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Estado amplia público-alvo da vacina contra covid-19, mas reduz total de pacientes com comorbidades

Grupos como caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo, indústrias e portos foram incluídos e devem ser chamados à medida que Estado receba doses

17/02/2021 - 05h00 - Atualizada em: 17/02/2021 - 15h01

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Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
Jean
Por Jean Laurindo
Estado ampliou grupos prioritários para receber vacina contra Covid-19
Estado ampliou grupos prioritários para receber vacina contra Covid-19
(Foto: )

O governo de Santa Catarina ampliou a população prioritária para receber a vacina contra o novo coronavírus. Pessoas com deficiência grave, em situação de rua, presos, quilombolas, forças armadas, profissionais do transporte coletivo, aéreo, caminhoneiros e trabalhadores portuários, de indústrias e da construção civil foram incluídos nos grupos preferenciais.

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As mudanças fazem parte da segunda versão do Plano Estadual de Vacinação contra a Covid-19, divulgado nesta terça-feira (16). No total, a estimativa prevê vacinar 2.898.763 pessoas dos grupos prioritários, 96.124 a mais do que o previsto em plano elaborado em dezembro pelo Estado. A íntegra está disponível aqui.

Por outro lado, o número de pacientes com comorbidades previstos para serem vacinados este ano caiu a mais da metade, com 728,5 mil pessoas a menos. O superintendente de Vigilância em Saúde do governo de SC, Eduardo Macário, justificou que essa redução ocorreu porque os novos números foram feitos com base em uma estimativa populacional do Ministério da Saúde, que seria mais precisa. Na primeira versão, sem projeções passadas pelo governo federal, o Estado teria incluído uma margem adicional de 30% para possíveis divergências, o que explica o número menor de pessoas com doenças prévias na nova atualização do plano, segundo o superintendente.

O documento foi divulgado sem mencionar pacientes com câncer entre as pessoas que apresentam comorbidades e integram o grupo prioritário para receber a vacina. No entanto, após ser avisado pela reportagem do Diário Catarinense de que o Ministério da Saúde mantém esses pacientes no plano nacional de imunização atualizado em 15 de fevereiro, Macário admitiu a falha, disse que a intenção do Estado é repetir todas as comorbidades indicadas na estratégia nacional como prioridade também em SC e assegurou que a correção no plano será feita pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC).

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A inclusão dos novos grupos representa uma inclusão de 729.079 pessoas que não estavam na estimativa inicial de prioritários para receber a vacina. Esses públicos também foram inseridos em janeiro entre os preferenciais no Plano Nacional de Imunização (PNI), que define as diretrizes para a vacinação contra a Covid-19 em todo o país, e agora foram replicados na estratégia estadual.

No entanto, como o número de pessoas com comorbidade teve a diminuição de 728,5 mil pessoas, o saldo do novo plano estadual é um aumento de 96.124 pessoas na estimativa de público a ser vacinado ao longo deste ano em SC – passando de 2.802.639 para 2.898.763 da primeira para a segunda versão do plano. Esses 2,8 milhões de pessoas equivalem a cerca de 40% do total de catarinenses.

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Trabalhadores da indústria e caminhoneiros entre os novos públicos

Entre os novos grupos, os mais populosos no Estado são os de trabalhadores industriais e da construção (306.581), pessoas com deficiência permanente grave (242.025) e caminhoneiros (115.000). Outros setores apresentam menos de 400 pessoas em todo o Estado, como o de trabalhadores do transporte aéreo (304) e aquaviário (301). A tendência é de que a ordem de chamada dos novos grupos prioritários para a vacinação seja a mesma da lista incluída no novo plano estadual.

No grupo de pessoas com comorbidades, que agora tem previsão de 636,4 mil pessoas a serem vacinadas e deve ser chamado após a imunização dos idosos, as doenças prévias a serem consideradas incluem diabetes, doenças pulmonares, hipertensão, doenças cardiovasculares, renais, anemia, obesidade mórbida, síndrome de down e imunossuprimidos - no qual entram pessoas transplantadas, doenças reumáticas e onde devem ser reincluídos os pacientes com câncer.

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Sem fases, grupos serão chamados à medida que vacinas chegarem

O superintendente de Vigilância em Saúde de SC, Eduardo Macário, explica que uma das mudanças com o novo plano é que a vacinação não deve mais ocorrer em fases. A estratégia não está detalhada na nova versão do plano, mas segundo ele, os grupos prioritários definidos no plano vão ser chamados de acordo com a velocidade que novas doses de vacinas chegarem ao Estado.

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Profissionais de saúde, indígenas e idosos em asilos ou com mais de 90 anos, por exemplo, já começaram a ser imunizados. Outros grupos como quilombolas, idosos de outras faixas etárias e pessoas com comorbidades viriam na sequência, assim como professores e profissionais de segurança, que já estavam na versão inicial do plano, até chegar a vez dos demais grupos incluídos nesta semana.

– O Ministério da Saúde tinha feito um planejamento inicial de que a vacinação se daria por etapas, mas como as doses estão chegando em quantidade muito reduzida, o ministério mudou a sistemática e passou a orientação de que a campanha vai ocorrer por grupos prioritários. À medida que cheguem novas doses vão sendo incorporados novos grupos prioritários – apontou.

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Na divulgação do plano nesta terça, o Estado informou que os municípios podem adotar estratégias diferentes de vacinação. Algumas recomendações seriam o agendamento de horários específicos para cada grupo de risco, a aplicação em locais de trabalho ou onde estejam os grupos específicos, drive thru e vacinação domiciliar, entre outras.

A continuidade da campanha, no entanto, depende da compra e do envio de novas doses por parte do Ministério da Saúde. O superintendente diz que não é possível prever se outros grupos podem ser inseridos no plano estadual para serem vacinados ainda em 2021 justamente porque isso dependerá do andamento da vacinação. No entanto, ele reforça que o Estado tem interesse em compra de vacinas se laboratórios abrirem negociações com gestões estaduais. Também se mostra confiante em um aumento do ritmo da imunização com a produção nacional de doses do Butantan e da Fiocruz e com a provável aprovação de novos imunizantes.

– Vai ser uma campanha longa, acho que a maior já feita no Brasil, e há um interesse do governo do Estado que nós não fiquemos somente nos 2,8 milhões catarinenses, mas que isso possa aumentar e que tenhamos outros grupos tendo acesso às vacinas – aponta.

Dados sobre o andamento da vacinação em SC podem ser acompanhados no Monitor da Vacina. A ferramenta é atualizada três vezes por semana ou conforme novos dados são divulgados pelo Ministério da Saúde e Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC. A página pode ser acessada neste link.

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