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Entrevista

Daniela Reinehr defende volta às aulas em SC com "ajustes" nas regras

Governadora Daniela Reinehr fala sobre os principais desafios do Estado e a relação com os deputados nos primeiros dias de gestão

01/11/2020 - 05h00 - Atualizada em: 03/11/2020 - 21h49

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Ânderson
Por Ânderson Silva
Upiara
Por Upiara Boschi
Governadora Daniela Reinehr
Governadora Daniela Reinehr
(Foto: )

O poder tem novo endereço. Em uma rua discreta no bairro Coqueiros, região continental de Florianópolis, a residência oficial do vice-governador agora é o local para onde se voltam os olhares políticos do Estado. Governadora interina enquanto durar o processo de impeachment contra o governador afastado Carlos Moisés (PSL), Daniela Reinehr ainda não sabe por quanto tempo permanecerá no comando do Estado e nem se em algum momento vai precisar trocar a atual residência pela suntuosa Casa d’Agronômica, residência oficial dos governadores efetivos.

O que esperar do governo Daniela e o futuro de Moisés

Enquanto isso, ela toma as primeiras decisões e projeta um governo com a sua cara - seja pelo tempo que for. Durante a semana, ela recebeu os colunistas Ânderson Silva e Upiara Boschi para falar sobre os planos para rearmonizar a política catarinense e as mudanças que pretende implantar em um governo que ainda tem as feições do titular.

Durante a entrevista, Daniela também respondeu sobre o negacionismo do pai ao holocusto. As perguntas e respostas estão aqui.

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Leia abaixo o restante da entrevista:

Como foram esses primeiros dias de governo interino?

Foi de muito trabalho. Acordei cedo e fui direto para o trabalho, de forma simples e objetiva. Falei com o colegiado, passei algumas diretrizes, nomeei o general Ricardo Miranda na Casa Civil. Alinhei algumas coisas com o colegiado. É um momento que a gente precisa ter muita responsabilidade, muita tranquilidade, porque o Estado já está fragilizado o bastante. Quero dar o alinhamento que falta, fazer o que faltou. Construir a harmonia política que faltou, o respeito. Temos valores a serem resgatados aqui no nosso Estado. A principal missão agora é criar um canal de comunicação não só com a Assembleia Legislativa, mas com todas as instituições e a imprensa. Um canal de muito respeito. Eu vim de uma região que se desenvolveu pela união de esforços, o cooperativismo. Isso tem que ser trazido para a política. Temos que chamar poderes, os eleitos, alinhar o que foi equivocado até agora.

O que foi equivocado até agora?

Tudo que aconteceu até agora foi por uma desarmonia política. Foi um processo político. O meio de construir essa harmonia é a boa comunicação. Ouvir, dar atenção ao parlamento. Eu conheço todas as cidades de Santa Catarina, mas não conheço como os deputados conhecem. É através deles que chega a maioria das demandas da população. Eu preciso ouvi-los, respeitá-los, atendê-los de uma forma respeitosa. Realmente atender e me colocar à disposição para ajudar e pedir para que eles venham me ajudar. Na minha opinião, o que faltou foi comunicação e harmonia política.

Fora da política, a senhora acha que a gestão no governo Moisés está correta?

Existem algumas coisas que preciso realinhar. A gente tinha um projeto original. Tem muitos acertos, o Estado ganhou muitas coisas, especialmente na gestão tributária, orçamentária, enxugamento da máquina pública, pagamento de dívidas. Existem muitos méritos. O que faltou foi a comunicação. Acredito que precisamos focar mais no desenvolvimento econômico. A gente tem que mostrar o que nosso Estado tem de bom, recuperar a credibilidade que se perdeu. A iniciativa privada sabe fazer e o Estado não é um empreendedor nato. A gente precisa atrair investidores. Essa é a grande pegada que quero dar ao governo. Fazer o Estado ser governável, um governo de coalizão. Isso faltou.

