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Misturar diferentes vacinas contra a Covid-19 é seguro?

Medida foi aprovada no Brasil após atraso no calendário de imunização em SP por falta de doses de Astrazeneca; especialistas aprovam intercambialidade

16/09/2021 - 05h00

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Pfizer é indicada como melhor vacina para completar esquema vacinal ou como reforço
Pfizer é indicada como melhor vacina para completar esquema vacinal ou como reforço
(Foto: )

O desabastecimento de vacinas contra o coronavírus para a aplicação da segunda dose em alguns Estados trouxe à tona a necessidade de se pensar em uma nova estratégia de imunização. A mistura de doses de diferentes fabricantes, foi a opção encontrada para completar o esquema vacinal da população, sem atrasos ou prejuízos. 

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A ação, que permite tomar a primeira dose de uma vacina e a segunda, de outra, foi autorizada pelo Ministério da Saúde na última segunda-feira (13). 

A primeira cidade a colocar em prática o novo plano foi São Paulo, que aplicou vacinas da Pfizer em pessoas que tinham iniciado a imunização com a AstraZeneca.

Quem aceitou a aplicação, no entanto, precisou assinar um "termo de intercambialidade", como é chamada a miscigenação das vacinas.

Segundo matérias publicadas por portais da capital paulista, houve grande adesão, porém, também teve quem optou por não aceitar, por medo de que os imunizantes não funcionem bem juntos.

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Pesquisas recentes demonstraram que a mistura de imunizantes é segura, embora alguns especialistas afirmem que a intercambialidade só deve ocorrer se houver necessidade, como em São Paulo, que enfrenta atraso no calendário de imunização por falta de vacinas.

Responsável pelo projeto Brasil Sem Alergia, o imunologista Marcelo Bossois, disse ao UOL que o ideal, quando houver mistura de imunizantes, é que se utilizem vacinas com tecnologias iguais:

- No caso da AstraZeneca, a melhor opção seria a Janssen, pois ambas carregam o vírus ‘vivo’. Contudo, colocando na balança os riscos e benefícios, corroborados com os estudos científicos já publicados, isso realmente nos dá segurança de fazer isso [misturar] e acabar logo com a pandemia.

À Folha de São Paulo, o médico sanitarista e especialista em Saúde Pública da São Camilo, Sérgio Zanetta, disse que a medida é correta do ponto de vista científico e que a pessoa que tomar doses de diferentes fabricantes estará, no mínimo, imunizada.

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Outros médicos também ouvidos pela Folha, afirmaram que além de necessária para completar o esquema vacinal, a medida pode até potencializar a resposta imunológica.

- Um estudo recente mostrou que a resposta de anticorpos neutralizantes foi muito maior com a vacinação alternada, o que mostra que a mistura da vacina não só foi positiva como foi melhor - afirmou Camila Sacchelli, imunologista e especialista em doenças infecciosas e parasitárias do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Indicada para o reforço em idosos e pessoas com comorbidades, a vacina da Pfizer - de RNA - é a que melhor complementa as tecnologias usadas tanto para a Oxford como para a Coronavac, que usam vetores virais, segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) explicou ao Matrópoles.

Um estudo recente do Reino Unido, publicado em janeiro deste ano na revista científica The Lancet, indicou que a mistura é segura. Participaram da pesquisa 830 voluntários com idades acima de 50 anos.

Para essa conclusão, os cientistas analisaram pessoas que tomaram as duas doses do mesmo fabricante e outras que finalizaram a imunização com doses diferentes, da AstraZeneca e Pfizer, em um intervalo de quatro semanas entre as duas.

Os pesquisadores do Reino Unido chegaram à conclusão de que aqueles que misturaram as vacinas, se contaminados, desenvolveram sintomas leves a moderados. A resposta imunológica foi melhor neste grupo do que entre pessoas que tomaram as doses do mesmo fabricante.

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Mistura de doses em SC

Em Santa Catarina não há qualquer orientação para intercambialidade, segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC). Isso porque o Estado consegue cumprir, neste momento, a aplicação da segunda dose integralmente, sem atrasos.

Na terça-feira (14), Florianópolis chegou a anunciar a ampliação de prazo para a segunda aplicação da fabricante AstraZeneca, por causa de atrasos no envio de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Na prática, a mudança não representa prejuízo ao público, porque aumenta o intervalo entre as doses em apenas duas semanas. Assim, quem completaria o esquema vacinal depois de 10 semanas da primeira aplicação, agora terá que aguardar completarem 12 semanas. O Estado orienta completar a imunização 10 a 12 semanas depois da primeira dose.

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