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CIÊNCIA

Um ano de pandemia: as contribuições de SC na luta contra o coronavírus

Projetos de pesquisadores catarinenses ajudaram em descobertas e busca por respostas para combater a Covid-19

12/03/2021 - 09h00

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Jean
Por Jean Laurindo
Projetos de instituições como a UFSC ajudaram em descobertas no primeiro ano de pandemia
Projetos de instituições como a UFSC ajudaram em descobertas no primeiro ano de pandemia
(Foto: )

O primeiro ano da pandemia do novo coronavírus motivou pesquisas em todo o mundo na busca por alternativas para combater a Covid-19. Em Santa Catarina, pesquisadores e instituições também desenvolveram estudos que obtiveram descobertas ou que ainda avaliam possíveis aliados na luta contra o vírus.

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Segundo um levantamento da Federação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), havia pelo menos 188 projetos relacionados à pandemia somente até julho de 2020. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi uma das principais instituições, envolvida em iniciativas de desenvolvimento de uma vacina, de pesquisas sobre o uso de um imunizante já existente para possível efeito de prevenção de sintomas da Covid-19 e outros projetos. Confira abaixo algumas das contribuições de SC ao longo do primeiro ano da pandemia:

Uso da tríplice viral

Um dos exemplos de contribuições catarinenses na luta contra o coronavírus é uma pesquisa do Centro de Pesquisa do Hospital Universitário da UFSC sobre uma possível eficácia da vacina tríplice viral, tradicionalmente usada para prevenir contra sarampo, rubéola e caxumba, na prevenção de efeitos médios e graves da Covid-19. Os resultados preliminares da pesquisa, que ainda está em andamento, apontaram uma redução de 54% no risco de ter sintomas da doença e de 74% na chance de internação, considerando os 430 voluntários submetidos aos testes.

O governo de SC informou que cogita oferecer a tríplice viral para pessoas de fora dos grupos prioritários, que tão cedo não devem receber a vacina contra a Covid-19. A ideia seria ter na tríplice viral uma “estratégia alternativa” para esse público contra o coronavírus.

O tema causou polêmica neste início de março. UFSC e Secretaria de Saúde de Florianópolis divulgaram uma nota informando que “na fase atual, há respostas animadoras mas que ainda dependem de etapas fundamentais para que venha a ser aprovada e validada". O prefeito Gean Loureiro também afirmou que será aguardada a publicação dos resultados em publicação científica e a revisão dos pares.

Em razão disso, os órgãos alertam para que não haja qualquer procura pela vacina junto aos postos de saúde ou clínicas privadas, e que um eventual uso do imunizante contra a Covid-19 terá campanhas e orientações dos órgãos sanitários.

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Vacina catarinense com base na BCG

Pesquisadores da UFSC também atuam no desenvolvimento de uma vacina específica contra a Covid-19. O imunizante tem como base a tradicional vacina BCG, que previne contra a tuberculose, como vetor para "transportar" antígenos do novo coronavírus, que vão despertar a resposta imune do organismo e prepará-lo para uma possível infecção futura. O projeto tem parceria de outras instituições, como as universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Butantan e mais dois órgãos internacionais, Universidade de Cambridge (Inglaterra) e o Karolinska Institutet (Suécia).

A pesquisa atualmente permanece em fase de estudos e desenvolvimento.

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Sequenciamento genético de variantes

Outro estudo feito pela UFSC atua no sequenciamento genético do coronavírus para identificar mutações do vírus. A intenção inicial era identificar se havia variantes diferentes que prevaleciam em regiões distintas do Estado. No entanto, isso não foi constatado porque, segundo os pesquisadores, a pandemia teve um aspecto mais generalizado.

Com o surgimento de novas variantes do coronavírus nos últimos meses, a pesquisa teve uma mudança de conceito. O objetivo passou a ser identificar se existem novas variantes surgindo ou sendo detectadas no Estado, ou mesmo linhagens importadas com mais circulação em SC.

Na semana passada, o projeto já ajudou a identificar o início de transmissão comunitária da variante brasileira, chamada de P.1, identificada inicialmente em Manaus (AM) e que é considerada mais transmissível. Dessa forma, o trabalho pode ajudar na definição de estratégias para conter a disseminação dos vírus e das variantes no Estado.

O projeto já fez o sequenciamento de 109 amostras e deve analisar pelo menos mais 60 nas próximas semanas, a pedido da Vigilância Epidemiológica do Estado. O trabalho é coordenado pelo professor Glauber Wagner, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, e deve seguir até maio deste ano.

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Coronavírus encontrado no esgoto

Uma das descobertas de instituições catarinenses sobre o coronavírus pode estar ligada às pesquisas sobre a origem do vírus. Um trabalho da UFSC identificou partículas do novo coronavírus em amostras de esgoto colhidas em novembro de 2019 em Florianópolis. Na ocasião, a universidade informou se tratar da primeira presença confirmada do vírus nas Américas.

Estudos semelhantes teriam encontrado partes do vírus em outubro de 2019, em Wuhan, na China, e no início de dezembro, na Itália. A expectativa na divulgação dos resultados era de que a descoberta pudesse ajudar a explicar questões sobre a origem do vírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o primeiro caso de Covid-19 foi identificado na China em 8 de dezembro de 2019. Em Santa Catarina, os primeiros dois casos confirmados ocorreram no dia 12 de março de 2020.

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Telemedicina

Na mesma semana em que a Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia do novo coronavírus e que o primeiro caso de Covid-19 foi noticiado em Santa Catarina, Florianópolis lançou um atendimento médico em novo formato, para evitar que as pessoas com sintomas e suspeita da doença saíssem de casa.

A telemedicina surgiu na Capital através do Alô Saúde, mas foi adotada por diversas outras cidades catarinenses, como Blumenau, Joinville, Lages e Chapecó. O serviço é oferecido pelas prefeituras gratuitamente, através do telefone convencional ou através de WhatsApp. Além dos municípios, unidades privadas de saúde adotaram o meio eletrônico para acompanhar pacientes que tiveram o diagnóstico da doença por meio de um questionário enviado ao celular.

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