A senhora comanda por enquanto um governo interino de até 180 dias…

A intimação fala em até 120 dias. O processo andou bastante rápido. Mas independente do prazo, quero ações imediatas, ações que tenham continuidade depois. O que falta em Santa Catarina além da parte política? O principal é a infraestrutura. Se tivermos corredores logísticos à altura da nossa capacidade de produção, o resto o Estado faz sozinho. Esse olhar diferenciado eu gostaria de dar ao Estado.

O Tribunal do Impeachment pode decidir que Moisés volte e que a senhora retome o cargo de vice-governadora. O seu planejamento é para quanto tempo?

Na função em que eu estiver, seja governadora interina ou vice-governadora, as ações é que são de longo prazo. Não quero tomar nenhuma ação imediata que vá causar um dano ou perder uma oportunidade lá na frente.

Que tipo de relação pretende ter com o governador afastado Carlos Moisés neste período em que ainda é interina?

Ele é o governador afastado neste momento, não tem ingerência, aguarda a decisão do tribunal, e eu tenho autonomia para fazer as mudanças que acredito necessárias. Serão feitas com muito cuidado, muita prudência. Minha grande missão é construir a harmonia política.

Pretende mudar a fotografia do secretariado Moisés?

Algumas situações eu pretendo mudar. De forma responsável, com transição.

Quando a gente vai começar a ver o secretariado de Daniela Reinehr, além do secretário Ricardo Miranda, já escolhido?

Por ora, a Casa Civil. A gente precisa de uma construção política, de uma pessoa que consiga conversar com a Assembleia Legislativa. O general Miranda conversa com todos os setores da sociedade. Foi um nome escolhido estrategicamente para isso e para mostrar seu grande ativo: credibilidade, integridade, um currículo excelente. Pretendo também trazer nomes que consigam falar bem com os setores da sociedade, principalmente a Assembleia.

Nomes políticos?

Precisamos também de nomes políticos. Estamos em cargos políticos, precisamos de nomes políticos.

Na primeira entrevista que concedeu após assumir o cargo, em 2019, Moisés disse “a Assembleia é a menor das minhas preocupações”. Percebemos que a senhora vai no sentido oposto.

A Assembleia Legislativa é um dos três poderes, não tem como ser ignorada. São cargos eletivos na mesma forma que Moisés e eu. Não existe como não conversar e não ouvir. Eu não conheço o Sul como um deputado do Sul, não conheço o Norte como um deputado do Norte. As necessidades vão chegar através deles. Quero prestigiá-los e que eles realmente participem.

Como a senhora vai se relacionar com a bancada do PSL. Dois nomes ali, Ana Campagnolo e Jessé Lopes, estão mostrando um tom de oposição. Como vai conversar com essas pessoas mais radicais dentro do partido e que inclusive votaram pela abertura do seu processo de impeachment?

Eles são pessoas eleitas. Respeito todas as pessoas, embora em muitos momentos eu não tenha sido respeitada. Eu não vou ficar ruminando o passado. Tenho pouco tempo para olhar para frente. Por mais divergências que possamos ter, tenho certeza que temos em comum o desejo pelo bem de Santa Catarina. Vou conversar com todos, já falei com alguns deputados. Eu atendo telefone, a porta está aberta a todos.

Nesses primeiros dias, Jessé e Ana apresentaram demandas públicas ao novo governo, como se fossem provas de que a senhora está alinhada ao bolsonarismo que eles defendem. Jessé pediu que rasgasse decretos com restrições implementadas no combate à pandemia e Ana trouxe a implantação em nível estadual da carteira digital de identificação estudantil e a regulamentação do ensino domiciliar. Está disposta a comprar essas pautas?

Existem algumas circunstâncias que não estão sendo avaliadas de acordo com a realidade. Hoje, estamos vivendo o ensino domiciliar. O meu filho está tendo ensino domiciliar, estou praticando em casa. A maioria das família está fazendo isso. É uma prática que já existe e neste momento quase que a única opção. Eu entendo que é uma opção, a minha avó foi educada assim. Sempre defendi essa opção aos pais, a deputada sabe. É uma prática que admiro muito, mas é uma opção que não deve ser imposta a nenhum pai, mas que precisa ser respeitada.

