Exportadores de SC precisam prever cenários e ter “plano B” para evitar crises, diz especialista

Especialista em geopolítica, Thiago de Aragão analis

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Exportadores de SC precisam prever cenários e ter "plano B" para evitar crises, diz especialista

Thiago de Aragão foi um dos principais palestrantes da feira (Foto: Divulgação)

Os desafios da logística catarinense, especialmente com os impactos que as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump e já em vigor nos Estados Unidos, reforçam ainda mais que a capacidade de prever cenários, por parte de exportadores, é essencial. É o que considera Thiago de Aragão, especialista em geopolítica e palestrante da Logistique 2025, um dos mais importantes eventos setoriais de logística do Brasil, que ocorre em Balneário Camboriú até esta quinta-feira (14).

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— Os exportadores precisam estar mais envolvidos em termos de curiosidade e conhecimento sobre os temas geopolíticos globais, porque isso [crises geopolíticas] não começou agora. Isso já é de sempre, principalmente fora do Brasil, onde existe uma cultura de antecipar ao invés de somente reagir — pontua Aragão, que é mestre em Relações Internacionais pela Johns Hopkins University, nos EUA.

Antecipar cenários, como o tarifaço, uma queda do dólar, ou um aumento no custo de exportação, pode, para Thiago, salvar exportadores e, consequentemente, evitar que crises se instalem. É o caso das tarifas impostas pelos EUA, de 50% sobre o preço de produtos exportados pelo Brasil. Em vigor desde o começo de agosto, a situação “gerou um caos”, mas não só em Santa Catarina ou entre exportadores brasileiros — pela decisão do governo americano respingar também em outros países, é praticamente um caos global.

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Segundo Aragão, exportadores do México, que negociam com os EUA, também sofrem os impactos das tarifas. Em meio à negociação, no entanto, o plano B tem sido a diversificação.

— Você tem que estar preparado para o pior e para o melhor cenário possível, para o plano A e para o plano B — pontua.

Apesar dos esforços dos governos federal e estadual em reverter a situação, como pacotes de socorro financeiro, com aporte para exportadores, segundo o especialista, existe um limite do que governos podem fazer, assim como um limite do que não é possível fazer. Para ele, “a organização do setor privado, para essa questão especificamente, ela é absoluta, é crítica. Porque sem isso, não vai ter solução, não vai ter resultado”.

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— O ideal, e o que eu vejo outros países fazendo, é eles se preparando e de novo a gente volta para o ponto de antecipação. Estão trabalhando para corrigir o cenário atual, que é o ideal, e, ao mesmo tempo, um processo para criar um cenário alternativo no caso que o atual não funcione. E isso é a realidade de hoje.

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Até maio deste ano, os Estados Unidos foram o principal destino das vendas externas do Estado, com receita de 702,6 milhões de dólares. Enquanto isso, a China segue em segundo lugar, com receita de 502,3 milhões de dólares, segundo dados do observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

A forte relação do Estado com a China pode ainda impactar as negociações.

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— Parte da negociação pode ser abrir o mercado americano para exportações brasileiras, desde que diminua as exportações para a China. Então, e aí a gente volta para a questão de autopolítica — diz o especialista. — O mundo, ele está vivendo, gente que não gosta muito desse termo, mas uma outra versão de uma guerra fria. E essa outra versão da guerra fria começa a criar eixos polarizantes.

Essa tendência de criação de eixos polarizantes invariavelmente, para Aragão, se encaixam sob o guarda-chuva dos Estados Unidos ou da China. Ele explica que o comportamento americano de não fortalecer relações com aliados, pode beneficiar a China, já que muitos países se aproximam do governo chinês por conta do comportamento dos EUA.

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A postura de confronto adotada pelos Estados Unidos, ainda, segundo Aragão, não deixa de ter a China como pano de fundo, e por isso, um alerta:

— A tendência é que ele [Donald Trump] mire os canhões em relação à China e na relação que os países, como o Brasil, tem com ela para tentar equilibrar.

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Cenário mundial pode motivar reorganização da economia brasileira

Para Aragão, a postura protecionista de Trump não vai acabar com a economia do Brasil, ou fazer os portos catarinenses, por exemplo, perderem o protagonismo. Mas vai mudar o tabuleiro nacional.

— Os portos também vão reorganizar ou rebalançar seus produtos e a logística de distribuição. Isso é uma possibilidade muito grande. O protecionismo veio para ficar no mundo atual, onde isso está fazendo mais sentido para os países do que anteriormente — considera.

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A postura protecionista — ou seja, a adoção de políticas econômicas que visam proteger a produção nacional de um país contra a concorrência estrangeira, com o uso de tarifas ou cotas de importação — no entanto, é comum, e praticada em muitos países. Os subsídios que o Brasil oferece a empresas é uma estratégia de protecionismo. Mas isso é um jogo: se um faz, os outros seguem o modelo.

O alerta, portanto, é que outros países adotem também esse tipo de postura:

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— Os Estados Unidos iniciarem numa sequência ampla e restrita de protecionismo vai fazer com que vários outros países tenham comportamentos similares. Uma das grandes barreiras e dificuldade que o Brasil sempre enfrentou para fechar um acordo com a União Europeia, por exemplo, é o protecionismo francês. E esse protecionismo francês, ele vai continuar. […] Agora, ele tende a se tornar mais ainda em moda daqui por diante por conta do Trump.

Para os exportadores, Thiago recomenda uma análise fria e sem paixão dos aspectos geopolíticos. Para ele, “a leitura com paixão acaba sendo antagonista de quem gosta e quer ganhar dinheiro”.

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