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Telescópio Hubble para de funcionar e NASA não sabe o motivo

Mesmo após uma série de tentativas de reparo, os engenheiros da agência espacial americana não sabem o que fez com que o equipamento parasse de funcionar

30/06/2021 - 14h53 - Atualizada em: 30/06/2021 - 16h12

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João
Por João Scheller
Imagem do telescópio no espaço, com duas placas douradas ao redor e uma luz intensa ao fundo
Troca dos módulos de memória e ativação de computador backup foram algumas das tentativas frustradas de consertar o telescópio Hubble
(Foto: )

Depois de mais de 31 anos no espaço, a vida do telescópio Hubble pode estar próxima do fim. Desde o dia 13, o equipamento que revolucionou a astronomia está sem funcionar de acordo com a NASA, a agência espacial americana.

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"O próprio telescópio e os instrumentos científicos estão em boas condições", afirmou a NASA no último dia 19, mas o problema se concentra no computador que opera o equipamento. Testes para reiniciar o aparelho foram realizados sem sucesso.

Primeiramente, acreditava-se que um módulo de memória poderia ser a origem da falha, mas a troca do dispositivo não resolveu o problema. A última tentativa de concertar o Hubble ocorreu nos dias 23 e 24 de junho, quando a NASA substituiu o computador que controla o telescópio por um dispositivo de backup, instalado em uma das manutenções realizadas pela agência em 2009.

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“Todos os testes (...) resultaram no mesmo problema, os comandos para armazenar ou ler da memória não eram bem sucedidos”, informou a NASA em comunicado no último dia 25.

A agência espacial diz continuar trabalhando em uma alternativa para “ressucitar” o Hubble. A suspeita agora se concentra sobre a Unidade de Comando/Formatador de Dados Científicos (CU/SDF), responsável pelo envio e formatação de informações, além dos reguladores de força do dispositivo.

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Hubble revolucionou a astronomia

Imagem de um buraco negro, com intensa luz laranja em forma de C, envolta de bola laranja mais escuro
O telescópio Hubble foi um dos dispositivos utilizados para se chegar a histórica primeira foto de um buraco negro, divulgada em 2019
(Foto: )

O telescópio Hubble foi desenvolvido na década de 1980 e lançado a orbita no dia 24 de abril de 1990. Ele foi responsável por revolucionar a astronomia e mudar a visão que temos do Universo, a partir do registro de imagens do sistema solar, da Via Láctea e de diversas galáxias distantes.

Durante as três décadas de operação, o Hubble superou uma série de falhas técnicas, inclusive logo após o seu lançamento, quando uma investigação da NASA descobriu que o espelho do telescópio estava com defeito, resultando em imagens distorcidas. O problema foi corrigido após uma missão enviada em 1993 para instalar o COSTAR, uma espécie de óculos, que permitia com que o Hubble pudesse operar corretamente.

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Missões espaciais para reparo

Outras quatro missões de serviço foram enviadas ao longo das décadas de vida do telescópio, entre outras diversas manutenções realizadas remotamente. Inclusive, é de modo remoto que a NASA espera conseguir consertar o Hubble, já que após a aposentadoria dos ônibus espaciais, não há nada capaz de levar uma tripulação até o telescópio.

Imagem da galáxia com fundo em preto
Galáxia NGC 5037 na constelação de Virgo, uma das fotos registradas por meio do telescópio Hubble
(Foto: )

Caso a NASA tenha que aposentar de vez o Hubble, um dispositivo é capaz de trazê-lo de volta para a Terra. O único detalhe é que, como uma estrela cadente, ele queimaria ao entrar novamente na atmosfera.

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Novo telescópio da NASA deve ser lançado ainda em 2021

Em maio, a NASA anunciou que o monumental telescópio espacial James Webb deverá ser lançado ao espaço ainda em outubro. O equipamento passou por um teste final ao ativar com sucesso seu imenso espelho pela última vez na Terra. Com 6,5 metros de diâmetro, o dispositivo deve ser dobrado para caber em um foguete.

Diferente do Hubble, que gira em torno da Terra a 600 km de distância, o telescópio James Webb ficaria a 1,5 milhão de quilômetros do nosso planeta.

"Webb não foi construído simplesmente para fazer melhor o que o Hubble faz", afirmou o cientista Klaus Pontoppidan, do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial da Nasa. "Ele foi construído também para responder a perguntas sobre o cosmos e suas origens que não podemos responder de outra forma."

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*Com informações de AFP e supervisão de Brenda Bittencourt

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