Mas a regulamentação dessa opção ainda está em projeto na Assembleia. Pretende encampar?

Ainda não me foi apresentada essa proposta.

E rasgar os decretos para agradar Jessé Lopes?

Existem algumas consequências jurídicas que precisam ser consideradas. Não seria adequado eu sair rasgando decretos sem avaliação, até porque existem algumas que não estão sob domínio exclusivo do Estado. As prefeituras têm autonomia e vale a regra mais restrita. Minha ideia nunca foi restringir. Sempre vim a público falar que precisamos cuidar dos doentes, da liberdade para atuação dos médicos. O Estado não pode cercear. As liberdades individuais precisam ser respeitadas.

A senhora está satisfeita com o combate à pandemia aqui no Estado? A manutenção do secretário de Saúde, André Motta, está nos seus planos?

Eu já me manifestei algumas vezes contra, quero fazer alguns ajustes. Pretendo vir a público falar sobre isso quando realmente se consolidar, até para não gerar inseguranças. Vou ouvir o setor, os profissionais de saúde. Essa é a grande diferença que quero dar. Ouvir os profissionais sobre o melhor caminho, ouvir o Ministério da Saúde. Acho que um dos equívocos foi essa dissonância.

Seria a troca do secretário?

Se isso acontecer, no momento certo vou manifestar. Algumas condutas serão reajustadas.

A gente percebe que há uma linha no combate à pandemia no Ministério da Saúde e outra no governo do Estado. A senhora pretende estar mais próxima do que tem aqui ou do governo federal?

Eu sou contra generalizar e um dos equívocos desta pandemia foi generalizar. Sempre defendi que a gente deve isolar os doentes e não isolar todos. Existe uma população saudável que vai gerar imunidade de rebanho. Acho que os técnicos devem falar a esse respeito, mas a verdade é que cada pessoa reage de uma forma diferente à Covid e a gente tem que cuidar de cada caso de acordo com essa reação. O papel do Estado não é interferir na ação do médico e nem no direito de ir e vir das pessoas, é dar condições para que tudo funcione de forma efetiva. O que vai determinar a saúde das pessoas? O tratamento precoce, um tratamento específico que ela precise e deve estar disponível. Mas isso vai depender do profissional que trate esse paciente.

Tratamento precoce a senhora fala de hidroxicloroquina, ivermectina…

Isso que eu estou dizendo, o médico é que vai decidir. Essa é a liberdade que eu defendo. Respeito a cada profissional, a cada instância, a cada competência. Eu como governadora preciso dar condições para que a saúde pública funcione. Quem vai decidir qual é o remédio é o médico. Eu preciso respeitar a liberdade profissional para decidir o melhor tratamento. O que eu não posso é generalizar. Dizer que é para todo mundo ficar em casa porque "isso", que todo mundo vai tomar o remédio tal porque "aquilo".

Santa Catarina viveu um lockdown quando ainda nem se usava esse termo. Foi uma decisão marcante do governador Moisés naquele momento. A senhora teria tomado a mesma decisão se fosse a governadora?

De maneira alguma, e defendi isso desde o começo. A gente fala muito em barreiras sanitárias na agricultura. E a gente tem barreiras sanitárias. Aqui na entrada (da residência oficial de vice-governador) tem o tapetinho com a solução para desinfetar o pé quando entra. Eu tive contato com pelo menos 10 pessoas infectadas por Covid e não peguei.

A senhora deu a mão ao presidente Jair Bolsonaro aqui em Florianópolis quando ele já estava possivelmente infectado…

Bolsonaro, Damares (Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos)...

O próprio Moisés, embora dele a senhora não chegasse muito perto na época.

