nsc
    dc

    Violência

    Uma pessoa é estuprada a cada duas horas em SC, aponta Anuário de Segurança Pública

    Levantamento publicado na última segunda-feira, traz dados de violência sexual de 2019 em SC

    21/10/2020 - 18h45 - Atualizada em: 22/10/2020 - 14h32

    Compartilhe

    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    Crimes de violência sexual e feminicídios apresentam queda em SC
    Crimes de violência sexual e feminicídios apresentam queda em SC
    (Foto: )

    A cada duas horas e 13 minutos, uma pessoa foi violentada sexualmente em cidades de Santa Catarina em 2019. Durante todo o ano, mais de 3,9 mil pessoas relataram ter sido vítimas de estupro no estado, dentro ou fora de suas casas. Significa que, em média, 11 abusos ocorreram por dia em SC no ano passado, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020, publicado na última segunda-feira (19).

    > SC registra mais de um aborto por mês em meninas entre 10 e 14 anos

    > Quer receber notícias por WhatsApp? Inscreva-se aqui

    Se comparado a 2018, um ano antes, quando 4.303 casos foram notificados, houve uma rápida queda de 8% no número de estupros em SC. Mesmo assim, o total de 2019 coloca o estado entre os 10 com mais vítimas de abuso sexual no Brasil.

    Em primeiro, entre os estados brasileiros com mais notificações de estupro está São Paulo, com 12,3 mil ocorrências. Em segundo no ranking está o Paraná, com 6.375 casos. Santa Catarina ocupa a sexta posição e fica atrás também do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.

    Coordenadora das delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, Patrícia Zimmermann D'Ávila diz que a redução dos casos está ligada ao trabalho de busca ativa das vítimas e da identificação e responsabilização dos autores, que dificilmente voltam a reincidir - ao menos enquanto estão presos ou afastados das vítimas. 

    - Mas há um trabalho muito maciço na conscientização da população em relação ao crime de estupro, tentando mudar aquela cultura de que a mulher é propriedade do homem, o que que faz, muitas vezes, com que os homens próximos da vítima, como pai, padrasto, primos ou tios, acabe cometendo esses crimes. Então essas campanhas permanentes, essas orientações e programas fazem com que esses números acabem diminuindo - diz.

    Uma vítima a cada 8 minutos

    Se levar em consideração a conta nacional, o dado fica ainda mais grave: a cada oito minutos, uma vítima é violentada no país. Do total de estupros relatados em 2019, 85,7% foram contra pessoas do sexo feminino e mais 70% das vítimas tinham menos de 13 anos de idade. O total de casos notificados no Brasil, no ano passado, chegou a 66.123, entre estupros e estupros de vulnerável.

    > Como proteger as crianças de abusos e entender os sinais de atenção

    É considerado estupro constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. O estupro de vulnerável considera a idade da vítima, menor de 14 anos, ou a incapacidade de oferecer resistência, quando a idade for superior a 14 anos. A pena é de 6 a 10 anos de prisão para casos de estupro e de 8 a 15 anos para casos de estupro de vulnerável.

    Lei Joanna Maranhão

    Para as vítimas de violência sexual contra crianças e adolescentes, o prazo de prescrição - quando perde a validade para denúncia - só começará a ser contado a partir da data em que a vítima completar 18 anos, a não ser que já tenha sido proposta uma ação penal antes disso, pelo representante legal da vítima. Antes, a contagem do prazo de prescrição para a abertura de processo era calculada a partir da data do crime.

    > Conheça o passo a passo do atendimento às vítimas de violência doméstica nas Dpcamis

    Feminicídios

    O estudo sobre violência trouxe dados mais atualizados sobre os feminicídios, com dados do primeiro semestre de 2020, quando Santa Catarina registrou 24 assassinatos contra mulheres em razão do gênero. Houve uma redução de 25% este ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 32 crimes do mesmo tipo foram registrados no estado. 

    Em relação aos feminicídios, a delegada Patrícia Zimmermann D'Ávila afirma que há um empenho da Polícia Civil no amparo e na proteção das mulheres vítimas de violência, além do alto número de prisões preventivas cumpridas pelas equipes de investigação, que apuram com mais precisão os assassinatos das mulheres pela condição do gênero ou por consequência da violência doméstica.

    - Então isso faz com que a gente consiga interferir na violência antes que ela termine em feminicídio. O trabalho da Polícia Civil é amparar, proteger e identificar essas vítimas antes que a violência se agrave - conclui a delegada.  

    Leia também

    > Violência doméstica: mulheres agredidas podem fazer denúncias em farmácias de SC; saiba como

    > Entenda o que são as medidas protetivas de urgência

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Polícia

    Colunistas