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Em Brasília

Hang protagoniza sessão tumultuada na CPI com discussão sobre fake news e morte da mãe

Empresário catarinense é suspeito de financiar fake news e incentivar "tratamento precoce"

29/09/2021 - 07h35 - Atualizada em: 30/09/2021 - 06h49

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Por Catarina Duarte
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Por Maria Eduarda Dalponte
Luana
Por Luana Amorim
Gabriela
Por Gabriela Ferrarez
Empresário é ouvido pelos membros da CPI nesta quarta-feir
Empresário é ouvido pelos membros da CPI nesta quarta-feira (29)
(Foto: )

O empresário catarinense Luciano Hang prestou depoimento na CPI da Covid nesta quarta-feira (29). A sessão que durou em torno de sete horas chegou a ser suspensa após um tumulto envolvendo o advogado do depoente. Ao ser questionado, Hang negou ter financiado um esquema de propagação de fake news e confirmou que a mãe foi tratada com medicamentos sem eficácia pela Prevent Senior.

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Luciano Hang chegou ao Senado por volta das 10h. Ele estava acompanhado dos senadores Jorginho Mello (PL-SC) e Marcos Rogério (DEM-RO). O filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) também acompanhou Hang. 

— Eu peço para as autoridades para ter liberdade de expressão. O que eu peço para esse Senado é que me deixem falar [...] Talvez hoje seja o melhor dia da CPI — disse Hang em uma coletiva minutos antes do início da sessão.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), também se pronunciou antes da sessão. Ele chamou Hang “bobo da corte” e afirmou que esperava um depoimento tranquilo.

Após o início da sessão, o empresário não assinou o termo de compromisso de falar a verdade. Seu advogado justificou a ação dizendo que Hang é tratado como investigado.

Em seus 15 minutos de fala inicial, Hang disse que não é negacionista, nem anti-vacina e não faz parte do "gabinete paralelo". Ele afirmou também ser perseguido “por dar a sua opinião”.

— Meu nome foi mencionado nessa CPI diversas vezes, muitas vezes de forma desrespeitosa. Eu nunca pedi habeas corpus. Eu nada devo, não fiz nada de errado, e a CPI não tem provas contra mim — falou.

Resumo

  • Luciano Hang foi ouvido pela CPI nesta quarta-feira. Ele é suspeito de financiar um esquema de fake news sobre tratamentos sem eficácia. O empresário nega as acusações;
  • Hang foi questionado sobre a morte da mãe e confirmou que ela foi tratada com medicamentos sem eficácia pela Prevent Senior. Ele disse que o óbito de Regina Hang foi politizado;
  • CPI chegou a ser suspensa após uma confusão envolvendo o advogado de Hang e o senador Rogério Carvalho (PT-SE); 
  • Hang negou ter patrocinado motociatas em apoio ao presidente Jair Bolsonaro.
  • O empresário também disse na CPI que não tomou a vacina contra a Covid-19 "porque tem um nível altíssimo de anticorpos". 

O que é questionado

O depoimento, segundo o relator, foi dividido em três partes. No primeiro momento, Calheiros pediu que Hang responda apenas “sim” ou “não”. As perguntas iniciais giraram em torno de empréstimos junto ao BNDES. Luciano chegou a dizer que nunca foi financiado pelo banco e que não pegou empréstimos durante o governo do PT.

A CPI teve acesso a documentos que indicam que Hang teria financiado o blogueiro Allan dos Santos, investigado por disseminar fake news. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) teria sido um interlocutor entre os dois. Os três citados negam o financiamento.

A CPI também apura a ligação de Hang a um “gabinete paralelo”, que atuava no governo federal.

O autor do pedido de convocação de Hang é o relator da CPI, Renan Calheiros. Na semana passada, Calheiros se envolveu em uma briga com o também senador Jorginho Mello, após mencionar o empresário catarinense. Após troca de insultos, os dois precisaram ser segurados por colegas para evitar uma briga física.

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Após ser convocado, Hang se posicionou dizendo que pretende esclarecer "qualquer questionamento". Em uma publicação feita na manhã desta quarta nas redes sociais, o empresário confirmou a presença na CPI. “Irei e não temerei mal algum”, escreveu.

CPI foi suspensa

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), expulsou um dos advogados de Luciano Hang. O pedido foi seguido da suspensão da sessão. No retorno, Aziz reconsiderou a volta do advogado à sessão e o defensor de Hang pediu desculpas ao senador Rogério Carvalho. 

O parlamentar solicitou que os advogados se dirigissem apenas ao investigado e não aos senadores. A sugestão foi acatada pelo presidente da CPI.

