mato Grosso, mas não quis deixar para trás a cachorrada. Todos os 26 cães fizeram a viagem de quase 2 mil quilômetros até o novo lar, e chegaram são e salvos. Fofinha foi de avião com Vera, e os outros 25 pegaram a estrada.

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O casal trabalha com reciclagem e tirou todos os cachorros da rua, de situações de maus-tratos e abandono, e os alimentou e cuidou. Cada um deles é importante para os dois, e quando decidiram se mudar para Cuiabá para ficar mais perto da filha de Vera, tinham certeza de que queriam levar todos.

— Já que tiramos eles da rua, jamais iríamos colocar novamente — contou Amauri, que se refere aos bichos como filhos.

Quem ajudou nos trâmites necessários para a jornada foi a protetora de animais Angela Santiago. A história chegou nela através de uma conhecida, e ela acabou se envolvendo e sendo a grande responsável por fazer a vontade do casal acontecer.

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Eles partiram de Blumenau no dia 23 de outubro, e a viagem durou dois dias e meio. Antes disso, o planejamento já durava algumas semanas.

— Não foi nada fácil, foram quase três semanas ali que eu não dormi. O problema é que é muito burocrático, e também precisávamos levantar aquele dinheiro — explica Angela.

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Cães no dia da mudança
Cães no dia da mudança
(Foto: )

Com o prazo para deixarem a casa em que estavam morando em Blumenau, no bairro Itoupava Central, batendo na porta, eles precisavam urgentemente de uma solução para que os animais não ficassem abandonados.

— Os cães deles são em maioria mais idosos, o que dificulta bastante a adoção. As pessoas querem filhotes — conta a protetora.

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Preço salgado

Depois de alguma pesquisa, Angela entrou em contato com uma empresa de transportes de animais de Curitiba, onde conseguiu fechar o negócio pelo melhor preço que encontrou, R$ 10,8 mil. E isso após duas semanas de negociações.

Ela arrecadou R$ 400 para pagar o transporte, e o resto do dinheiro Amauri conseguiu vendendo um caminhão que tinha. Ele também vendeu um carro e a casa para poder se mudar.

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Para levar os animais, foi preciso vaciná-los com a vacina antirrábica e a polivalente. O veterinário que atende os cachorros de Angela, Marcelo Fernando Ribeiro, fez as doses a preço de custo para a protetora, que tirou dinheiro do próprio bolso para pagar as imunizações.

— O que mais me chamou a atenção é que são cães extremamente tranquilos, não são agitados. Só vendo mesmo para crer — conta ela.

Além das vacinas, cada cão precisava de um laudo afirmando que estava em boas condições para viajar. Foram compradas coleiras com o nome e telefone do proprietário, para o caso de algum acidente. Além disso, uma veterinária também fez a viagem junto para garantir que não faltasse nada aos cães.

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Os cachorros foram transportados por uma Dobló e um Fiat Weekend adaptados para o transporte de animais. Vera foi para Cuiabá de avião, e Fofinha foi com ela devido ao tamanho e peso.

— A gente fez milagre, coube todos eles certinho. Eles foram bem tranquilos, podiam deitar dentro da caixa, feita sob medida — comemora Angela.

Haja criatividade para dar nome para 26 cachorros diferentes, mas o casal deu, todos eles têm nome e agora carteirinha de vacinação. De cabeça, Amauri citou alguns: Neguinho, Brigitte, Bradock, Nina, Chiquinha, Scooby, Bidu, Marley, Guerreira e Fofinha.

Veja vídeo do dia da partida

Estradeiros

O casal morava em Blumenau há um ano e oito meses e antes disso residia em Barra Velha, de onde também levaram os cachorros. Segundo Amauri, que é natural de Gaspar, os dois estão há 17 anos juntos e durante todo esse tempo mantiveram o hábito de resgatar e ajudar cães de rua.

— Vivemos nos aventurando. Hoje estamos aqui, amanhã ninguém sabe. Para nós o que importa é os bichinhos estarem bem e com a gente, por isso optamos por trazer eles. Se sairmos daqui algum dia para ir para outro lugar vamos levar junto de novo, para onde for — reforçou Amauri.

Ele comenta que já tentou auxílio com a prefeitura das cidades onde morou para adquirir a ração, mas teve a ajuda negada, tanto em Barra Velha quanto em Blumenau.

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Adaptação em Cuiabá

Em Blumenau, os cachorros ficavam soltos no terreno da casa, e em Cuiabá não foi diferente, eles têm bastante espaço para circular. O tutor conta que os cães estão bem adaptados à nova residência.

— Eles estão super bem. Têm água, ração, estamos tosando os mais peludos já que aqui é muito quente — contou.

Chiquinha, a última que foi resgatada e a única não castrada, fez a viagem grávida e seus quatro filhotes já nasceram cuiabanos. Dois já tem adoção garantida, e os outros dois ainda estão a procura de uma família que os adote. Mas se não encontrarem, com certeza, desamparados eles não vão ficar.

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Veja fotos dos cães no novo lar

* Sob supervisão de Augusto Ittner

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