Santa Catarina inaugura o verão da calamidade pública

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Mesmo governo que decretou calamidade pública afrouxa regras contra o coronavírus (Foto: Luiz Carlos Souza)

Calamidade pública, segundo o regramento brasileiro, é uma “situação de alteração intensa e grave das condições de normalidade em um determinado município, estado ou região, decretada em razão de desastre, comprometendo substancialmente sua capacidade de resposta”.

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Desde abril de 2020 e, pelo menos, até fevereiro de 2021, Santa Catarina vive, segundo o governo de Carlos Moisés (PSL), uma calamidade pública devido à pandemia de Covid-19.

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Esse mesmo governo autorizou que hotéis funcionassem, na temporada de verão, com 100% da capacidade. Concordou com a abertura parcial de eventos sociais, cinemas, teatros e parques aquáticos. Finge que fiscaliza o cumprimento de medidas sanitárias básicas e libera até o funcionamento de casas noturnas em regiões com risco grave.

Entre o tom solene dos decretos e a farra das ruas, Santa Catarina inaugura o verão da calamidade pública, aquele que ocorre em meio a uma pandemia grave o suficiente para pedalar contas públicas, mas não para estimular os cidadãos a cuidarem uns dos outros.

Encerramos 2020 reconhecendo o coronavírus, no papel, como uma ameaça tão dolorosa quanto foi a onda de lama que varreu Presidente Getúlio, cidade que decretou calamidade pública devido às chuvas. Na vida real, é como se a população do pequeno município devastado ignorasse os 21 corpos resgatados e saísse a festejar no meio da lama. É esse o nível de desrespeito com as consequências da Covid-19 e os mais de 5 mil mortos.

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Santa Catarina desumaniza o verão. Converte em festa fúnebre aquilo que sempre foi uma celebração à vida. A história guardará esta temporada como aquela em que, por falha de caráter, uma geração aceitou encurtar a vida de centenas de catarinenses para não perder o faturamento e os prazeres dos dias quentes.

Uma chaga indesculpável deste calamitoso 2020 que não terminará tão cedo.

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