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"Mudanças climáticas já estão a pleno vapor”, afirma pesquisador da UFSC sobre frio extremo em SC

Em entrevista ao DC, Lindberg Nascimento Júnior comenta o mais novo relatório da ONU sobre mudanças climáticas e como elas já estão afetando o clima em Santa Catarina

10/08/2021 - 16h19 - Atualizada em: 13/08/2021 - 18h16

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João
Por João Scheller
Por Rafaela Cardoso
Homem de costas olha para moça agaixada que olha em direção à câmera. Estão em um campo coberto de neve, tudo está branco e o nascer do sol é visto ao fundo
Amanhecer na cidade de Urupema, no final de julho de 2021. Eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes são reflexo do aquecimento global
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As mudanças climáticas já são uma realidade e os seus efeitos podem ser vistos no cotidiano, inclusive aqui em Santa Catarina. A análise é do pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lindberg Nascimento Júnior, membro do Laboratório de Climatologia Aplicada (LabClima) da instituição.

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Em entrevista ao DC, em live no NSC Total nesta segunda-feira (9), Júnior comenta o recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU (IPCC), que trouxe novos alertas referentes ao avanço do aquecimento global e as consequências das mudanças climáticas em Santa Catarina.

Frio intenso é resultado das mudanças climáticas

De acordo com o pesquisador, os efeitos do aquecimento global já podem ser vistos no aumento da recorrência de eventos considerados extremos, como fortes ondas de chuva, calor ou de frio. Ele explica que a mudança nas dinâmicas naturais da Terra, como a alteração do padrão de circulação dos ventos ou dos níveis dos oceanos, afeta o clima do planeta como um todo.

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— Não significa que por a Terra estar aquecida, não teremos períodos de frio. Pelo contrário, a sazonalidade vai existir e esses fenômenos serão mais intensos.

Para ele, é muito difícil traçar a linha entre os eventos extremos raros, mas que ocorrem naturalmente, dos que são consequência direta das mudanças causadas pelo homem. Em linhas gerais, os próprios eventos extremos cada vez mais recorrentes já se apresentam como efeitos das mudanças no clima do planeta.

Homem é visto olhando para a câmera com o fogo destruindo a floresta ao fundo. Ele está sozinho e de costas para o incêndia, há chamas laranja ao fundo e o céu está todo alaranjado e repleto de fumaça
Voluntários tentam conter fogo que se espalha por uma vila na ilha grega de Evia
(Foto: )

Essa análise é corroborada pelo relatório da ONU, que destaca que variações extremas de temperatura que antes ocorreriam uma vez a cada dez anos, hoje podem acontecer quase três vezes dentro deste mesmo período.

Efeitos em Santa Catarina

O pesquisador da UFSC também destaca que o primeiro passo para lidar com as mudanças climáticas é entender os seus efeitos no dia a dia e a vulnerabilidade de diversos setores da sociedade frente a alterações no clima.

— A agricultura no oeste de Santa Catarina é muito forte, mas qualquer evento de redução hídrica, por exemplo, promove muitos impactos — explica Júnior.

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Além do setor agro, Júnior acrescenta a necessidade de adaptação do turismo e compreensão de que o setor também é vulnerável a essas mudanças.

— Como que iremos construir um turismo e um sistema de agricultura e pecuária calibrados com esses eventos extremos? — questiona.

Segundo Lindberg Nascimento Júnior, caberia também aos agentes políticos entenderem a necessidade de ações que contribuam para a redução de danos ambientais e neutralização de carbono, uma das alternativas para reduzir os efeitos do aquecimento global.

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Desde ações com coordenação nacional, como o combate ao desmatamento na Amazônia, bioma que afeta diretamente a lógica climática no Sul do Brasil, até reações regionais. A preservação de biomas locais, como as florestas de araucárias, podem ocorrer desde o âmbito municipal.

— [É necessário] requerer que esses eventos sejam parte dos nossos planos de desenvolvimento, que estejam no nosso orçamento — afirma.

Além disso, lidar com erros de gestão urbanística cometidos no passado também é fundamental para diminuir a vulnerabilidade de diferentes populações frente à maior incidência de eventos climáticos extremos.

— Na medida que zoneamos uma área inundável como uma área de moradia, isso precisa ser corrigido — exemplifica o pesquisador.

O alerta é ainda mais importante quando se percebe que grande parte do ônus do aquecimento global recai em populações mais pobres, como apontado por diferentes relatórios internacionais. Para isso, Júnior ressalta a necessidade do diálogo entre poder público e sociedade.

— Ouvir a população, ver quais são os reais problemas das mudanças climáticas que as atingem, é uma necessidade imperativa.

Confira a entrevista completa

*Com supervisão de Carolina Marasco

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