(Risos dos presentes, inclusive a governadora interina) Enfim, cada pessoa tem uma reação diferente. Tem famílias que pegam, um vai para a UTI, normalmente por ter uma comorbidade, outro não tem nada. Eu, graças a Deus, não peguei. Espero não pegar, quero passar por isso tranquilamente como muitas pessoas vão. A verdade é que a resposta que a gente tem tido ao tratamento tem sido boa e o foco tem que ser esse, caso a caso.

Quando a senhora fala em avançar ou recuar é restringir alguma coisa, atuar de forma mais localizada?

Exatamente. O recuar que eu digo é no fechamento. Evidentemente, se eu tiver um bairro, uma escola em que existe uma contaminação e uma ameaça grave, vai ser recuado. Agora se a gente está num ambiente favorável onde não existe um risco iminente, a gente pode avançar. Tem que ser avaliado com muito critério essa questão de risco, da gravidade.

Parece que não é nada muito diferente do que hoje é feito no Estado. Onde está a discordância com o momento atual?

Acho que os critérios. Eles têm que ser mais aprofundados. Preciso realmente ouvir a classe médica nesse momento, alinhar com o governo federal, com o Ministério da Saúde também. E essa resposta deve chegar de uma forma mais precisa nos próximos dias.

A senhora esteve na sessão do impeachment o tempo todo. Nos dias anteriores, muita gente perguntava de onde vinha a convicção de que assumiria o governo. A senhora já sabia que o deputado Sargento Lima ia votar a seu favor?

Eu nunca disse que eu tinha certeza que assumiria o governo. Eu sempre disse que tinha certeza, e a minha confiança sempre foi na Justiça. Diante da ausência de elementos no processo que justificassem a minha estada no processo, eu sempre confiei que o Tribunal, pelo perfil do TJ-SC e pela tecnicidade dos nossos desembargadores, e que foi comprovada lá… foi uma aula, até brinquei com a equipe que aquela noite foi três anos da faculdade de Direito, mais ou menos… O altíssimo nível dos nossos desembargadores foi encantador…

Mas sem o voto do Sargento Lima a senhora estaria afastada também…

Exatamente. Eu imaginava que os cinco desembargadores, até por toda a repercussão que o tema gerou, votariam na mesma tese. Por ser um tema judicializado, pelo fato de ter sido adiada a votação (da discussão jurídica da equiparação salarial no TJ-SC) me deu a certeza de que… A minha certeza sempre foi na Justiça, a minha surpresa foi justamente o voto do desembargador que votou pela continuidade. Nota-se que ele votou em bloco, fez um só, fui de arrasto mais uma vez. Por isso que sempre foquei em separar a Daniela desse processo. Até porque são atos separados. Não existe ato da Daniela, não existe omissão.

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Ficou muito claro, e o posicionamento do Tribunal exalta isso, que era injusto cobrar da senhora o aumento dos procuradores nos 10 ou 12 dias em que ficou no cargo. Mas, olhando hoje, conhecendo tanto esse assunto, a senhora tem convicção de que essa equiparação é correta?

Essa é uma questão que está judicializada. E, volto a dizer, o respeito às instituições, a quem tem competência para julgar, para avaliar isso. Quem está julgando isso é o Tribunal de Justiça. E não me cabe interferir e tecer qualquer parecer. A decisão que o Tribunal chegar, é dele.

A senhora sabe ou tem uma ideia do motivo de o Sargento Lima ter mudado de ideia?

Eu acredito que sempre foi muito clara a minha inocência nesse processo, não tenho dúvida que a sociedade percebia que eu era inocente, que o Parlamento também tinha essa noção. Foi impeachment de arrasto. E eu acredito que, não sei em que momento, ele percebeu. Ele realmente falou que foi um voto de acordo com a Justiça.

E ele lhe comunicou antes?

