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É O PLATÔ?

Sete razões que sugerem melhora da situação de SC na pandemia do coronavírus

Número de pacientes ativos, taxa de ocupação em UTI e queda no índice de contágio estão entre os indícios

29/08/2020 - 05h00 - Atualizada em: 30/08/2020 - 19h09

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
 SC pode estar próximo ao platô do coronavírus  Diórgenes Pandini/DC
SC pode estar próximo ao platô do coronavírus
(Foto: )

Depois de passar pelo período de maior aceleração do coronavírus, entre o final de julho e o início de agosto, quando o número de pacientes ativos foi o mais alto da pandemia no estado, o número de mortes superou a marca de 2 mil perdas e o sistema de saúde esteve perto de um colapso, Santa Catarina começa a apresentar indícios de melhora.

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O levantamento da NSC é baseado em dados oficiais divulgados diariamente pelo governo do Estado, via Secretaria de Estado de Saúde. Os números são os mesmos encaminhados diariamente ao Ministério da Saúde.

Nas últimas semanas, ao menos sete indicadores da pandemia no estado apresentaram decréscimo nos números (veja abaixo), o que pode significar uma aproximação do platô - fase em que os contágios e as mortes estabilizam no alto da curva e antecede a queda. Mesmo assim, a Secretaria de Estado de Saúde ainda enxerga os números em ascensão e trata o momento com cautela.

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No último balanço divulgado pelo Estado, 24 novas mortes por coronavírus foram notificadas e 2.054 novos diagnósticos tiveram resultados positivos para a doença. No entanto, o número de pacientes ativos apareceu abaixo de 8 mil, pela primeira vez em quase 30 dias e o índice de leitos gerais de UTI pelo Sistema Único de Saúde caiu para 70,7%. Desde 12 de julho a taxa está acima de 70%. 

1 - Pela quarta semana seguida, total de mortes em sete dias apresenta queda

Com 116 mortes ocorridas entre domingo, 23, e esta sexta-feira, 28, e confirmadas até o momento pelo governo do Estado, SC deve testemunhar a quarta semana seguida de queda no total de óbitos. O pico foi atingido na semana entre 26 de julho e 1º de agosto, com 305 mortes, e caiu gradativamente até chegar a 232 na semana passada.

Mas é importante ressaltar que os números referentes a esta semana ainda devem crescer nos próximos dias, conforme o Estado confirme casos que aguardavam resultado de exames e divulgue novos boletins.

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Segundo Julio Henrique Croda, ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), é recomendável observar a queda nos números por pelo menos um mês para se certificar de que se trata de uma queda consistente.

2 - Média móvel de novos casos divulgados recuou na maioria das regiões do Estado

A média móvel de novos casos divulgados pelo Estado atingiu o ápice em 2 de agosto. Naquele período, Santa Catarina tinha em média 2,7 mil novos diagnósticos confirmados pela Secretaria da Saúde. Desde então, iniciou uma queda gradativa. Nesta sexta-feira, o índice foi de 1.424, uma queda de 47%.

Das 20 microrregiões do Estado, pelo menos 12 apresentam tendência de queda na média móvel. Mas na última semana as microrregiões de Criciúma, Xanxerê, Tubarão, Rio do Sul, Concórdia, Ituporanga ainda apresentavam uma curva estável no alto.

3 - Total de casos ativos caiu 40% em agosto

Quando considerados apenas os pacientes ainda em tratamento contra a covid-19 e, portanto, capazes de transmitir o coronavírus a outras pessoas, o cenário atual indica melhora importante em Santa Catarina. O ápice de casos ativos ocorreu em 1º de agosto, com 13.241 pacientes. Nesta sexta-feira, o total era de 7.949, patamar que não era alcançado desde 12 de julho. Apenas em agosto, a queda foi de 40%.

