O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do país, com domínio no Norte e Nordeste, promoveu uma das maiores reestruturações de sua história recente ao fechar 28 lojas da operação de eletrodomésticos e reduzir em aproximadamente 6,6 mil o número de colaboradores em parte de suas operações. A decisão ocorre em meio a uma estratégia voltada para elevar a rentabilidade e a produtividade do negócio, mesmo com a companhia registrando crescimento de receita e lucro.

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Nos resultados de 2025, divulgados em março, a empresa informou o encerramento de 28 lojas especializadas em eletrônicos e móveis ao longo do ano, além da extinção dos departamentos de Eletro em outras 20 unidades de varejo alimentar. Somente no quarto trimestre foram fechadas 13 lojas no Pará.

Segundo a companhia, a medida faz parte de um processo de “otimização de portfólio e realocação eficiente de ativos“.

Apesar do crescimento de 19,8% na receita líquida anual, que alcançou R$ 38,4 bilhões, e de um lucro líquido ajustado de R$ 1,57 bilhão em 2025, o Grupo Mateus viu o ritmo de vendas desacelerar. As vendas nas mesmas lojas cresceram apenas 2,9% no ano e ficaram negativas em diversos segmentos no quarto trimestre.

Nos relatórios disponibilizados ao NSC Total, a empresa atribui esse cenário à:

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A empresa, fundada pelo empresário maranhense Ilson Mateus Rodrigues, voltou aos holofotes após essa ampla reestruturação. Os cortes atingiram unidades em Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.

Veja fotos do dono do Grupo Mateus

Corte de pessoal faz parte de programa de produtividade

A redução do quadro de funcionários apareceu com mais detalhes no balanço do primeiro trimestre de 2026.

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O Grupo Mateus informou que implementou projetos de produtividade e racionalização das estruturas operacionais, iniciados em dezembro de 2025 e intensificados ao longo dos primeiros meses deste ano. Como resultado, as operações localizadas nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia tiveram redução de 8,8% no quadro de colaboradores em relação a setembro de 2025.

Embora a empresa não informe explicitamente o número de desligamentos, os dados operacionais permitem estimar um corte próximo de 6,6 mil trabalhadores. A companhia também registrou despesas de R$ 23 milhões com rescisões trabalhistas no quarto trimestre de 2025 e mais R$ 26 milhões no primeiro trimestre de 2026, associadas aos projetos de produtividade.

Segundo o relatório, o trabalho envolveu análises históricas das operações, comparações internas entre lojas, formatos, fornecedores e contratos para identificar distorções e oportunidades de ganho de eficiência.

Menos expansão e mais retorno financeiro

Os documentos mostram uma mudança clara de foco da companhia. No fim de 2025, o Grupo Mateus anunciou que 2026 seria um ano de “foco em produtividade, melhor alocação de capital e rentabilidade”.

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No primeiro trimestre de 2026, os investimentos em novas lojas caíram 19,4%, enquanto o volume total de investimentos recuou 54,4% quando consideradas compras e vendas de imóveis. A empresa afirma que adotou maior rigor na alocação de recursos diante do atual patamar dos juros.

Ao mesmo tempo, a companhia passou a priorizar margens de lucro em detrimento do crescimento de volume. O relatório destaca que a estratégia de preservação da rentabilidade levou o grupo a reduzir a agressividade comercial em alguns canais de vendas, mesmo que isso significasse perda de parte do faturamento.

Eletro perdeu espaço dentro do grupo

A operação de Eletro foi a mais afetada pela reestruturação. Em 2025, a receita do segmento caiu 9%, para R$ 1,15 bilhão. A participação da divisão nas vendas consolidadas do Grupo Mateus ficou em apenas 2,8% no quarto trimestre. O próprio relatório afirma que a queda foi consequência direta do fechamento das 28 lojas ao longo do ano.

Enquanto isso, os negócios considerados estratégicos — atacarejo, supermercados e atacado B2B — continuaram recebendo investimentos e expandindo operações. Em 2025, foram abertas 22 novas lojas de varejo alimentar, além do lançamento das novas bandeiras Mateus Foodservice e Spazio.

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Assim, os documentos indicam que o fechamento das unidades e a redução do quadro de pessoal não representam uma retração generalizada da companhia, mas uma tentativa de tornar a operação mais enxuta e rentável em um ambiente econômico considerado desafiador pela própria empresa.

Quantas lojas as maiores redes supermercadistas têm?

Dados de 2025. Fonte: Ranking Abras