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Organizações inovadoras: veja lições aprendidas com o Vale do Silício

A partir de visitas técnicas e, principalmente, em conversas com brasileiros que trabalham nestas organizações, pudemos conhecer práticas comuns e aspectos que chamaram a atenção

01/05/2021 - 06h00

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Por Redação NSC
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De todos os insights, quatro pontos chamaram a atenção: Bem-Estar, Diversidade e Inclusão, Colaboração e Networking
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Em maio de 2019, tive a oportunidade de participar de uma missão empresarial aos Estados Unidos, que tinha como objetivo conhecer as práticas de organizações inovadoras. A viagem iniciou em Los Angeles, passou por Palo Alto e finalizou em San Francisco. Visitamos várias empresas de tecnologia, startups e instituições acadêmicas como Riot Games, Universidade da Califórnia, Singularity University, Plug and Play, Universidade de Stanford, Google, Apple, Airbnb, Udacity e Linkedin. 

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A partir de visitas técnicas e, principalmente, em conversas com brasileiros que trabalham nestas organizações, pudemos conhecer algumas práticas comuns e aspectos que chamaram a atenção. De todos os insights, quatro pontos me chamaram a atenção: Bem-Estar, Diversidade e Inclusão, Colaboração e Networking. Todos eles podem e devem ser avaliados pelos negócios brasileiros e temos muito a evoluir olhando para estas frentes.

A preocupação com o bem-estar dos colaboradores, por exemplo, foi perceptível em todas as visitas. Além de espaços confortáveis e apropriados para a atuação dos profissionais, chamaram a atenção a incorporação de alguns benefícios. Presenciei campanhas e programas de saúde, incentivo a criação de grupos de interesse, apoio aos pais com filhos pequenos, preocupação com alimentação, lazer e suporte a pets. Muito além de uma remuneração atrativa, este e outros diferenciais como a flexibilidade de horário de trabalho e formato híbrido muito antes da pandemia contribuem para o engajamento.

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Outro fator é que a cultura de inovação é maior em empresas mais igualitárias, que investem em diversidade e inclusão. Em negócios inclusivos os profissionais não vêem barreiras para inovar e têm menos medo de errar. Pessoas de origens e culturas diferentes, mecanismos de incentivo a diversidade e inclusão e abordagens para empoderamento foram apresentados durante as visitas como pontos fortes dos negócios.

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O espírito de colaboração também faz parte da rotina de negócios inovadores e de sucesso. Os líderes são preparados para engajarem as pessoas e adotarem o trabalho coletivo, a busca de soluções criativas e comunicação intensa. Muitos comentaram a adoção de práticas ágeis em suas rotinas de trabalho que facilitam o trabalho cooperativo. Além disso há o reconhecimento por parte dos colaboradores sobre a importância desta prática para evolução dos negócios. 

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O último aspecto que é um grande diferencial na cultura de inovação do Vale do Silício é o cultivo ao networking. Construir uma rede de contatos para trocar experiências e informações e potencializar oportunidades através destes relacionamentos é algo comum entre os profissionais. As pessoas levam muito a sério esta característica. 

Vários brasileiros comentaram a importância da participação em redes sociais profissionais, a busca pela ajuda mútua e a constante participação em eventos de negócios. A demonstração clara e transparente do fomento ao relacionamento é algo muito considerado na evolução profissional. Não basta a troca de cartões, mas sim a proatividade no relacionamento quando o mesmo foi iniciado. 

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A notícia boa é que muitas destas iniciativas percebidas lá fora estão cada vez mais presentes por aqui. As organizações brasileiras estão se estruturando para acolher cada vez mais e melhor as gerações novas de profissionais que já reconhecem e valorizam estes aspectos naturalmente. Cabe a todos nós - mercado, academia, governo e sociedade de forma geral - praticar tudo isso no meio profissional, mas principalmente na vida pessoal. Inovação se faz com atitudes! 

Everaldo Artur Grahl Presidente da Fundação Fritz Müller, graduado em Ciência da Computação, Mestre em Engenharia de Produção, professor universitário há 30 anos na FURB e diretor de Inovação na ACIB – Associação Empresarial de Blumenau.

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