O diagnóstico de leucemia é um baque, como foi para o catarinense André Marcheto Silva Cazado. Em fevereiro, ele conseguiu alcançar a remissão da doença, necessária para fazer o transplante de medula. Foi simbólico: depois de muita luta, a conquista veio no mês que marca a campanha de conscientização sobre a doença.

Continua depois da publicidade

Receba notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2024, deve ser registrados cerca de 11,5 mil novos casos de leucemia no Brasil. Em Santa Catarina, são esperados 760 casos novos, 50 apenas em Florianópolis.

O que é leucemia

A leucemia é uma doença maligna que afeta as células do sangue. Ela pode alcançar desde crianças até idosos. A hematologista Tatiana Marconi, da Oncoclínicas Grande Florianópolis, explica que existem duas formas da doença: aguda e crônica.

A doença inicia na medula óssea, provocando um crescimento rápido e anormal de algumas dessas células, afetando as células sanguíneas normais e, desta forma, prejudicando a defesa do organismo. Da medula, essas células alcançam o sangue e, a partir dele, podem atingir os gânglios linfáticos, o baço, o fígado, o sistema nervoso central (cérebro e coluna vertebral), os testículos e outros órgãos.

Continua depois da publicidade

Governo publica decreto que coloca SC em situação de emergência por causa da dengue

Segundo Marconi, não há um fator de risco bem definido da leucemia, como há em outros cânceres (a relação do tabagismo e do câncer de pulmão, por exemplo). Apesar disso, a exposição à radiação e ao benzeno, e hábitos como o tabagismo, podem ser apontados como possíveis fatores. No entanto, ela afirma, para a maioria dos pacientes, não é possível fazer esta identificação.

Como não há um fator de risco claro para a leucemia, a hematologista aconselha manter hábitos saudáveis, que de modo geral melhoram a saúde, como prevenção. Evitar o tabagismo e a exposição à radiação e ao benzeno também são orientações a serem seguidas.

Apesar de existir subtipos de leucemia hereditários, na maioria dos casos, o aparecimento da doença é espontâneo.

— Manter hábitos saudáveis ajuda no tratamento, que é a quimioterapia em casos agudos. Uma pessoa mais saudável tem mais facilidade para aguentar as sessões — explica Marconi.

Continua depois da publicidade

Diagnóstico

Especialmente nas leucemias agudas, os principais sintomas são cansaço, falta de ar, sangramento, infecções, dores e manchas roxas e gânglios pelo corpo. No caso de André Cazado, foi a dificuldade para enxergar. Ele buscou um oftalmologista e outros especialistas até chegar na conclusão: leucemia linfoblástica aguda e grave.

A dificuldade na visão era sintoma da doença. Havia tantas células de sangue (leucócitos) no corpo dele, que o sangue já não conseguia passar pelas veias do olho.

Veneno de aranha brasileira pode ser a chave para o tratamento contra o câncer

Foram meses no hospital, idas e vindas, inúmeras sessões de quimioterapia, e uma vaquinha para comprar uma medicação importada, quando o tratamento convencional começou a fazer mais mal do que bem.

Ele já recebeu uma dose de Nelarabina, que cumpriu o prometido: fez a doença entrar em remissão, necessário para o transplante. André tem um doador compatível, mas precisava passar por essa fase para dar seguimento ao tratamento.

Continua depois da publicidade

Como o transplante deve ocorrer em um mês, outra dose será necessária para garantir a remissão até lá. Cada dose custa em média R$ 120 mil, e o valor foi arrecadado graças a doações.

Filha de Roberto Justus também foi diagnosticada com leucemia

Quem também foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda (LMA) foi a influenciadora Fabiana Justus, de 37 anos, filha do empresário Roberto Justus. Ela revelou a doença em janeiro, e passa pela primeira fase do tratamento.

— Minha vida virou de cabeça pra baixo, mas tenho certeza que ela vai virar de volta. […] Sei que não vai ser fácil, mas estou muito positiva, confiante, minha família também, meus amigos e, principalmente, os meus médicos. Me deram muita confiança. Falaram que são altas as chances de cura. Peguei muito no começo — afirmou.

Veja fotos da influenciadora antes e depois do diagnóstico

Continua depois da publicidade

Doação é a esperança dos pacientes

Como no caso do catarinense André e de Fabiana Justus, a esperança dos pacientes com leucemia é o transplante de medula óssea. A prioridade é sempre para o máximo de compatibilidade, geralmente encontrada em irmãos mais novos dos pacientes. Mas, para quem não tem essa opção, o banco de doadores é a única oportunidade. A chance de compatibilidade entre não aparentados é de uma em 100 mil.

O cadastro para ser doador de medula óssea contribui para o aumento de possíveis doadores, o que eleva as chances de encontrar alguém compatível. Mas não basta fazer o cadastro, é preciso manter os dados atualizados, como alterações no número de telefone, por exemplo.

Segundo o Inca, para se tornar um doador voluntário de medula óssea, é preciso ir ao hemocentro mais próximo, realizar um cadastro no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e coletar uma amostra de sangue para exame de tipagem HLA.

O que é necessário para ser doador

  • Ter entre 18 e 35 anos (o doador permanece no cadastro até 60 anos e pode realizar a doação até esta idade);
  • Um documento de identificação oficial com foto;
  • Estar em bom estado geral de saúde;
  • Não ter nenhuma doença impeditiva para cadastro e doação de medula óssea.

Continua depois da publicidade

Leia também

SC tem crescimento de 4,1% nas doações de sangue em 2023

Santa Catarina expande tratamento de AVC no Sistema Único de Saúde

SC registra aumento na cobertura vacinal de três imunizantes em 2023 

Destaques do NSC Total