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    Quem são os nomes do atletismo de Blumenau com chances de ir às Olimpíadas de Tóquio

    Conheça a trajetória e as dificuldades que cada atleta tem enfrentado para realizar o sonho olímpico

    18/03/2021 - 05h28 - Atualizada em: 18/03/2021 - 06h56

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    Por Daniel Nogueira
    Ao todo, seis atletas podem representar Blumenau nas Olimpíadas de Tóquio
    Ao todo, seis atletas podem representar Blumenau nas Olimpíadas de Tóquio
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    Quem são os nomes do atletismo de Blumenau com chances de ir à Olimpíada de Tóquio? Se para muitos o sonho da carreira de participar do maior evento esportivo do mundo é algo distante, para alguns poucos na cidade ainda há esperança de conquistar uma vaga.

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    O ano de 2020 prometia a 32ª edição das Olimpíadas, tendo palco Tóquio, no Japão. A expectativa foi frustrada com a pandemia da Covid-19, que obrigou o adiamento de diversos eventos, inclusive os jogos. 

    No entanto, com a chegada da vacina e um planejamento completamente adaptado à todas as questões de segurança contra a disseminação do vírus, a cidade japonesa sediará e será o palco para a realização do sonho de muitos atletas em 2021.

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    Entre os milhares de esportivas que estarão em Tóquio entre os dias 23 de julho e 8 de agosto, a Associação Atletismo de Blumenau (AABlu) pode mandar seis representantes. Felipe Vinícius e Fernanda Borges são os dois únicos que já têm índice. Além deles, Abel Curtinove, Jonathas Filipe da Silva Brito, Anderson Freitas Henriques e Matheus Gabriel de Liz Corrêa sonham e ainda buscam índice e pontuação para conquistar a vaga. 

    Todos eles, apesar de disputarem provas diferentes, têm em comum o amor pelo atletismo, o sonho olímpico e a garra para enfrentar as dificuldades. Conheça a história de cada um deles.

    Abel Curtinove

    Abel é atleta e treinador de atletismo e sonha em representar o Brasil nas Olimpíadas
    Abel é atleta e treinador de atletismo e sonha em representar o Brasil nas Olimpíadas
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    Abel tem 29 anos, nasceu em Osório (RS) e é atleta do salto com vara. Adotado pelos tios, o gaúcho iniciou sua carreira esportiva aos 17 anos, quando ingressou na Sogipa, em Porto Alegre (RS). Aos 19 anos, Abel já fazia história, saltando para 5,02 metros, estabelecendo o recorde gaúcho na categoria Sub-23 da modalidade. Em 2015 o salto foi ainda maior, fazendo com que Abel fosse o detentor do recorde absoluto do estado.

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    Depois disso, Abel se mudou para São Paulo e ingressou o Esporte Clube Pinheiros, permanecendo até o fim de 2017. Atualmente, é radicado em Blumenau e representa a AABlu, onde já é campeão estadual e recordista estadual com o salto de 5,42 metros. 

    Além da vida de atleta, Abel, já estabeleceu raízes em SC e desde desde 2018 divide o tempo como treinador de atletismo, atendendo atualmente mais de 100 crianças e adolescentes em Jaraguá do Sul.

    Apesar do currículo extenso, com diversos títulos e feitos pela modalidade, Abel sofre com a falta de apoio para ir além. 

    — A maior dificuldade no meu esporte é o equipamento de alto custo. Para ter chance, preciso de uma sequência nova de varas. A que tenho, me permitiu saltar próximo de 5,50 metros de altura, mas para voar mais alto, somente com o material adequado — relata.

    Para adquirir os novos materiais, Abel fez um pedido para a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e para o Comitê Olímpico. No entanto, a resposta das entidades foi negativa, alegando falta de recursos e afirmando que o apoio prestado através do Programa de Preparação Olímpica é exclusivo para os atletas que já têm o índice para classificação para as Olimpíadas.

