Tentativa de adiar votação do impeachment em SC expõe disputa entre Moisés e Daniela

A um dia da sessão que vai decidir se depõe ou não o governador pelo caso dos respiradores, Estado tem cenário político agitado e com indefinições

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Governador afastado e governadora em exercício estão no centro da disputa sobre quem seguirá no comando do Estado até 2022 (Foto: Bruno Collaço, Agência AL, arquivo)

O julgamento do processo de impeachment do governador Carlos Moisés (PSL) está marcado para esta sexta-feira (7) e segue movimentando os bastidores da política de Santa Catarina. A um dia da sessão que vai decidir se Moisés será ou não afastado do cargo definitivamente, o cenário ainda é de disputa e de incertezas sobre como será a condução do Estado a partir da próxima semana. O tribunal de julgamento que vai decidir o caso é formado por cinco desembargadores e cinco deputados estaduais. São necessários ao menos sete votos para aprovar o impedimento.

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A primeira indefinição está na própria realização do julgamento. A sessão está confirmada para as 9h desta sexta-feira, mas ao menos dois pedidos para adiar a sessão já foram apresentados. O impasse expõe uma disputa entre o governador afastado, Carlos Moisés, e a governadora em exercício Daniela Reinehr (sem partido), que tem em vista o direito de comandar o governo até o fim de 2022.

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Um dos pedidos de adiamento partiu do deputado estadual Laércio Schuster (PSB), que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento é de que seria necessário mais tempo para produzir provas e ouvir pessoas envolvidas. Laércio teve um pedido de depoimento de Moisés negado pelo presidente do tribunal misto, o desembargador Ricardo Roesler.

A solicitação ao STF teve o ministro Ricardo Lewandowski definido como relator, mas ainda não tinha decisão até a noite desta quarta-feira (5). O deputado estadual Ivan Naatz (PL), que não integra o tribunal misto, também apresentou pedido de adiamento nesta quarta-feira ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Nesse caso, a defesa sustenta também que seria necessário aguardar manifestação do Ministério Público sobre o caso, onde uma sessão teve pedido de vista nesta semana.

Oficialmente a atual governadora em exercício não se manifestou sobre os prazos do tribunal de julgamento. Nos bastidores, a tese é de que o grupo de Daniela tenta adiar a votação para que o governo temporário tenha mais tempo de atuação e ações, além de permitir a busca por mais votos pelo impedimento de Moisés.

A defesa de Moisés, por sua vez, busca um julgamento mais rápido e chegou a pedir isso em manifestações no processo. A intenção é pelo menos manter os votos favoráveis que teve de quatro deputados estaduais. Se os 10 membros do tribunal de julgamento mantiverem os posicionamentos da primeira sessão, o placar não seria suficiente para aprovar o impeachment – desta vez são necessários sete votos para decretar o impedimento, e não seis como na aceitação da denúncia.

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Mudanças no governo temporário

Esse cabo de guerra entre governadora em exercício e governador afastado envolve também nomeações e ocupação de cargos na administração do Estado. Como ocorreu em novembro de 2020, quando Daniela também governou temporariamente durante afastamento de Moisés no primeiro processo de impeachment, mais tarde arquivado, o período de gestão interina foi marcado por nomeações e trocas de secretários em cargos estratégicos.

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Nomes de confiança de Moisés foram trocados por titulares indicados por Daniela – em articulações atribuídas até a líderes políticos como o ex-presidente da Alesc, Gelson Merisio (PSDB). Conquistar os votos dos cinco deputados estaduais integrantes do tribunal misto também é um desafio que movimenta os dois lados dessa disputa.

Na abertura do processo contra Moisés, apenas o deputado Laércio Schuster votou pelo afastamento do governador do cargo – situação bem diferente do primeiro processo de impeachment enfrentado por Moisés.

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Já nos primeiros dias, Daniela nomeou a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania) para a Secretaria de Estado da Saúde, responsável pela condução do combate à pandemia de Covid-19, no lugar de André Motta Ribeiro. Houve mudanças também na Casa Civil e Infraestrutura. A mudança mais recente foi a saída de Luciano Buligon da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, considerado escolha pessoal de Moisés, para a entrada de Ricardo Gouvêa.

A depender da decisão do tribunal de julgamento na sexta-feira, essa sequência de trocas e nomeações pode ganhar ainda mais força, com a definição de um governo definitivo de Daniela Reinehr até dezembro de 2022, ou ser revertido novamente por Moisés em uma eventual volta ao cargo, caso ocorra o arquivamento.

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Como será a sessão

O julgamento desta sexta-feira será semelhante ao último que julgou a aceitação da denúncia contra o governador Carlos Moisés. A sessão está marcada para iniciar às 9h e vai ocorrer de forma virtual, por causa da pandemia de coronavírus.

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A votação começará com prazos de 15 minutos para a acusação e a defesa de Moisés se manifestarem. Em seguida, os 10 membros do tribunal deverão responder se Moisés participou ou se omitiu diante de problemas na compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões com pagamento antecipado. O contrato teve apenas 50 equipamentos entregues, e sem a finalidade desejada de uso em UTIs para combate à Covid-19.

A ordem da votação será a mesma da sessão que aceitou a denúncia e afastou Moisés temporariamente, em 26 de março. Primeiro, vota a relatora do caso, desembargadora Rosane Wolff. Em seguida, os votos serão intercalados entre os cinco desembargadores e os cinco deputados, por ordem de tempo de atuação nos órgãos (confira a ordem abaixo).

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Nos 42 dias entre a primeira e a segunda votação, o tribunal incluiu provas ao processo, como relatórios da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República (PGR), favoráveis a Moisés. Outras medidas como depoimentos e perícias não foram considerados necessários.

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Os membros do tribunal

Desembargadora Rosane Portella Wolff (relatora)

Desembargadora Sônia Schmitz

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Deputado estadual Marcos Vieira (PSDB)

Desembargador Roberto Pacheco

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Deputado estadual José Milton Scheffer (PP)

Desembargador Luiz Zanelato

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Deputado Valdir Cobalchini (MDB)

Deputado Fabiano da Luz (PT)

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Desembargador Luiz Fornerolli

Deputado estadual Laércio Schuster (PSB)

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