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    Quem vai pagar pelas baladas da insanidade em Santa Catarina?

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    28/12/2020 - 12h20 - Atualizada em: 29/12/2020 - 07h33
    Balada na rua na Praia do Rosa, em Imbituba
    Balada na rua na Praia do Rosa, em Imbituba (Foto: Daniel Folleto, Arquivo Pessoal)

    A moda entre os estabelecimentos que descumprem as regras mínimas para controle da pandemia no Litoral é burlar o alvará, contando com vistas grossas das autoridades. Estão registrados como restaurantes, que podem funcionar normalmente. Mas, na prática, atuam como baladas – que seguem proibidas no Estado diante do nível gravíssimo de risco para Covid-19, em todo o território de Santa Catarina.

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    Há três níveis de irresponsabilidade envolvidos. O primeiro deles é de quem promove as festas, sabendo que comete uma irregularidade. Se valem da fiscalização insuficiente e das regras errantes para lucrar com gente aglomerada e sem máscara.

    O setor de eventos e entretenimento foi no mundo todo um dos mais afetados pela crise, e continua sentindo os efeitos da pandemia. Precisa de apoio e auxílio governamental – mas isso não é salvaguarda para colocar em risco a vida alheia. Inclusive a vida de quem trabalha nesses locais, exposto a um ambiente perfeito para a circulação do vírus.

    Restaurante foi interditado duas vezes em três dias por funcionar como balada na Praia Brava, em Itajaí
    Restaurante foi interditado duas vezes em três dias por funcionar como balada na Praia Brava, em Itajaí
    (Foto: )

    O segundo responsável é o poder público, que finge fiscalizar as aglomerações. Cabe às prefeituras identificar estabelecimentos com alvará de restaurante funcionando como balada. E não é difícil, basta uma voltinha dos fiscais no horário em que os eventos ocorrem. Mas o mais comum é que a fiscalização atue em horário comercial e, obviamente, não ‘flagre’ irregularidade alguma.

    Em Itajaí, por exemplo, a Polícia Militar interditou o mesmo bar duas vezes em três dias. A Vigilância Sanitária deixou para dar uma olhada na situação nesta segunda-feira. Situações semelhantes ocorrem em diversos pontos no Litoral, numa vergonhosa conivência entre quem despreza as regras e os governos que têm por obrigação garantir que elas sejam cumpridas.

    Por fim, mas não menos importante, há a responsabilidade dos baladeiros. Aqueles que se dizem cansados da pandemia, que não querem saber de restrições, que precisam aglomerar em nome da ‘saúde mental’. Nos restaurantes/baladas mais procurados das praias de SC aglomera-se gente bonita, saudável e bem vestida, mas com nenhuma empatia. Os hospitais estão lotados, mais de 5 mil pessoas já morreram no Estado, mas e daí? Isso não parece ser problema para os jovens que querem curtir a noite.

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    A que brindam os festeiros? O que celebram as pessoas que se dispõem a servir de vetor para a Covid-19? Será que agiriam da mesma forma se conseguissem visualizar o risco de empurrar um familiar ou a si mesmo para um leito de hospital?

    As baladas da insanidade se tornaram a última fronteira do egoísmo, embaladas pelo descaso das autoridades. O problema é que o preço da festinha alheia é cobrado em vidas. Quem vai pagar por isso?

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