    Para driblar a falta de apoio, Abel recorreu para uma vaquinha online, onde descreve o sonho, fala da negativa das entidades do esporte e pede ajuda para adquirir os materiais que precisa.

    — Estou tentando a vaquinha para adquirir os materiais que faltam e assim poder vestir a camisa do Brasil nas Olimpíadas. Quero ter o orgulho de ter dado o meu melhor nas adversidades e dificuldades em que vivemos, esse é o espírito que devemos resgatar no nosso país — conta. 

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    Hoje, Abel vive a expectativa de alcançar o objetivo das Olimpíadas, mas diz que mesmo que isso não seja possível, tem orgulho de toda sua trajetória no esporte.

    — Estou me preparando e sonhando, acredito que o fato de ter chance em ir à uma Olimpíada já é em si uma conquista para poucos. Tenho muito orgulho de todos os desafios e dificuldades que enfrentei e hoje estou me preparando com chance de ir as olimpíadas. Será uma realização e uma experiência inigualável — afirma.

    Felipe Vinícius dos Santos

    Atleta de Blumenau, classificado para as Olimpíadas de Tóquio
    Felipe já tem índice para as Olimpíadas de Tóquio
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    Felipe tem 26 anos, é natural de São Paulo, capital, e disputa o Decatlo. Começou cedo no esporte, aos 10 anos já praticava atletismo e até os 12 anos foi o representante da escola onde estudava. Dessa forma, pegou gosto pela coisa e decidiu se aventurar ainda mais, fazendo uma peneira para um clube de base, no qual passou.

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    O atleta seguiu treinando e competindo, até que uma grande oportunidade de participar da prova combinada, que na época ainda se chamada Octatlo, surgiu. Logo na primeira prova, Felipe quase atingiu o índice para o Mundial da categoria. Depois de mais algumas tentativas o paulista garantiu vaga no Mundial de 2011, disputado em Lille, na França. 

    — Depois disso eu não parei mais. No ano seguinte a prova passou a se chamar Decatlo e lá estava eu, me tornei figurinha carimbada da competição. Hoje, pelo ranking, sou um dos melhores do Brasil e este ano vou representar minha pátria nas Olimpíadas de Tóquio — conta.

    Para Felipe, o atletismo no Brasil para por um momento delicado, tornando a prática do esporte complicada. 

    — O momento hoje é complicado. Para mim é ainda mais, já que não sou uma pessoa extrovertida, que tem facilidade na comunicação, isso me atrapalha a conseguir patrocínios. Apesar da classificação, hoje não consigo comprar meus equipamentos para competição como sapatilhas, tênis, uniforme e roupas para treino. Isso me deixa abismado — desabafa.

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    Apesar disto, Felipe não deixa a frustração tirar o foco. O objetivo do atleta, que hoje faz parte da equipe de atletismo blumenauense, é superar a própria marca:

    — Estou muito contente com o índice e por ter carimbado o passaporte para participar das Olimpíadas. Estou treinando duro para poder extrair o meu melhor e mesmo com as dificuldades, melhorar minha marcar.

    Jonathas Filipe da Silva Brito

    Atleta de Blumenau, Jonathas, que vive expectativa de ir para as Olimpíadas
    Jonathas vive a expectativa para fazer parte da delegação que vai à Tóquio
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    Jonathas tem 28 anos, nasceu em Recife (PE) e disputa o 110m com barreiras. Sua carreira no esporte começou em 2005, quando incentivado por um amigo, começou os treinamentos. A prática e os anos de experiência o levou para competições, gerando a oportunidade de se mudar para São Paulo, em 2012.

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    Atualmente Jonathas integra a equipe da AABlu e vive a expectativa de estar nas Olimpíadas de Tóquio. Isso acontece porque ele é um dos atletas que busca a classificação por meio de pontuação no ranking. Se a Olimpíada fosse hoje, por conta do índice, a ida para o Japão está garantida.

    — Atualmente estou entre os 40 convocados para Tóquio na minha prova, pelo critério de pontos. A expectativa é positiva, pois realmente tenho chances de estar lá. De qualquer forma, estou trabalhando duro para estar preparado — explica.

