A JBS, gigante do setor de alimentos controlada pelos irmãos Batista e dona de 25 fábricas em Santa Catarina, registrou lucro líquido de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026 — o equivalente a cerca de R$ 1,2 bilhão na cotação atual. O resultado foi impulsionado principalmente pelas operações no Brasil e pelo desempenho da Seara, que ajudaram a compensar um cenário considerado “extremamente desafiador” para a companhia nos Estados Unidos.

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A receita líquida global da empresa entre janeiro e março deste ano foi de US$ 21,6 bilhões, alta de 11% em relação ao mesmo período de 2025. Já o EBITDA ajustado somou US$ 1,13 bilhão, com margem de 5,2%.

Segundo a JBS, o desempenho reforça a estratégia de diversificação geográfica e de proteínas da companhia. Enquanto a operação de carne bovina nos Estados Unidos sofreu impacto da baixa oferta de gado e da alta nos custos de produção, unidades no Brasil, na Austrália e a Seara sustentaram os resultados do grupo.

— Permanecemos firmemente focados na excelência operacional. Entendemos os ciclos naturais de cada proteína e seguimos gerindo o negócio com disciplina e responsabilidade — afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS.

O executivo destacou que o trimestre foi especialmente pressionado pela operação de carne bovina nos EUA, que registrou margem EBITDA negativa de 3,7%.

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Quem são os irmãos Batistas

Nascidos em Goiás, a dupla é herdeira de José Batista Sobrinho, conhecido popularmente como “Zé Mineiro”, empresário brasileiro responsável pela fundação da JBS. Atualmente, os dois comandam a empresa. Joesley tem 54 anos, e Wesley, 53.

Atualmente, de acordo com a revista de negócios Forbes, a fortuna dos irmãos está estimada em 5,4 bilhões de dólares cada, o que pode equivaler cerca de R$ 30,5 bilhões, na cotação atual da moeda brasileira. Em 2024, a revista chegou a considerar os Batista como uma das duplas de irmãos mais ricas do Brasil.

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Brasil e Seara puxam resultados

A JBS Brasil foi um dos destaques do trimestre. A unidade registrou receita líquida recorde de US$ 3,78 bilhões para um primeiro trimestre, com margem EBITDA de 4,4%. Segundo a empresa, o resultado foi impulsionado pela forte demanda internacional e pela diversificação dos mercados de exportação.

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Mesmo com o aumento de 6% no preço médio do boi gordo no país, segundo dados do Cepea-Esalq, a companhia conseguiu ampliar receitas.

Já a Seara, marca fortemente presente em Santa Catarina, registrou margem EBITDA de 15,5% e receita líquida de US$ 2,379 bilhões. O crescimento foi sustentado pelas exportações e pelo mercado interno.

A empresa informou que segue investindo em ampliação de portfólio, produtos de maior valor agregado e inovação, mesmo diante de desafios operacionais em mercados internacionais afetados pelo conflito no Irã.

Operação nos EUA enfrenta “tempestade perfeita”

A operação de carne bovina da JBS na América do Norte foi o principal ponto de pressão no trimestre. A receita da unidade somou US$ 7,167 bilhões, mas o EBITDA ficou negativo em US$ 267 milhões.

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A companhia classificou o cenário como uma “tempestade perfeita”, marcada pela menor disponibilidade de gado em uma das fases mais críticas do ciclo pecuário norte-americano, elevando os custos de aquisição dos animais.

Como resposta, a JBS informou ter realizado ajustes organizacionais e operacionais nos Estados Unidos para simplificar estruturas e aumentar a eficiência.

Expansão e dívida sob controle

Apesar do ambiente desafiador, a empresa afirmou manter uma posição financeira considerada sólida. A alavancagem encerrou o trimestre em 2,77 vezes, dentro da meta de longo prazo da companhia.

O CFO global da JBS, Guilherme Cavalcanti, afirmou que a empresa alongou o perfil da dívida para um prazo médio de 15,6 anos, com custo médio de 5,7% ao ano e sem vencimentos relevantes até 2031.

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— Essa estratégia disciplinada de alocação de capital proporciona segurança e liquidez para navegar pela volatilidade dos ciclos operacionais — disse.

O fluxo de caixa do trimestre foi impactado pela sazonalidade do período e pelo aumento de 20% nos investimentos da companhia. O Capex totalizou US$ 2,4 bilhões.

Presença forte em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a JBS mantém 25 fábricas distribuídas pelas diferentes regiões do Estado. A companhia está entre as maiores empregadoras catarinenses, com cerca de 24 mil colaboradores.

A empresa também conta com uma rede de aproximadamente 2,8 mil produtores integrados na cadeia de fornecimento.

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Globalmente, a JBS emprega mais de 282 mil pessoas e atua em mais de 20 países, com marcas como Seara, Friboi, Swift e Pilgrim’s Pride presentes em cerca de 180 países.

Wesley e Joesley Batista são donos do grupo J&F, controlador da gigante de carnes JBS (Foto: Grupo J&F, Divulgação)