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    Abaixo do esperado

    Taxa de isolamento em SC segue abaixo dos 40% mesmo com suspensão de ônibus em 111 cidades

    Índice foi de 38,5% na segunda-feira (20), 38,8% na terça (21) e 38,2% na quarta (22). Para especialista, população “deixou de acreditar”

    23/07/2020 - 14h05

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    Por Guilherme Simon
    Centro de Florianópolis
    Movimento no Centro de Florianópolis durante a pandemia de coronavírus
    (Foto: )

    A taxa de isolamento social em Santa Catarina segue abaixo dos 40%, mesmo com novas medidas de restrição impostas pelo Governo do Estado contra o coronavírus, que incluem a suspensão do transporte coletivo em 111 cidades catarinenses.

    A Secretaria de Estado de Saúde (SES) tem afirmado que o nível ideal para diminuir o contágio do vírus seria de 50% de isolamento.

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    Conforme dados do monitoramento feito pela empresa In Loco, com base em telefones celulares da população, o índice de distanciamento foi de 38,5% na segunda-feira (20), 38,8% na terça (21) e 38,2% na quarta (22).

    Desde segunda-feira (20), o transporte público está suspenso em 111 dos 295 municípios catarinenses. A medida, anunciada pelo governador Carlos Moisés para tentar frear o avanço da Covid-19, vale para as sete regiões que estavam em nível gravíssimo para a doença na última semana. Entre elas, está a região da Grande Florianópolis.

    Cidades como Tubarão, no Sul, e Blumenau, no Vale do Itajaí, adotaram regras ainda mais restritivas, fechando o comércio e serviços não essenciais.

    Ainda assim, as medidas não foram suficientes para elevar a taxa de isolamento social no Estado, pelo menos no começo desta semana. Os índices, ao contrário, chegaram inclusive a registrar leve queda.

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    Se nesta segunda a taxa de distanciamento ficou em 38,8%, uma semana antes estava em 40%. O mesmo ocorreu na terça, quando o índice caiu de 39,7% para 38,8% nesta semana. A exceção foi esta quarta-feira, que registrou acréscimo na comparação com a semana anterior, passando de 37,8% para os atuais 38,2%.

    As novas restrições em Santa Catarina foram adotadas em meio a uma escalada de casos e de mortes por Covid-19, e da sobrecarga do sistema de saúde. Nesta quarta, foram confirmados mais 3 mil casos da doença, o maior número já registrado em um único boletim da Secretaria de Saúde. O total de infectados chega a 59,5 mil. São 764 mortes.

    Nesta quinta-feira (23), o número de regiões consideradas em estado gravíssimo para o coronavírus subiu de sete para nove. A classificação leva em conta dados de aumento de casos e de mortes pela doença, leitos de UTI (Unidade de Terapia Intenstiva) disponíveis e índices de distanciamento social.

    Descrença das pessoas e falta de liderança explicam baixa adesão, diz especialista

    Para o professor Eduardo Werneck, do Instituto Federal Catarinense, que é pesquisador da área de geografia da Saúde, a descrença das pessoas na importância do isolamento social e a falta de liderança no combate à pandemia são explicações para a baixa adesão ao distanciamento.

    Werneck avalia que, na atuação situação, mesmo decretos mais restritivos não surtiriam tanto efeito e aponta a conscientização das pessoas como a única saída.

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    — Houve um momento em que demos uma resposta ao isolamento e chegamos a ter um índice de quase 70%. Depois disso, a taxa foi baixando, baixando, e quando veio o primeiro decreto de flexibilização as pessoas já estavam em movimento. As pessoas deixaram de acreditar — comenta.

    Na avaliação dos pesquisador, uma parcela da população catarinense ainda acredita que a Covid-19 “é apenas uma gripezinha”. Outra, acha que atividades como ir à praia ou a parques não a coloca em risco para contrair o vírus. Além disso, ele também fala em “letargia da gestão” ao criticar a postura de governantes durante a crise.

    — Não temos uma autoridade máxima que possa ter legitimidade para orientar as pessoas e fazer com que elas respeitem. É impressionante como o Poder Público deixou a “Deus dará”. É um empurra-empurra impressionante. Quem está determinando todo o processo, às vésperas de eleições municipais, é o poder econômico — diz.

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