Uma das moradoras responsáveis por cuidar de Orelha, cão comunitário que morreu após ser brutalmente agredido na Praia Brava, em Florianópolis, rebateu informações falsas que foram divulgadas nas redes sociais devido à repercussão do caso, que comoveu o Brasil. Além disso, o veterinário que prestou o primeiro atendimento ao cão também detalhou as circunstâncias da morte de Orelha. O caso é investigado, e a polícia apura o envolvimento de adolescentes no crime. (veja os relatos abaixo)
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Orelha foi encontrado agonizado por moradores no dia 5 de janeiro e não resistiu aos ferimentos. A investigação aponta que ele foi vítima de agressão e apura o envolvimento de menores de idade no crime. Um deles já comprovou que não fez parte do ato, e agora é tratado como testemunha.
O caso Orelha comoveu o Brasil e, rapidamente, começaram a surgir muitas versões sobre o que aconteceu com o cãozinho nas redes sociais. No domingo (1º), manifestantes se reuniram em Florianópolis e todo o país para pedir justiça no caso Orelha.
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“Inventaram um monte de coisa”, diz cuidadora
Em entrevista ao Fantástico, uma das moradoras responsáveis por cuidar do cão comunitário rebateu informações, que segundo elas, seriam falsas.
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— Inventaram um monte de coisa, de eutanásia, de beisebol, de prego, não tem nada disso — diz Fátima Oliveira.
Inicialmente, a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) informou que o animal havia passado por eutanásia devido aos ferimentos. Contudo, também em entrevista ao Fantástico, o veterinário que prestou o primeiro atendimento ao cão, informou que, na verdade, ele morreu devido à gravidade dos ferimentos.
Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.
— Lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo, e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo. Foi tentado dar os primeiros procedimentos, a soroterapia e tentar levantar ele, mas, como estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida — descreve ele.
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Outro boato que surgiu nas redes sociais foi que os responsáveis pela agressão à Orelha teriam colocado pregos no pedaço de madeira usado para agredir o cãozinho. Isso também, segundo Fátima, não é verdade.
Questionado sobre a possibilidade de Orelha ter sido vítima de uma agressão, o veterinário Derli Royer respondeu:
— Foi uma agressão. Descarto um acidente.
Orelha vivia no bairro há pelos menos 10 anos
Orelha não tinha um tutor único: era um cão comunitário, cuidado por moradores e comerciantes da Praia Brava. Ele vivia no bairro há pelo menos 10 anos, circulava entre pescarias, festas e a rotina do local, tirando fotos com moradores e turistas. O último registro de Orelha vivo foi no dia 4 de janeiro, passeando pelo bairro.
No dia seguinte às agressões, uma moradora encontrou o cão agonizando, debaixo de um carro e o levou para atendimento. Com lesões na cabeça e no olho esquerdo, além de desidratação e ausência de reflexos, Orelha chegou a ser tratado com a soroterapia, mas morreu pouco depois.
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A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e analisando imagens de câmeras de segurança. Segundo a polícia, não há registro do momento exato da agressão, mas o conjunto de indícios levou os investigadores a apurar o envolvimento de adolescentes que frequentavam a região durante o verão.
No dia 26 de janeiro, dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. O objetivo, segundo a Polícia Civil, foi buscar mais provas para a investigação. Ainda neste dia, um advogado e dois empresários foram indiciados pela polícia por suspeita de coagir uma testemunha no processo. Já na quinta-feira, outros dois adolescentes foram alvos de mandados de busca e tiveram os celulares apreendidos ao chegarem em Florianópolis no aeroporto internacional.
O NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.
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Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”
Como denunciar crimes de maus-tratos em SC
Crimes de maus-tratos contra animais em Santa Catarina podem ser denunciados de forma anônima pela Delegacia Virtual da Polícia Civil (pc.sc.gov.br) ou entrar em contato com a Ouvidoria do Ministério Público (MPSC) pelo telefone 127 ou pelo site mpsc.mp.br/ouvidoria.
Também é possível acionar a Polícia Militar pelo 190 ou procurar a Promotoria de Justiça mais próxima.
















