Aos 96 anos de idade, o ex-presidente José Sarney viveu um bastidor familiar que ilustra como o debate sobre o fim da escala 6×1 alcançou diferentes gerações no país. Em relato publicado em sua conta oficial no Instagram, o político maranhense revelou ter sido surpreendido por seu bisneto Bruno, de apenas 12 anos, com um questionamento direto sobre seu posicionamento a respeito da adoção da jornada semanal de cinco dias.

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Ao ser interpelado pelo bisavô sobre os motivos para apoiar a mudança, justificou que a alteração seria mais justa por permitir trabalhar menos.

O diálogo informal joga luz sobre o forte apelo popular da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso Nacional, mostrando que a pauta trabalhista furou as bolhas corporativas e sindicais para virar assunto nas mesas de jantar.

O “palmômetro” digital e a previsão da internet

Para Sarney, a forte mobilização popular que acelerou a discussão da matéria no Legislativo confirma uma análise feita por ele próprio na década de 1990, quando participou da implementação da internet nas dependências do Senado Federal. Na ocasião, o político antecipou que as ferramentas tecnológicas transformariam os canais de interlocução entre a sociedade civil e os tomadores de decisão em Brasília.

Em seu texto, o ex-presidente resgatou a obra Jornal de Timon, escrita pelo historiador João Lisboa, para traçar um paralelo entre a pressão dos algoritmos do ambiente virtual e o antigo “palmômetro”, o modelo clássico da antiguidade que calculava o prestígio e a aprovação dos governantes pela intensidade dos aplausos recebidos em praça pública.

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Na visão do político, os vídeos virais e os assuntos mais comentados nas plataformas digitais exercem hoje esse papel de pautar as decisões de mercado e os votos dos parlamentares.

Diante do cenário e acompanhando experiências internacionais que avaliam a redução da jornada como mecanismo para o ganho de produtividade, o ex-presidente declarou voto favorável à reforma trabalhista. No encerramento de sua publicação no Instagram, ele utilizou o bom humor para comentar que pretende aproveitar a tendência para usufruir de um pouco de preguiça, algo que afirmou não ter conhecido ao longo de sua extensa trajetória pública.

O que diz a PEC pelo fim da escala 6×1

O projeto citado por Sarney ganhou tração na Câmara dos Deputados sob a articulação direta do presidente da Casa, Hugo Motta. O texto aprovado construiu um meio-termo para amortecer os impactos operacionais e financeiros sobre as empresas, sobretudo nos segmentos de comércio e serviços.

A redação final alterou o artigo 7º da Constituição Federal, fixando o limite de 40 horas semanais de trabalho com dois dias de descanso remunerado, substituindo o plano original de corte para 36 horas semanais e obtendo aprovação com apenas 19 votos contrários.

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*Com edição de Nicoly Souza