Cinco anos após o acidente que terminou na morte de duas jovens na BR-470, em Gaspar, o motorista do Jaguar responsável pela batida será julgado. Evanio Prestini, condutor do carro de luxo que invadiu a contramão e atingiu o Palio onde estavam cinco mulheres enfrentará o júri popular em 19 e 20 de junho, a partir das 9h, no Fórum de Gaspar. As datas foram confirmadas no fim da tarde desta quinta-feira (22).

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“Considerando a quantidade de pessoas que, em tese, irão depor em plenário — réu, três vítimas e 10 testemunhas arroladas pelas partes —, bem como que se trata de processo complexo, que poderá demandar maior tempo por ocasião da instrução plenária, é possível que a sessão de julgamento tenha duração de dois dias”, afirma o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) em uma publicação.

Evanio conduzia um Jaguar F-Pace pela rodovia federal quando atingiu o carro em que estavam Suelen Hedler da Silveira e Amanda Grabner Zimmermann, as duas vítimas fatais do acidente. Uma terceira jovem, Maria Eduarda Kraemer, chegou sofreu diversas fraturas, ficou internada por mais de um mês no hospital, mas felizmente sobreviveu, apesar de ainda sofrer com as sequelas da batida. O teste do bafômetro feito no local confirmou que Prestini estava embriagado.

Suelen Hedler da Silveira (ao centro) e Amanda Grabner Zimmermann (à direita), duas jovens que morreram no acidente (Foto: Reprodução)

Um vídeo feito minutos antes do acidente mostra o Jaguar transitando em zigue-zague pela BR-470, sentido Litoral, a cerca de 30 quilômetros do local onde ocorreu a colisão. O motorista que fez o vídeo chega a ligar para a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para alertar, porém o carro de luxo em nenhum momento é interceptado. À época, a PRF admitiu que os policiais erraram ao não abordar o veículo após a denúncia.

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Evanio Prestini foi preso em flagrante e, no dia seguinte, a prisão foi convertida para preventiva. O motorista do Jaguar chegou a ficar preso cinco meses no Presídio Regional de Blumenau, mas foi solto em 26 de julho de 2019, após uma decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele responde ao processo em liberdade desde então e a defesa vem batalhando na Justiça há cinco anos para evitar que Prestini enfrente o Tribunal do Júri.

Em agosto do ano passado, porém, o STJ negou o recurso dos advogados do motorista do Jaguar e entendeu que a decisão da Justiça de SC em mandá-lo a júri popular foi correta. À época, a defesa alegou que o Tribunal do Júri seria “desproporcional”. Evanio é acusado pelo Ministério Público de ter praticado dois homicídios e três tentativas — todos com dolo eventual — quando o autor assume o risco de cometer um crime. De acordo com a acusação, o motorista do automóvel, alcoolizado, invadiu a pista contrária da BR-470 e atingiu um carro que vinha na direção contrária, onde estava o grupo de amigas.

O decorrer do processo foi marcado ainda por uma série de pedidos feitos pela defesa de Evanio Prestini. Em março de 2019, quando o motorista ainda estava no Presídio Regional de Blumenau, o advogado citou a crucificação de Jesus Cristo para pedir o habeas corpus de Prestini. Três semanas depois, em uma defesa prévia entregue à Comarca de Gaspar, a defesa culpou a motorista do Fiat Palio pelo acidente. No mesmo mês, um perito contratado pela família de Prestini disse que “a embriaguez dele nada teria a ver com o acidente”. No mesmo ano, em novembro, a Justiça negou um pedido para que Evanio passasse férias com a família de frente para o mar em Balneário Camboriú.

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