Joinville chegou a ter mais de 1 mil casos ativos no início de agosto. Nesta sexta-feira, a cidade ainda liderava esse quesito, mas o total era de 584 pacientes em tratamento contra a covid-19.

4 - Fila de testes aguardando resultado é menor

Outro indicador que sugere estabilização da pandemia em Santa Catarina está relacionado ao total de testes que ainda aguardam resultado de confirmação pelo Laboratório Central do Estado. Nesta sexta-feira, eram 2247. Na terça-feira, chegou a 1.980, menor patamar desde 16 de junho, antes de iniciar a escalada que atingiu o ápice em 26/7, com 11,4 mil testes na fila.

À medida em que ele foram processados, o Estado registrou nos dias seguintes os picos de casos e mortes.

5 - Índice de contágio no Estado tem ficado abaixo de 1

Nesta quinta-feira, o índice de contágio do Estado era de 0,93. Isso significa que cada 100 pessoas com coronavírus em Santa Catarina eram capazes de transmitir para outras 93, em média. Esse índice chegou a 1,32 em julho, um dos maiores índices no país, quando cada 100 doentes eram capazes de infectar outras 132 pessoas.

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Segundo especialistas em epidemiologia, quando esse índice é menor do que 1, indica que certo controle sobre o avanço da pandemia e sugere estabilização.

6 - Leitos de UTI do SUS voltam a ganhar fôlego

Nesta sexta-feira, o Estado atingiu 70% de ocupação dos leitos de terapia intensiva (UTI) do SUS pela primeira vez desde 11 de julho. Segundo Julio Croda, da Fiocruz, a partir desse patamar medidas restritivas devem ser adotadas pelo poder público. Quando se atinge 80%, as restrições devem ser ainda mais severas para não sobrecarregar os hospitais.

Apesar da aparente melhora no índice de ocupação nesta sexta, nem todas as regiões estão no mesmo compasso. Enquanto na Grande Florianópolis havia 59,3% de leitos ocupados, no Oeste chegava a 81,8%.

O dia mais crítico para Santa Catarina foi em 5 de agosto, quando 83,9% dos leitos estavam comprometidos.

Ao observar tanto o SUS quanto os hospitais privados, o total de pacientes suspeitos de covid-19 e confirmados internados em UTI começou a cair lentamente. Eram 649 em 12 de agosto. Nesta sexta eram 530.

7 - Menor número de regiões em estado grave

O mapa de gestão de risco da Secretaria de Estado de Saúde, divulgado na quarta-feira (26), traz cinco regiões em estado gravíssimo de risco. O alerta máximo é para o Alto Vale do Itajaí, Carbonífera, Nordeste, Extremo Sul e Meio-Oeste. São quatro regiões a menos do que no relatório anterior, e o melhor resultado das últimas semanas para esse nível de risco.

O restante das áreas do mapa está em laranja, o que indica nível grave. A análise de risco avalia quatro pontos: isolamento social, testagem, oferta de leitos e reorganização dos fluxos assistenciais.

Secretário da Saúde é cauteloso e diz que o Estado ainda apresenta ascensão

À CBN Diário, o responsável pela pasta, André Motta Ribeiro, disse nesta sexta-feira (28) que Santa Catarina ainda está em uma curva ascendente, embora sem descartar a possibilidade de se aproximar do platô:

- Temos algumas ferramentas, como a matriz de risco, que nos coloca três cenários, do mens desfavorável ao mais desfavorável. E Santa Catarina está transitando um pouco abaixo do menos desfavorável. Ainda é uma curva ascendente, mas dá sinais que estamos próximo ou chegando ao platô.

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O secretário ainda salientou que, ao dividir a responsabilidade com os municípios, o Estado possibilitou flexibilizações em cidades menos afetadas pelo vírus e rigidez nas que estão em situação mais graves, para retomada da economia e adiantou que o governo catarinense já se planeja para o período pós-pandemia.

Ouça na íntegra a entrevista com André Motta Ribeiro

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