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Da capacitação ao exit: relembre 10 M&As realizados em 2021 com startups catarinenses

Com apoio de mentorias técnicas e insights de outros players do ecossistema, a ideia é estruturada e o negócio começa a se desenvolver

14/12/2021 - 06h01

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Por Tech SC
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No mercado brasileiro poucas startups têm sobrevida suficiente para decolar
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Alexandre Souza
Alexandre Souza
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A jornada de um novo negócio passa por diversas fases, mas é nos momentos iniciais que a capacitação se faz mais importante. Com apoio de mentorias técnicas e insights de outros players do ecossistema, a ideia é estruturada e o negócio começa a se desenvolver. No mercado brasileiro, no entanto, poucas startups têm sobrevida suficiente para decolar. 

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De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nove entre 10 delas morrem durante a fase de validação. Os principais motivos são a dificuldade de atender uma necessidade real do mercado e a falta de investimento. Porém, neste momento, vou focar apenas nas startups que conseguem sobreviver e crescer. É a partir daí que a jornada pode se esgueirar para alguns caminhos, como scale up ou exit.

Enquanto o scale up, dentre vários fatores, depende de aportes para acontecer, o exit corresponde à venda do negócio para outra empresa. Neste caminho, a “relação simbiótica” é favorável para ambas. Para a compradora, a aquisição de startups é uma saída veloz para garantir a presença em verticais que, até então, não haviam sido desenvolvidas pela empresa. Enquanto isso, além do retorno financeiro, a startup adquirida pode expandir a atuação da sua solução, aproveitando a capilaridade e know how da empresa que a comprou.

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Do ponto de vista do mercado, as negociações de fusões e aquisições (M&A) de startups estão cada vez mais expressivas no país. De acordo com levantamento do Distrito, em 2020 foram mapeadas 163 negociações e a expectativa é chegar a 190 fusões até o fim de 2021. 

Paralelamente, de acordo com um levantamento da KPMG, 804 empresas brasileiras realizaram transações deste tipo, correspondendo a um crescimento de 55% em relação ao ano anterior. Em Santa Catarina, foram realizados 35 exits no mesmo período. 

Quando o assunto é fusões empresariais, há diversos modelos de negociação para as transações. Dentre muitas possibilidades, vi de perto a trajetória de 10 startups catarinenses, desde a participação no Programa de Capacitação Startup SC, iniciativa do Sebrae SC de fomento ao ecossistema inovador e empreendedor no estado, ao exit em 2021.

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Independência da operação após aquisição

Neste modelo de exit, as startups e os fundadores mantêm uma operação independente, ou seja, com autonomia estratégica para continuar trabalhando suas soluções. Considerado um modelo que garante maior qualidade de desenvolvimento, foi utilizado em seis das 10 transações que listo abaixo. Dentre as razões por trás das aquisições estão, principalmente, a possibilidade de ampliar uma vertical para melhorar a solução ou para diversificar o portfólio de serviços.

  • Fundada em Blumenau, a PagueVeloz participou da 6ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2016. Após cinco anos, em outubro de 2021, foi adquirida pela Serasa;
  • Criada em Rio do Sul, a Effecti participou da 8ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2018. Aproximadamente três anos depois, em fevereiro de 2021, foi comprada pela Nuvini;
  • Com origem em Joinville, a Mercos participou da 2ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2013. Após 8 anos, em agosto de 2021, foi incorporada pela Nuvini. Essa foi a sexta aquisição da holding neste ano;
  • De Xanxerê, a Clínica nas Nuvens participou da 11ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2021. Antes mesmo do fim do programa, no início de novembro de deste ano, foi comprada pela Bionexo;
  • A CredPago participou da 6ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2016. Agora, em julho de 2021, foi adquirida pela Loft. Uma das características dessa aquisição foi a transferência de ações da empresa para fundadores e acionistas da fintech, que passaram a ter participação minoritária na Loft;
  • Fundada em Timbó, a Atar participou da 5ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2015. Após seis anos, em outubro de 2021, vendeu 74,6% da fintech para a Porto Seguro. Apesar de não ser uma incorporação completa, as características da negociação são similares às anteriores, com independência da startup e gestão dos fundadores.

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Incorporação completa com cargos executivos para fundadores

Outro modelo de exit comum nessas negociações de compra é com a incorporação total da adquirida. A startup torna-se parte da empresa compradora e não há autonomia de gestão. Contudo, é comum que os fundadores do negócio também sejam incorporados à empresa com cargos executivos. Neste ano, três egressas do Programa de Capacitação Startup SC passaram por esse tipo de fusão, coincidentemente, todas fundadas em Florianópolis.

  • A Smarket Solutions participou da 5ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2015. Após seis anos, em março de 2021, foi comprada pela Neogrid.
  • A Lett participou da 4ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2014. Após 7 anos, em outubro de 2021, também foi adquirida pela Neogrid, por R$ 38,4 milhões;
  • A CUCO Health participou da 6ª turma do Programa de Capacitação Startup SC, em 2016. Após 5 anos, em agosto de 2021, foi adquirida pela Raia Drogasil;

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De uma catarinense para outra

Em novembro deste ano, o Asaas — fintech que oferece uma plataforma de assistente digital para micro e pequenos empreendedores, com gestão financeira, de pagamentos e cobranças —, adquiriu a CodeMoney, uma carteira digital com foco em pessoas físicas. A negociação foi motivada pela ampliação do portfólio de serviços. Com as soluções da carteira digital, o Asaas passa a oferecer aos pagadores dos seus clientes a possibilidade de financiamento de cobranças, como crediário.

Para além da aquisição em si, o que me chama atenção nesta fusão é a regionalidade da negociação. Ambas fintechs são catarinenses e participaram do Programa de Capacitação Startup SC, em edições diferentes. 

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Fundada em Joinville (SC), o Asaas esteve presente na 2ª turma, em 2014. Quatro anos depois, em 2018, foi a vez da fintech Code Money participar do programa. Naquela edição, Diego Contezini, vice-presidente e cofundador do Asaas retornou ao Startup SC como um dos mentores da programação e teve o primeiro contato com a solução da Code Money.

Essa fusão é um exemplo de como o ciclo de capacitação, desenvolvimento e crescimento de startups é fortalecido pelo ecossistema colaborativo que existe em Santa Catarina, além de retroalimentar uma progressão contínua. Estamos criando um ambiente fértil que fomenta novos negócios inovadores, atrai investimentos e possibilita M&As de sucesso. 

É nesse cenário, dentre outros fatores, que a capacitação empreendedora atua como um alicerce. Com uma forte base e habilidade para ir além, acredito que negociações de fusão de uma catarinense para outra seja ainda mais frequente nos próximos anos.

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