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Vacina tríplice viral reduz em 54% risco de sintomas de Covid-19, diz estudo da UFSC

Dados preliminares mostraram que imunizante já usado no país também reduziu em 74% as internações pela doença; pesquisa envolve 430 voluntários

26/01/2021 - 11h31 - Atualizada em: 26/01/2021 - 18h35

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Jean
Por Jean Laurindo
Vacina tríplice viral mostrou resultados eficazes na proteção contra coronavírus, diz estudo da UFSC
Vacina tríplice viral mostrou resultados eficazes na proteção contra coronavírus, diz estudo da UFSC
(Foto: )

Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mostrou que voluntários vacinados com a vacina tríplice viral, que previne contra sarampo, caxumba e rubéola, tiveram redução de 54% na possibilidade de ter sintomas de Covid-19. O imunizante também mostrou diminuir em 74% as chances de internação por conta da doença.

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Os resultados preliminares integram o estudo do Centro de Pesquisa do Hospital Universitário da UFSC, que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc).

A tríplice viral é uma vacina atenuada – usa técnica com micro-organismos vivos, mas enfraquecidos. Estudos têm mostrado que esse imunizante pode apresentar resposta imunológica a vários outros agentes. Desde julho, pesquisadores de SC estudam o possível efeito da tríplice viral na prevenção de infecção, sintomas e internações por Covid-19. Os primeiros resultados foram apresentados em outubro e já indicavam eficácia promissora.

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A pesquisa envolve 430 voluntários da área da saúde. Uma parte recebe a tríplice viral e outra, placebo – substância sem efeito. O estudo ainda está em andamento com avaliação clínica e exames PCR dos participantes, mas a previsão é de que seja concluído em março. Os dados preliminares apresentados fazem parte de uma nota prévia de “análise interina dos dados” antecipada pelos pesquisadores.

Segundo o professor Edison Natal Fedrizzi, coordenador do estudo, uma “análise interina” ocorre quando já é possível verificar a eficácia de uma substância em relação ao placebo.

– Não é a análise final. No decorrer do estudo, vamos fazendo algumas análises para avaliar possíveis efeitos colaterais e a eficácia do tratamento. Quando a gente tem um resultado significante, que está demonstrando a realidade, já começamos a divulgar porque provavelmente ele vai se manter ou melhorar até o final do estudo – explicou, em material de divulgação da Fapesc.

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Intenção não é substituir vacinas contra Covid-19

Os pesquisadores afirmam que a ideia do estudo não é substituir as vacinas específicas contra Covid-19, que recentemente começaram a ser aplicadas no Brasil. A tríplice viral já faz parte do calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) e poderia ser mais uma aliada na estratégia de vacinação.

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Um trecho da nota sugere que, se os resultados do estudo forem confirmados, a tríplice viral poderia ser utilizada com grupos não prioritários enquanto não há vacinas suficientes para atender esse público. “Estes resultados são bastante animadores, pois trata-se de uma vacina não específica para o novo coronavírus, mas que mostrou resultados de eficácia semelhante a algumas vacinas específicas divulgados recentemente. Em hipótese alguma a vacina tríplice viral irá substituir a vacina específica. No entanto, seria muito útil se fosse possível vacinar os grupos não prioritários com esta vacina até que tenhamos a disponibilidade de vacinar toda a população com as novas vacinas contra a Covid-19”, afirma a nota.

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Duração da proteção ainda é avaliada

O estudo da UFSC ainda avalia por quanto tempo a tríplice viral protege contra o novo coronavírus. A hipótese é de que seja de três a seis meses, no caso de uma dose, ou de oito meses a um ano, quando aplicadas duas doses.

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Vale frisar que para proteger contra o novo coronavírus, seria necessário tomar uma nova dose da tríplice viral. Pessoas que já foram vacinadas com o imunizante na infância, por exemplo, não possuem a possível proteção contra sintomas e internações pelo novo coronavírus. Isso porque o mecanismo de ação neste caso é diferente.

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“Estamos usando um efeito deste tipo de vacina que é a primeira fase da imunidade, a imunidade nata. A imunidade de longo prazo é chamada de humoral, associada à produção dos anticorpos específicos contra o microorganismo alvo da vacina. A humoral produz anticorpos. A celular é a produção de células de defesa do nosso organismo no primeiro combate frente a um organismo agressor. É uma proteção contra qualquer infeção”, informou o pesquisador responsável pelo estudo.

A pesquisa também tem apoio do laboratório FioCruz – Bio-Manguinhos, da Secretaria Estadual de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.

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