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    Números mostram que Blumenau enfrenta novo pico do coronavírus

    Média de casos diários registrada na cidade está acima de 250, algo que só ocorreu em junho, quando a Covid-19 acelerou pela primeira vez

    14/11/2020 - 05h00 - Atualizada em: 14/11/2020 - 06h33

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli

    Blumenau vive o segundo pico do coronavírus. É o que mostra um levantamento feito peloSanta com base nos dados referentes à Covid-19 repassados diariamente pela Secretaria Municipal de Promoção da Saúde. O cenário confirma a previsão feita pela infectologista Sabrina Sabino há quase dois meses. À época, a especialista afirmou que o relaxamento com os cuidados, as festas e retorno às aulas presenciais resultariam em uma segunda onda da doença.

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    — Agora o que está pegando são as aglomerações, principalmente dos jovens, que são os que mais estão se contaminando. As pessoas estão de saco cheio, não querem mais ouvir falar da pandemia, mas acontece que o coronavírus não respeita isso — diz Sabrina.

    A situação não só não causa surpresa como também parece muito familiar a algo já vivido no município: o primeiro pico, registrado no fim de julho. Tal como ocorreu naquele mês, foi preciso menos de cinco dias para a cidade acumular 1.000 casos novos. O salto dos 17 mil contaminados para os 18 mil aconteceu em quatro dias, cenário semelhante ao visto entre 21 e 24 de julho, quando o gráfico disparou dos 6 mil para 7 mil infectados.

    Picos da Covid-19 em Blumenau
    Picos da Covid-19 em Blumenau
    (Foto: )

    Mas há uma diferença: se no primeiro pico havia 71 pessoas em leitos de UTI (dados de 27 de julho, quando a média móvel era de 288,8), no segundo são 23 internados (dados de quarta-feira, 11, quando a média móvel estava em 255,6). Por que então a ocupação hospitalar é distinta, apesar da intensificação na quantidade de doentes?

    Para a infectologista, a principal explicação é justamente o fato dos jovens liderarem o ranking de contaminados. Por não ser do grupo de risco, a maioria passa pelo coronavírus sem precisar de internação. No entanto, transmite para pessoas mais vulneráveis e essas pagam um preço alto pela irresponsabilidade alheia.

    — Quando falei que a segunda onda seria mais branda, era isso: a gente vai ter ocupação em UTI, mas de forma mais diluída. Esses jovens transmitem para os que possuem fatores de risco. Dá para dizer que boa parcela da culpa [do segundo pico] é dos jovens que não estão respeitando — lamenta a especialista.

    Terceiro pico

    O “controle” nas quantidade de internados, a melhor estrutura no atendimento aos doentes e o conhecimento adquirido pela medicina nestes meses de enfrentamento são as justificativas da gestão municipal para não estabelecer restrições ao convívio social. E essa é mais uma diferença entre os “picos”, já que no primeiro medidas restritivas foram adotadas. Elas resultaram em queda dos números a partir de agosto, quando a média móvel — total de novos casos nos últimos sete dias dividido por sete — passou a diminuir, até estabilizar.

    Agora, essa média está acima de 250 (253,1) e é a mais alta desde o fim de julho, o que significa um patamar idêntico ao do momento mais delicado da pandemia. Sem previsão de ações para combater a nova realidade, não é muito difícil antecipar o que deve vir pela frente, analisa Sabrina:

    — Sempre depois do pico tem o platô e diminuição. Provavelmente a circulação das pessoas vai aumentar no fim de ano, elas vão se reunir no Natal… Então depois disso deve haver um terceiro aumento no número de casos.

    A favor dos blumenauenses estão equipes médicas que aprenderam a lidar melhor com o vírus — no começo os profissionais “davam tiros no escuro”, como ilustra Sabrina — e a utilizar os equipamentos de proteção. Sem contar as estruturas hospitalares melhores em comparação a tantas outras cidades do país. 

    No entanto, contra os blumenauenses está a imprevisibilidade do vírus. Quase metade dos que chegam nas UTIs não sobrevive. Pessoas com doenças comuns, como diabetes e hipertensão, correm mais riscos, assim como os idosos. Mas há jovens entre os mortos. Algumas crianças também. Há quem sobreviva sem nenhuma alteração no corpo. Há quem carregue sequelas por muito tempo. Ou para sempre. Com a taxa de transmissão em alta, a qualquer momento a sensação de situação controlada nas unidades de terapia intensiva pode acabar. Vale o risco?

    — Eu só peço bom senso. As pessoas precisam utilizar a máscara sempre, poupar os mais vulneráveis, ir a lugares bem ventilados, sem aglomeração. Tenha respeito pelo próximo. Respeito e empatia.

    Atualização do coronavírus

    Nesta sexta-feira (13), conforme atualização da prefeitura, eram 18.579 diagnosticados. Destes, 2.011 estão em tratamento ou isolamento (os chamados casos ativos), o que representa a maior quantidade de pacientes contaminados ao mesmo tempo desde 21 de agosto. Já são 30 dias consecutivos de aumento no número e, por consequência, o menor percentual de recuperados desde o fim de agosto.

    Até o fechamento deste texto a cidade confirmava 166 óbitos e 86 pessoas internadas em UTIs e enfermarias.

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