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Nove baleias-jubarte foram achadas mortas em SC em 2021, diz especialista

Três delas foram encontradas em menos de uma semana no Estado

17/06/2021 - 13h42 - Atualizada em: 17/06/2021 - 16h36

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Juliana
Por Juliana Gomes
Baleia-jubarte foi achada em Laguna em abril
Baleia-jubarte foi achada em Laguna em abril
(Foto: )

Em 2021, até esta quinta-feira (17), nove baleias-jubarte foram encontradas mortas em Santa Catarina, de acordo com Cristiane Kolesnikovas, médica veterinária e presidente da Associação R3 Animal em Florianópolis. 

Em entrevista ao Notícia na Manhã, ela comentou os casos mais recentes de baleias mortas na capital e disse que as causas das mortes ainda são desconhecidas. A última delas, enterrada nessa quarta ficou presa por cinco dias ao cabo de uma rede. 

- As baleias-jubarte normalmente migram para mais longe do nosso estado e vão para o Banco de Abrolhos, entre Espírito Santo e Bahia. Os indivíduos juvenis é que estão morrendo no nosso litoral e também se enredando. Então, este ano está bem atípico. Em 2015 e 2016, tivemos mortalidade alta de baleias jubarte também e este ano temos ainda muitas avistagens de animais vivos - explicou Cristiane.

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Nessa quarta-feira (15), uma baleia-jubarte juvenil foi enterrada entre as praias do Pântano do Sul e da Solidão em Florianópolis. O animal apareceu morto na noite de terça-feira (14) na Praia dos Açores, no Sul da Ilha, já em avançado estado de decomposição. Essa é a terceira baleia encontrada sem vida em menos de uma semana.

Na maioria dos casos registrados este ano, as baleias foram achadas em avançado estado de decomposição. Em abril, os técnicos da R3 Animal conseguiram fazer a necropsia numa das baleias, mas não encontraram evidências da causa da morte e ainda aguardam resultados das análises laboratoriais

- As baleias enredadas, em muitos casos, têm dificuldade de natação. Outras, como a da Praia da Solidão, ficam presas e morrem, a gente chama de, asfixiadas. Os animais marinhos quando mergulham já têm o reflexo de travar a respiração e quando não conseguem subir à superfície por algum motivo, pode ser por enredamento, travam a respiração e morrem asfixiadas. Elas dificilmente aspiram a água - explicou Cristiane.

Ouça:

Conforme a presidente da Associação R3 Animal, as redes fantasmas, jogadas no mar, são um problema no mundo inteiro e podem causar esse tipo de acidente. A última baleia morta ficou presa ao cabo de uma rede por cinco dias.

- Quando nós a avistamos pela primeira vez, estava a 1 km da costa e imaginávamos que no dia seguinte ia parar na praia e a gente só pode fazer necropsia com o animal na praia, na água é impossível, por questão de segurança. Nós estávamos esperando esse animal encalhar. Ontem (quarta-feira), quando ela encalhou, foi enterrada, com o auxílio da prefeitura - relatou.

No caso de encontrar ou avistar um animal marinho vivo ou morto no litoral de Santa Catarina, a população deve comunicar o Projeto de Monitoramento de Prais, do qual a Associação R3 Animal faz parte, para que seja feito o resgate. O telefone é 0800 642 3341.

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