A gente conversou antes e ele deu sinais, deixou uma esperança de que votaria nesse sentido. Ficou claro que era injusto, que ele considerava injusto, e fiquei com a expectativa do voto dele. Achei um voto de muita coragem, de muito discernimento naquele momento. Foi nisso que acreditei. Sou muito resiliente, brigo até o final, e acho que consegui mostrar no processo. Não tenho medo de encarar a vida de frente. A minha defesa foi muito eficiente, tenho uma gratidão muito grande à doutora Ana Blasi, que esteve mais à frente além das outras pessoas que me auxiliaram.

A senhora destacou Ana Blasi pelo trabalho na sua defesa. Podemos imaginá-la governo?

Adoraria.... (Risos) Adoraria poder contar com ela. Tenho certeza que uma das principais seguranças que a gente precisa ter nesse momento é a legalidade. O governo assina baseado em pareceres, em orientações técnicas, no seu jurídico.

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Temos aí uma candidata à procuradora-geral do Estado?

Olha, quem sabe… (Risos) Eu fiquei extremamente lisonjeada em tê-la na minha defesa. Eu não a conhecia pessoalmente, ela fez um trabalho brilhante e passou por uma situação complicada de saúde. Pegou Covid, o marido pegou Covid. Então, muitas vezes eu me colocava no lugar dela, eu imaginava se estava difícil pra mim, imagina pra ela. Ela ganhou uma fã.

Governadora, sobre volta às aulas. A senhora concorda com o atual formato de retorno conforme as cores do mapa, como estamos vendo no Estado?

Eu concordo com a volta às aulas. Mas, evidentemente, que tem que ser feito de forma muito prudente, respeitando as normas de segurança, especialmente a segurança das nossas crianças. Elas têm uma capacidade maior de enfrentar o vírus, pela estatística. Mas evidente que ninguém quer colocar nenhuma criança em risco. Vejo como uma necessidade (a retomada), por todas as crianças que eu convivo. Às vezes uma comorbidade decorrente desse afastamento que elas estão passando pode ser até… a gente precisa evitar isso. É o ambiente delas, uma rotina delas que foi modificada. A gente precisa olhar como um todo.

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Do modelo atual, a senhora acha que dá para fazer ajustes?

Precisa fazer ajustes, não tenho dúvidas disso. Mas concordo com a volta às aulas de forma responsável. E isso já vai acontecer de forma gradual. Acho importante, até para a rotina das crianças, que seja feito de forma gradual. A gente precisa entender o contexto e fazer de forma harmônica, cuidando deles e de forma gradual para que eles também voltem ao ritmo que tinha antes.

Quando poderemos ver o seu dedo no governo? Já tens uma ideia de tempo para isso?

Tudo aconteceu muito rápido, não deu tempo de estruturar todo o procedimento. Acredito que em 10 dias já tenha alguns resultados importantes. Até porque a consequência do ato é que resulta, então é até difícil a gente prever. Tem muita coisa boa para acontecer. Está sendo um desafio, vão vir muitas dificuldades pela frente. Cabe a mim nesse momento chamar toda a sociedade catarinense, sejam os mandatários, os parlamentares para realmente virem ajudar. É um momento crítico para o Estado, não só pela pandemia, mas também pela crise econômica, pela crise política. Acho que não posso focar em trocar, botar a minha cara, e esquecer os problemas que estão acontecendo. Existe uma agenda a ser cumprida, a gente está trabalhando muito, dormindo pouco, para conseguir conciliar essa recuperação do Estado, as mudanças que precisam ser feitas.

Há uma expectativa nacional de que aqui seja o primeiro governo do Aliança, partido anunciado pelo próprio Bolsonaro. Daniela Reinehr é a governadora do Bolsonaro?