Além da confusão, a CPI deve investigar ataques nas redes sociais recebidos pelos senadores durante a sessão de hoje. O pedido foi feito pelo senador Rogério Carvalho. Ele solicitou que a polícia legislativa que faça rastreamento de todas as contas que interagiram os parlamentares nesta quarta. Carvalho alega que houve um “ataque sistemático de robôs". O pedido foi acatada pela presidência da CPI.

Tratamento e morte da mãe de Hang

O relator Renan Calheiros perguntou a Hang sobre o tratamento dado a sua mãe. O vídeo em que o empresário diz que se cobra por não ter feito o "preventivo" na mãe dele foi exibido duas vezes na CPI. Na resposta, Hang disse que tratamento "preventivo" é diferente de "inicial" ou "precoce". Os dois, porém, não tem comprovação científica.

O catarinense ainda afirmou que desde o começo da pandemia usa remédios contínuos e faz o "tratamento preventivo", mas que não deixou a mãe fazer o mesmo devido às comorbidades que ela tinha. Porém, quando sua mãe foi testada positivo para Covid-19, ela foi tratada em casa com medicamentos do "kit Covid", como hidroxicloroquina e ivermectina, receitadas por um médico, segundo o empresário.

Veja fotos do depoimento

Hang também disse que a mãe começou a fazer o tratamento "inicial" quando já estava infectada há cerca de seis dias com a doença, já que a família demorou a diagnosticar a Covid-19. Três dias depois do teste positivo, Regina Hang foi internada em um hospital próprio da Prevent, no dia 31 de dezembro, por recomendação de amigos.

O presidente da CPI pediu que Hang nomeasse o médico que receitou o tratamento "inicial", mas o pedido gerou confusão na Comissão. Os senadores também pediram que Aziz deixasse o catarinense explicar a diferença entre o tratamento "preventivo" e "inicial".

Morte na pandemia

Durante a sessão, o relator da CPI, Renan Calheiros, também questionou Hang sobre as dúvidas em relação ao número de vítimas da Covid no país. Ele disse que "jamais" questionou os dados e que apenas conversou sobre isso com o deputado Osmar Terra para saber se a curva "estava descendo ou subindo". 

Com a declaração, o senador Osmar Aziz chamou Hang de "propagador de fake news no Brasil". Em seguida, senadores exibiram um vídeo do empresário em que ele questiona o aumento no número de mortes e anunciava uma live com Osmar Terra onde o assunto seria a "verdade por trás dos números". 

Após a exibição das imagens, Hang mais uma vez disse que a conversa era apenas para entender a curva. 

Hang afirma que não tomou a vacina 

Durante o depoimento, o empresário afirmou que não tomou a vacina contra a Covid-19, depois de ser questionado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). 

— Eu não tomei a vacina porque tenho um índice de anticorpos altíssimo — disse durante a sessão, alegando, ainda, que tem um "neutralizante natural" e que o médico o recomendou a se vacinar só se a "imunidade dele baixasse". 

Hang é confrontado com vídeo de gabinete de crise

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), perguntou a Hang a respeito da participação do empresário em um gabinete de crise para discutir medidas em relação à pandemia. O catarinense negou:

— Não tinha nada ver com Covid.

Em seguida, o senador apresentou um vídeo que contraria versão de Hang, e mostra que o empresário se reuniu com o presidente Bolsonaro e o filho Flávio. Nas imagens, a pandemia é mencionada e Luciano fala sobre estar em um gabinete de crise.

Veja como foi o depoimento de Luciano Hang na CPI da Covid:

CPI ouviu advogada na terça

Na terça-feira (28), a CPI ouviu a advogada Bruna Morato, representante dos médicos da Prevent Senior. O grupo de 12 profissionais, que atuavam na operadora de saúde, denunciou a exigência da prescrição de tratamentos ineficazes contra a Covid-19, o chamado “kit covid”.

A advogada relatou ainda falta de autonomia dos profissionais e o envolvimento da Prevent Senior em um “pacto” com o chamado “gabinete paralelo”.

Foi entregue um dossiê com mais de 10 mil páginas para a CPI com as denúncias dos médicos sobre a operadora. A Prevent Senior nega as acusações.

> O que está por trás da convocação de Luciano Hang pela CPI da Covid

As denúncias que envolvem a operadora também mencionam Luciano Hang. O prontuário da mãe do empresário, Regina Hang, teria indícios de fraude, segundo documento entregue à CPI. Vítima da Covid-19, o atestado de óbito dela não mencionaria a doença como causa.

Hang se pronunciou defendendo a Prevent Senior e disse que a causa da morte da mãe nunca foi segredo.

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