    De acordo com o ranking nacional, Jonathas integra a lista dos oito melhores de sua categoria. No entanto, isto não o impede de sofrer com as dificuldades do esporte no Brasil. 

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    Ele conta que teve de ser motorista de aplicativo por dois anos para conseguir se manter. 

    — Na minha visão falta apoio para os atletas que buscam o índice para classificação. As atenções geralmente estão para os que já conseguiram a vaga. Até para se manter é difícil. Por dois anos eu tive que trabalhar como motorista de aplicativo, mas tive muitas lesões pelo cansaço, então decidi abri mão. Agora fico apertado com as contas para pagar, em busca do meu sonho olímpico — conta.

    Anderson Freitas Henriques

    Anderson, atleta de Blumenau, é mais atleta que vive a expectativa de estar em Tóquio
    Anderson corre atrás da realização do maior objetivo no esporte
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    Anderson tem 28 anos, nasceu em Caçapava do Sul (RS) e disputa a prova de 400m rasos. O gaúcho competiu na primeira prova aos 10 anos, pela escola onde estudava. Aos 15, conseguiu destaque e foi convidado para treinar profissionalmente, no ano de 2010. 

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    Representando a AABlu, Anderson quase conseguiu a classificação para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, mas uma série de lesões o tirou de diversas competições, impossibilitando sua ida. Atualmente, está classificado para a competição devido à colocação no ranking de pontos, no entanto, segue se preparando. 

    — Agora em 2021, estou mais maduro e com mais base de treinamento. Me encontro muito bem para representar o Brasil e a minha equipe AABlu. Estou treinando bem para as provas classificatórias e preparatórias para a Olimpíada, que logo vão começar — afirma.

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    Apesar do foco na classificação, Anderson também convive com as dificuldades. Na visão dele, a pandemia da Covid-19 tem sido um dos principais obstáculos nesse período de preparação.

    — Além da falta de materiais esportivos para treino, acredito que a pandemia também tem sido um fator que prejudica. Temos a dificuldade para achar um local adequado para treinar. Quando muda a bandeira do protocolo de distanciamento, acaba que temos que achar outras alternativas para seguir o planejamento de treinos — conta.

    Matheus Gabriel de Liz Corrêa

    O blumenauense vive a expectativa realizar o seu sonho no Japão
    O blumenauense deseja realizar o maior sonho no Japão
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    Matheus é o mais novo da lista, com 21 anos, natural de Blumenau e disputa os 20km de marcha atlética. Começou sua carreira no atletismo através do projeto de iniciação esportiva da antiga Fundação Municipal de Desportos de Blumenau (FMD), em 2012. 

    No ano seguinte iniciou na marcha atlética, se tornando o campeão brasileiro mirim (Sub-16) e batendo o recorde da competição. Desde então se tornou o representante de Blumenau na categoria. 

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    Apesar da dificuldade, o blumenauense também espera conseguir sua vaga para Tóquio. Para se classificar, de acordo com a World Athletics, Matheus precisa estar entre os 60 melhores. Além disso, a marca de tempo para ser alcançada está três minutos mais alta em relação à Olimpíada no Rio de Janeiro. 

    — Sei que pode ser difícil, mas acredito que se continuar neste ritmo que estou e conseguir acertar uma boa performance, conseguirei estar entre os convocados para largar em Sapporo (cidade que será a prova da Marcha Atlética e Maratona) — explica.

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    Além dos limites impostos pela World Athletics, Matheus aponta a pandemia e a questão financeira como inimigas no caminho para o sonho olímpico.

    — A pandemia tem atrapalhado na organização de competições. No mês de abril eu iria para Portugal, tentar alcançar o índice, mas agora o evento foi adiado e ainda não tem data para acontecer. Também tem a questão financeira, já que as despesas para competir fora do Brasil são altíssimas — desabafa. 

    *Estagiário sob supervisão de Augusto Ittner.

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