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    Coronavírus avança em Blumenau e infectologista alerta para "situação de extrema gravidade"

    Número de casos ativos de Covid-19 aumentou 51% em sete dias, segundo a prefeitura, e situação dos leitos de UTI preocupa no Vale do Itajaí

    22/06/2020 - 15h50 - Atualizada em: 23/06/2020 - 06h34

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    Augusto
    Por Augusto Ittner
    Avanço do coronavírus em Blumenau: desinfecção de um dos ônibus após circulação com passageiros.
    Avanço do coronavírus em Blumenau: desinfecção de um dos ônibus após circulação com passageiros.
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    O número de casos de coronavírus disparou em Blumenau na última semana. O índice, que era de 1.110 pacientes infectados no dia 14 deste mês, segundo a prefeitura, passou para 1.478 neste domingo (21), aumento de 33% em sete dias. Desde 1º de junho, quando eram 799 casos, o crescimento chega a 85%.

    Nesse meio tempo, o município mais do que triplicou a testagem, o que explica, em parte, o aumento. Mas há vários dados que trazem preocupação, além da diminuição da subnotificação. É esse contexto que, aliado ao comportamento da população, faz o infectologista Amaury Mielle resumir a situação como “de extrema gravidade”.

    O número de pacientes ativos na cidade, por exemplo, aumentou 51% em sete dias (para 657 doentes), segundo a Secretaria Municipal de Promoção da Saúde (veja os gráficos abaixo). Além disso, a cidade registrou o maior número de moradores internados em leitos de UTI desde o início da pandemia: oito, sem contar aqueles que vêm de outras cidades. Atualiação: nesta segunda-feira (22), a prefeitura confirmou que o número de blumenauenses internados em UTIs subiu para 13.

    Ocupação de leitos de UTI

    Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Médio e Alto Vale do Itajaí, o impacto do avanço da Covid-19 já é sentido. Embora o Estado aponte a existência de 201 leitos na região e uma ocupação de 60% (incluídas todas as doenças), a situação está longe de confortável. Nesta conta, estão 31 unidades pediátricas e neonatais, além de leitos de reserva, que precisam ser acionados.

    Na prática, nesta segunda-feira estão ocupados todos os 24 leitos da UTI Geral do Hospital Santa Isabel, por exemplo. Doze novos leitos ainda podem ser ativados, mas isso reduziria o número de equipamentos em backup, para o caso de algum apresentar defeito.

    Na Região de Itajaí, o número é ainda mais preocupante, com apenas 27 leitos livres e 77,5% das UTIs com pacientes.

    — Já que não estamos mais falando em isolamento social, precisamos ter a consciência da importância de manter o distanciamento. É preciso respeitar o vírus e suas consequências, que não são brandas. Peço para que a população entenda de uma vez por todas que a Covid-19 mata muita gente e deixa sequelas pulmonares e psíquicas com muita dificuldade de reversão — alerta a infectologista Sabrina Sabino

    Ambulatório para casos suspeitos do coronavírus montado na Vila Germânica, casa da Oktoberfest, em Blumenau.
    Ambulatório para casos suspeitos do coronavírus montado na Vila Germânica, casa da Oktoberfest, em Blumenau.
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    Covid avança pelos bairros de Blumenau

    A Covid-19 avançou pelos bairros de Blumenau nas últimas semanas. Itoupava Central e Garcia puxam o crescimento no número de pacientes infectados na cidade. No primeiro, já são 123 casos, enquanto o segundo passou de seis para 83 em menos de dois meses.

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    Da mesma forma, a procura pelo ambulatório montado no Parque Vila Germânica (específico para casos suspeitos do novo coronavírus) aumentou: 791 pessoas foram até o local com sintomas gripais nos últimos sete dias, 50% mais em relação à semana anterior.

    “Situação de extrema gravidade”, diz infectologista

    A menos de 60 quilômetros de Blumenau, Itajaí se tornou a cidade com mais casos confirmados da Covid-19 em Santa Catarina e viu os números de mortos crescerem, chegando a 27 neste domingo. Balneário Camboriú, com seis óbitos, contabiliza 915 pacientes infectados. Ambas as cidades anunciaram novas medidas de restrição e vetaram, por exemplo, a permanência nas praias.

    Para o infectologista Amaury Mielle, as duas cidades do litoral são “uma extensão de Blumenau” e, por isso, é preciso que sejam tomadas atitudes para amenizar os impactos negativos. Embora a taxa de letalidade entre os blumenauenses seja considerada baixa (0,4%, segundo a prefeitura), na avaliação do especialista o sinal de alerta já está aceso, principalmente depois da liberação precoce das atividades econômicas.

    — Flexibilizamos em plena ascensão dos casos, contrariando todos os exemplos de países que já tinham passado pela mesma experiência. Entendo ser de extrema gravidade a situação em que nos encontramos. Existe uma fadiga diante das necessidades de contínua vigilância, o que faz com que parte da população, que já não estava tão fiel ao isolamento social, aja como se tudo estivesse sob controle — aponta o infectologista.

    Preocupação com a Covid-19 em SC

    SC não escapa desses índices negativos. Depois de registrar o maior número de novos casos em um só dia (777, no sábado, 20), o Estado chegou a 17,5 mil testes positivos para o novo coronavírus e 246 mortes — 26% mais óbitos em relação a sete dias anteriores. Em comparação ao dia 1º de junho, foram 69% mais vítimas fatais no Estado.

    Em Florianópolis, depois de um fim de semana em que o secretário de Saúde disse ter sido “uma piada”, por conta do desrespeito ao distanciamento, o prefeito Gean Loureiro sinalizou por novas restrições. Elas devem ser anunciadas na quarta-feira (24).

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