Crônica de domingo: Um país de “diversões”

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Crônica de domingo deste 2 de janeiro de 2022 trata do país das "diversões" (Foto: Alpen Park / Divulgação)

Salvo os parques de diversão com estruturas fixas, são cada vez mais escassas aquelas estruturas itinerantes. Recordo da minha infância, lá no interior do Rio Grande do Sul, quando volta e meia apareciam brinquedos instalados em determinado ponto da cidade. Tinha uma pequena montanha-russa, a roda-gigante, o carrinho bate-bate e mais umas três ou quatro coisas espalhadas pelo terreno. Já era o suficiente para animar uma tarde inteira. De uns anos, ficou perceptível que os parques foram reduzindo.

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Sobraram, na sua maioria, aquele famosos e com estrutura fixa. O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, foi a um deles nas suas férias em Santa Catarina. Entre críticas e aplausos, Bolsonaro fez os populares “zerinhos” com um carro esportivo e aproveitou ao melhor estilo o que um parque de diversões pode proporcionar. Isso tudo enquanto uma parte do país sofria com perdas por fortes chuvas.

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Mas vamos ser sinceros: nada disso surpreende no Brasil. Vivemos um país das “diversões”. A realidade das pessoas é uma, mas o que acontece dentro dos brinquedos é um mundo paralelo. Há trenzinhos das alegria constantes com políticos envolvidos em esquemas de corrupção. Todos os ocupantes sorriem e dão “tchauzinho” para quem fica do lado de fora.

A roda-gigante gira o tempo todo, mas não sai do lugar. Ela fica ali, com algumas pesssoas em andares mais altos e outras na parte inferior. A montanha-russa anda lentamente para subir, mas desce a todo vapor com as inconstâncias que trazem instabilidade para um país fragilizado. Já o barco viking flutua de um lado para o outro sempre concentrado na polarização entre os dois lados.

Esse parque das diversões real está longe de ser motivo de animação. Só que quem “brinca” dentro dele não está nem aí para isso. O principal virou aproveitar-se da diversão sem nem se importar com quem está na fila de espera.

Bolsonaro nada mais fez do que resumir o que o Brasil se tornou. Ele se divertiu. O resto é o resto. No Brasil das diversões, o importante é sorrir mesmo no desespero.

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