Propaganda de Lula que liga Flávio Bolsonaro ao Banco Master é suspensa pelo TSE: “Desequilíbrio da disputa”

Peça eleitoral também apontava que o vice da chapa de Flávio, Alfredo Gaspar, é investigado por estupro de vulnerável; campanha do presidente vai recorrer da decisão

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Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concorrem à Presidência nas Eleições 2026 (Foto: Manoella Mello, Globo)

TSE derruba propaganda de Lula que ligava Flávio Bolsonaro ao Banco Master (Foto: Manoella Mello, Globo)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão imediata de uma propaganda eleitoral veiculada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que afirma que Flávio Bolsonaro (PL) é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do Banco Master. A medida foi divulgada neste domingo (11).

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A determinação foi dada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, afirmou que a campanha do presidente Lula entrou com um recurso contra a decisão.

Na decisão, Nunes Marques afirma que a campanha deve ser suspensa porque “a mensagem que razoavelmente se transmite ao eleitorado é a de que a chapa adversária (formada por Flávio e Alfredo Gaspar) se define pela prática de crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro e de natureza sexual contra criança”.

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Segundo o presidente do TSE, a propaganda traz “imputações criminais desprovidas de lastro mínimo, em espaço de comunicação de alcance nacional e custeado pela sociedade”. As informações são do g1.

“Admitir o uso do horário eleitoral gratuito para esse fim significaria converter instrumento concebido para assegurar a igualdade de oportunidades entre os competidores em meio de desequilíbrio da própria disputa”, diz o ministro.

Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em um inquérito para apurar possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Daniel Vorcaro, do Banco Master, fez repasses financeiros para a produção do longa, conforme apontam documentos obtidos pelo The Intercept Brasil.

A propaganda de Lula também afirma que o vice de Flávio, Alfredo Gaspar, é alvo de investigação por estupro de vulnerável. O pedido de abertura de investigação foi arquivado por falta de elementos para embasar a denúncia.

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Saiba mais sobre Daniel Vorcaro

O que se sabe da relação entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro manteve contato direto com o empresário Daniel Vorcaro durante as negociações para financiar o filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos, planilhas e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil apontam que o banqueiro se comprometeu a investir US$ 24 milhões no longa — valor equivalente, à época, a cerca de R$ 134 milhões — e que ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

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A relação entre o senador e Vorcaro ganhou novos contornos após a revelação de uma mensagem enviada por Flávio ao empresário em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro ao tentar deixar o país.

“Irmão, estou e sempre vou estar contigo, entre nós não existe meia conversa. Só preciso que você me dê uma luz! Abs!”, escreveu o parlamentar via WhatsApp.

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Vorcaro é investigado por suspeita de comandar um esquema de fraude que teria provocado prejuízo estimado em R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em 18 de novembro, um dia após a prisão, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Banco Master.

Segundo os documentos analisados pelo Intercept, os recursos destinados ao filme foram enviados em seis operações financeiras para custear a produção cinematográfica ligada à família Bolsonaro. Os registros incluem comprovantes bancários, cobranças de parcelas e um cronograma de pagamentos. Não há, porém, indícios de que os demais repasses previstos no acordo tenham sido concluídos.

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As mensagens indicam que a articulação foi conduzida diretamente por Flávio Bolsonaro, com participação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro.

Parte dos recursos teria sido enviada pela empresa Entre Investimentos e Participações, parceira de negócios de companhias ligadas a Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

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Os registros também apontam a atuação de outros intermediários, entre eles o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro do banqueiro.