Quando o Brasil começou as conversas em setembro do ano passado para derrubar o tarifaço de 50% a produtos do país, adotado pelo presidente americano Donald Trump, a expectativa da indústria era de que até dezembro essa taxação cairia. Mas, agora, diante dos novos desafios geopolíticos do governo americano, o setor industrial não tem esperança de que essa tarifa caia em março, quando está prevista uma visita do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a Donald Trump na Casa Branca.

Continua depois da publicidade

O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, avalia que a taxa de 50% até pode cair em março, mas existe uma incerteza porque vai depender de uma decisão pessoal do presidente Trump.

– Eu pensava, lá atrás, que essa taxação ia cair em fevereiro. Mas daí entrou Venezuela, entrou Groenlândia e um monte de outras coisas na agenda do presidente americano. Eu acho que deixaram o tarifaço na gaveta e vão abordar isso em outra hora – diz Seleme.

Continua depois da publicidade

Mas ele informa que o setor industrial, em especial a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Fiesc, seguem pressionando o governo brasileiro para buscar avanço nessa negociação. A indústria pressiona o governo brasileiro para que esse busque o acordo com o governo americano. Mas isso não avançou ainda.

De acordo com Seleme, se não sair a redução até março, a CNI fará uma missão empresarial para Washington, Estados Unidos, para mostrar a situação de setores afetados e fazer uma pressão mais direta.

Continua depois da publicidade

Além disso, o setor está fazendo uma pressão indireta por meio dos seus clientes dos Estados Unidos que compram produtos industrializados brasileiros e estão enfrentando preços mais altos devido ao tarifaço. Além disso, a CNI contratou um escritório de advocacia para fazer lobby junto ao governo americano, atividade que é legal naquele país.

Mas os dados de emprego de 2025, divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostraram perda de vagas em Santa Catarina devido ao tarifaço. O setor de madeira e móveis, o mais afetado, fechou 2.800 vagas no ano passado.

Continua depois da publicidade

– Dá para ver por regiões o impacto negativo no emprego. Nas regiões de São Bento do Sul, Lages, Curitibanos e Caçador, onde o setor de madeira e móveis é forte, a indústria diminuiu o emprego. Só que outros setores industriais, como confecções, e até comércio e serviços contrataram esses trabalhadores. Então, em alguns locais, o emprego ficou estável – observa o presidente da Fiesc.

Uma das indústrias catarinenses que têm nos Estados Unidos o principal destino de exportações e está enfrentando o tarifaço é a Rohden, de Pouso Redondo, maior fabricante de portas do Brasil.

Continua depois da publicidade

O CEO da companhia, Lino Rohden, explica que a empresa está conseguindo manter os empregos e as atividades, sem prejuízo, mas também sem lucro por ter adotado algumas medidas. Reduziu custos e usa, em parte, florestas próprias, assim consegue matéria-prima mais barata. Além disso, os importadores americanos estão pagando parte da taxação de 50% temporariamente, esperando que caia a tarifa.

Além disso, grandes indústrias catarinenses do setor metalmecânico estão sendo impactatas negativamente pelo tarifaço. Elas estão fazendo uma série de ações para contornar as dificuldades, mas nem sempre é possível. A torcida é que a visita de Lula saia em março e ele consiga convencer Trump a baixar esse tarifaço. De acordo com a CNI, mais de 60% das exportações brasileiras aos Estados Unidos ainda têm tarifa adicional.

Continua depois da publicidade

Leia também

Fiesc assina parceria para apoiar formação de jovens do Instituto Padre Vilson Groh

Juro alto e menor atividade econômica reduzem expansão do crédito, diz  Febraban

Augusto Cury e Roberto Justus serão palestrantes no Empreende Brazil 2026 em SC

Florianópolis ganha “Rua dos guarda-chuvas”, nova atração colorida na cidade

Multinacional Tigre é nova patrocinadora do Comitê Olímpico Brasileiro

Grife global da indústria, WEG avança em produtos ao consumidor final