Tenho plena consciência que essa esperança, que essa retomada, reside em mim. Não tenho dúvida de que a governadora do Aliança já é. Em que pese, ainda que interinamente, já sou a primeira governadora do Aliança. Ainda estou sem partido, o partido está em construção, estamos empenhados nisso. Essa expectativa, então, na prática já se confirmou. Costumo dizer que nós, que viemos do Bolsonaro, somos crias dele. Eu sou cria do Bolsonaro. Eu gosto muito de salientar que quando a gente abraçou, quando eu, Daniela, abracei o presidente Bolsonaro como uma pessoa que me representava, ele personificou as minhas esperanças do que eu queria para o meu país. Junto com ele veio um projeto. Independente, depois, da pessoa se afastar do presidente, gostar ou não dele, a gente defendeu um projeto. E Santa Catarina elegeu esse projeto alinhado ao presidente Bolsonaro. Foi sempre esse projeto que eu busquei resgatar.

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Bolsonaro fez algum contato depois que a senhora assumiu?

Diretamente, não. A gente está marcando agenda, mas já chegaram os recados.

Dois dias antes da votação no Tribunal do Julgamento a senhora esteve na Alesc para conversar com o presidente Julio Garcia e outros deputados. Como será o seu tratamento com Julio Garcia e a aproximação a ele?

É o presidente da Assembleia Legislativa, um deputado eleito. Foquei muito nessa palavra: respeito. Não só com ele, mas com todos os deputados. Não cabe a mim ficar remoendo o passado, quero olhar para frente. Respeito os Poderes constituídos também, como também quero ser respeitada como vice-governadora, como governadora interina, como Daniela Reinehr, como pessoa pública, como ser humano que sou. Mereço e quero respeito. Tenho fragilidades, tenho dificuldades, tenho que cuidar de casa, de filho, como todo mundo tem. A base para a gente conseguir equilíbrio entre os Poderes e o desenvolvimento do nosso Estado é o respeito, é ouvir, é trabalhar junto, é dar acesso. E isso é uma coisa muito importante que eu já deixei claro para os deputados, eles têm meu telefone.

A senhora acha que Julio Garcia foi desrespeitado pelo Executivo em algum momento?

Eu não quero julgar. O Judiciário vai julgar. Acho que Santa Catarina já sofreu prejuízos suficientes nesse momento e eu tenho muito claro comigo que preciso olhar para frente, construir um canal eficiente de comunicação com todo os Estado, com a Alesc. Quero sim que sejam apuradas todas as eventuais irregularidades que tenham acontecido, por quem quer que seja. A mim, cabe unir as forças nesse momento para tirar o Estado da situação em que está. Tenho plena convicção de que sozinha não vou conseguir. Foco muito nos investidores em quem quer acreditar em Santa Catarina.

A senhora tem um plano de economia para a retomada?

Estamos construindo. Adoraria já dar resultados. Realmente quero fazer isso de uma forma muito responsável. Sem especulações. Há algumas coisas em andamento, algumas mais avançadas, outras previstas lá na frente. Porque busco evitar todos esses ressentimentos porque não adianta eu chegar numa apresentação com tudo que tem de bom, se eu ficar fomentando coisas que não vão beneficiar a imagem do nosso Estado. Acho que é o momento de a gente realmente deixar o que passou para trás, focar no Estado, trazer credibilidade.

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A gente está vendo aumento de casos de coronavírus, principalmente na Grande Florianópolis. A gente também está vendo o verão chegando. O que a senhora pensa sobre o turismo com o coronavírus?

Essa gestão é um dos grandes desafios. Pretendo ver as orientações do Ministério da Saúde, conversar com o secretário como está a posição. Hoje se evoluiu, lá atrás meus posicionamentos eram mais divergentes, já se abriu muito. Eu não vejo maneira de impedir que as pessoas aproveitem o verão. Eu não consigo ver essa possibilidade de dizer às pessoas que ela não podem ir à praia. Volto a dizer: prevenção, cuidados e observar. Poderá haver momentos em que a gente precise recuar se chegar em uma gravidade maior. Quando puder avançar, avança. Ambientes ao ar livre são favoráveis, melhores. Em ambientes fechados, as circunstâncias dificultam um pouco mais. São detalhes que vou alinhar ouvindo a classe médica. Não é uma decisão fácil de se tomar, não é uma decisão que deva ser tomada com algum idealismo, mas de forma técnica.

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