Como indígenas de SC venceram o medo de receber vacina contra Covid e virar jacaré

Lideranças catarinenses montaram uma estratégia para convencer os parentes e combater as fake news disseminadas por meios com o WhatsApp

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Vacinação de indígenas contra Covid em SC contou com estratégias para combater fake news (Foto: Jekupe Mawe, Arquivo Pessoal)

O medo de virar jacaré após receber a vacina contra a Covid-19 também atingiu os índios de Santa Catarina. A fake news repetida até pelo presidente Jair Bolsonaro sobre falsos efeitos colaterais se disseminou nos grupos de WhatsApp bem antes da chegada do imunizante. Ao perceberem o problemão que teriam, as lideranças indígenas montaram uma estratégia para convencer os parentes.

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– A gente fez pequenas entrevistas, em vídeos, com os moradores mais velhos, e fomos de casa em casa. Como entre nós quando os mais velhos falam os jovens obedecem, conseguimos convencer aqueles que tinham medo de virar jacaré ou outro bicho – explica a guarani Kerexu Yxapyry, primeira indígena vacinada em Santa Catarina, em 18 de janeiro.

Um dos vídeos foi feito por Marco Guarani, o karai jekupe, cacique da Aldeia Maciambu, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Para que todos entendessem, foi feito no idioma Guarani. Confira:

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Houve problemas em pelo menos duas aldeias Guarani do Litoral de SC, diz Kerexu, mas também com os Xokleng do Médio Vale, como conta João Voia:

– No começo, uns estavam dispostos a tomar a vacina com pensamento de proteger a si e a sua comunidade. Mas outros se recusavam por causa da ideia de não ser seguro, reproduzindo aquilo que o presidente disse, e que atrapalhou bastante.

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Com campanhas internas e a chegada de mais doses, o medo foi dando lugar à ciência. Mas não o suficiente para impedir a morte de 33 índios catarinenses. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas (APIB), até agora 1130 índios morreram pelo coronavírus no país.

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