A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (16) uma ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de coação no curso do processo por supostamente tentar interferir no julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Continua depois da publicidade

O julgamento da Ação Penal (AP) 2782 está marcado para as 14h, em sessão presencial, com transmissão pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. (veja abaixo)

Segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro teria atuado para pressionar autoridades do Judiciário brasileiro ao articular, junto ao governo dos Estados Unidos, a adoção de sanções contra ministros do STF e medidas econômicas contra o Brasil.

Continua depois da publicidade

As ações teriam ocorrido durante a tramitação da Ação Penal 2668, que resultou na condenação do ex-presidente e de integrantes de seu governo em setembro do ano passado.

De acordo com a PGR, há registros audiovisuais em que o então parlamentar relata suas articulações no exterior e faz declarações consideradas intimidatórias contra integrantes da Corte. A acusação sustenta que Eduardo anunciava previamente as sanções impostas pelo governo norte-americano, celebrava as medidas e indicava que novas punições poderiam ocorrer caso o Supremo não alterasse sua atuação no processo.

Continua depois da publicidade

Para a Procuradoria, as manifestações tiveram o objetivo de constranger ministros do STF e influenciar o andamento da ação penal.

Veja as fotos da casa em que Eduardo Bolsonaro vive nos EUA

Continua depois da publicidade

Defesa aponta nulidades processuais

Como Eduardo Bolsonaro não constituiu advogado nos autos, sua defesa é conduzida pela Defensoria Pública da União (DPU). Entre os argumentos apresentados, a DPU questiona a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento, sob o entendimento de que ele estaria impedido de atuar por ser uma das autoridades atingidas pelas sanções mencionadas no processo.

A defesa também sustenta que a citação do ex-parlamentar deveria ter sido realizada por meio de carta rogatória, instrumento utilizado para atos processuais envolvendo autoridades estrangeiras, e não por edital.

Continua depois da publicidade

No mérito, a DPU afirma que as condutas atribuídas a Eduardo Bolsonaro se enquadram no exercício da liberdade de manifestação de um parlamentar sobre temas de política externa e sobre a atuação do Judiciário. Segundo a defesa, críticas à atuação da Justiça e debates sobre seus efeitos não configuram coação.

Processo chegou à fase final

A denúncia da PGR foi recebida pela Primeira Turma em novembro do ano passado, quando Eduardo Bolsonaro passou à condição de réu. Após a fase de produção de provas e a apresentação das alegações finais pela acusação e pela defesa, o processo foi liberado para julgamento.

Continua depois da publicidade

Quem são os ministros que compõem a Primeira Turma?

Na última sexta-feira (12), a Defensoria Pública da União pediu o adiamento da análise e a convocação de um ministro da Segunda Turma para completar a composição do colegiado. Atualmente, a Primeira Turma conta com quatro integrantes em razão de uma vaga aberta na Corte.

Continua depois da publicidade

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, rejeitou os pedidos e manteve o julgamento na pauta. Na decisão, destacou que o Regimento Interno do STF permite que as Turmas deliberem com a presença mínima de três ministros, sem necessidade de convocação de integrantes de outro colegiado.

Como será o julgamento?

A sessão será aberta com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, o subprocurador-geral da República Antônio Edílio Magalhães Teixeira fará a sustentação oral pela acusação.

Continua depois da publicidade

Pela defesa, falará o defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho. Conforme prevê a Lei 8.038/1990, acusação e defesa terão até uma hora cada para apresentar seus argumentos.

Após as manifestações, os ministros iniciarão a votação. Além do relator, participarão do julgamento os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Primeira Turma.

Continua depois da publicidade

A decisão será tomada por maioria dos votos. Em caso de condenação, o colegiado também deverá definir a pena a ser aplicada ao ex-parlamentar.

Acompanhe o julgamento ao vivo às 14h