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Santa Catarina inaugura o verão da calamidade pública

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Por Evandro de Assis
27/12/2020 - 09h16 - Atualizada em: 28/12/2020 - 18h35
Mesmo governo que decretou calamidade pública afrouxa regras contra o coronavírus
Mesmo governo que decretou calamidade pública afrouxa regras contra o coronavírus (Foto: Luiz Carlos Souza)

Calamidade pública, segundo o regramento brasileiro, é uma "situação de alteração intensa e grave das condições de normalidade em um determinado município, estado ou região, decretada em razão de desastre, comprometendo substancialmente sua capacidade de resposta".

Desde abril de 2020 e, pelo menos, até fevereiro de 2021, Santa Catarina vive, segundo o governo de Carlos Moisés (PSL), uma calamidade pública devido à pandemia de Covid-19.

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Esse mesmo governo autorizou que hotéis funcionassem, na temporada de verão, com 100% da capacidade. Concordou com a abertura parcial de eventos sociais, cinemas, teatros e parques aquáticos. Finge que fiscaliza o cumprimento de medidas sanitárias básicas e libera até o funcionamento de casas noturnas em regiões com risco grave.

Entre o tom solene dos decretos e a farra das ruas, Santa Catarina inaugura o verão da calamidade pública, aquele que ocorre em meio a uma pandemia grave o suficiente para pedalar contas públicas, mas não para estimular os cidadãos a cuidarem uns dos outros.

Encerramos 2020 reconhecendo o coronavírus, no papel, como uma ameaça tão dolorosa quanto foi a onda de lama que varreu Presidente Getúlio, cidade que decretou calamidade pública devido às chuvas. Na vida real, é como se a população do pequeno município devastado ignorasse os 21 corpos resgatados e saísse a festejar no meio da lama. É esse o nível de desrespeito com as consequências da Covid-19 e os mais de 5 mil mortos.

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Santa Catarina desumaniza o verão. Converte em festa fúnebre aquilo que sempre foi uma celebração à vida. A história guardará esta temporada como aquela em que, por falha de caráter, uma geração aceitou encurtar a vida de centenas de catarinenses para não perder o faturamento e os prazeres dos dias quentes.

Uma chaga indesculpável deste calamitoso 2020 que não terminará tão cedo.

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