A alta nos preços dos combustíveis puxou o aumento da inflação em março no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% no mês, 0,18 ponto percentual acima do resultado de fevereiro (0,70%), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos 12 meses, a alta foi de 4,14%.

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O resultado ficou acima da expectativa dos economistas, que projetavam alta de 0,7% no mês e inflação de 4% em 12 meses, segundo levantamento do g1. Mesmo com a alta, o índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%.

Transportes puxou alta da inflação

O grupo Transportes apresentou a maior variação mensal entre os nove pesquisados, com alta de 1,64% e impacto de 0,34 ponto percentual no IPCA. O principal vilão foi a gasolina, que subiu 4,59% em março e, sozinha, contribuiu com 0,23 ponto percentual para o índice geral.

Também exerceram pressão relevante os aumentos nas passagens aéreas (6,08%) e no diesel (13,90%). Apesar das altas expressivas, esses itens tiveram impacto menor no índice geral devido ao peso reduzido na cesta de consumo das famílias.

De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o comportamento dos combustíveis já reflete o cenário da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

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— Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional — afirmou Gonçalves.

Alimentação é puxada por leite e tomate

No grupo Alimentação e bebidas, os preços subiram 1,56% em março, com impacto de 0,33 ponto percentual sobre a inflação do mês. A maior pressão veio da alimentação no domicílio, que registrou alta de 1,94%, a mais intensa desde abril de 2022.

Entre os itens com maiores contribuições individuais destacam-se o leite longa vida, com aumento de 11,74% e impacto de 0,07 ponto percentual no IPCA, e o tomate, cujo preço disparou 20,31%, contribuindo com 0,05 ponto percentual.

Somados aos combustíveis e às passagens aéreas, esses cinco subitens foram responsáveis por quase metade da inflação de março.

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Segundo Gonçalves, a combinação entre menor oferta de alguns produtos e aumento nos custos de transporte explica o movimento.

— No grupo alimentação, a aceleração foi mais evidente, especialmente na alimentação em casa, combinando efeitos de redução de oferta com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros — destacou.

Veja o resultado dos grupos do IPCA

  • Alimentação e bebida: 1,56%;
  • Habitação: 0,22%;
  • Artigos de residência: 0,51%;
  • Vestuário: 0,46%;
  • Transportes: 1,64%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,42%;
  • Despesas pessoais: 0,65%;
  • Educação: 0,02%;
  • Comunicação: 0,19%.

Inflação acumula 4,14% em 12 meses

Com o resultado de março, o IPCA acumula alta de 1,92% no ano. Em 12 meses, a inflação chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período imediatamente anterior. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.

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Apesar da aceleração, todos os grupos pesquisados apresentaram variação positiva no mês. As altas oscilaram entre 0,02% em Educação e 0,65% em Despesas pessoais.

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