Um dos impulsionadores da atividade econômica, o crédito total deve crescer 8,2% em 2026, estima a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). A variação será menor que nos anos anteriores – alta de 11,5% em 2024 e 9,2% em 2025 (até outubro). A federação estima para este ano que as empresas deverão registrar crescimento de 7,6% na tomada de crédito e as pessoas físicas, 8,8%. Esses dados foram apresentados pelo diretor de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Febraban, Adauto de Oliveira Duarte, que falou sobre cenários financeiros e crédito na reunião da diretoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), sexta-feira (30).
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Segundo dados da Febraban, em Santa Catarina o saldo de crédito destinado às pessoas jurídicas somou R$ 174,1 bilhões nos 12 meses encerrados em outubro de 2025. A maior concentração foi para capital de giro, que alcançou R$ 50 bilhões.
Esse alto valor mostra que as empresas têm recorrido ao crédito para financiar o dia a dia, como caixa, estoques e custos operacionais, em vez de ampliar investimentos produtivos. Para financiamentos à infraestrutura e a projetos foram tomados R$ 32 bilhões por SC no período, e o crédito para investimento somou somente R$ 3,6 bilhões.
Duarte explicou que com a atividade econômica apresentando perda de ritmo, as empresas tendem a adiar decisões de expansão, reduzindo a demanda pela captação de recursos voltados a novos investimentos.
Pelos dados da Febraban, o saldo total de crédito utilizado por Santa Catarina alcançou R$ 385,6 bilhões em outubro de 2025, o equivalente a 5,4% de todo o crédito do país. O saldo de crédito representa o valor total dos recursos emprestados pelo sistema financeiro que não foram quitados ainda.
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O crédito total contratado pelas pessoas físicas em SC somou R$ 211,4 bilhões. Nesse grupo, se destacam o financiamento habitacional, com R$ 62,7 bilhões e o crédito pessoal, que atingiu R$ 47,1 bilhões, respondendo por 12,4% do consumo das famílias no estado.
Crédito no Brasil
De acordo com a Febraban, as pessoas empresas desaceleraram mais a demanda por crédito em 2025 devido aos juros altos. Houve expansão de 4% nas linhas com recursos livres concedido com recursos próprios das instituições financeiras até novembro do ano passado, enquanto no ano anterior, 2024, a alta chegou a 11,5%.
Já as concessões de financiamento com recursos direcionados cresceram 25%, ante 5,3% em 2024, impulsionadas por programas governamentais, como o plano Safra ou linhas do BNDES. Além disso, grandes empresas que estão na bolsa evitaram contratar empréstimos em bancos e recorreram ao mercado de capitais como alternativa de financiamento.
De acordo com Adauto Duarte, com os juros altos, mais micro, pequenas e médias empresas tiveram inadimplência. Em agosto de 2025, a inadimplência das pequenas empresas estava em 8,2% da carteira de crédito, a das microempresas, 7,4%. Essas empresas estão contratando crédito para reduzir dívida, mas estão recorrendo a linhas do setor público.
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– Hoje, o crescimento maior é nos programas governamentais como o Pronampe e outros, que têm uma certa garantia de um determinado fundo público. Assim, eles acabam com uma taxa menor, o que praticamente deu um pouco de expansão do crédito nesse ano na pessoa jurídica. Mais um programa público está sendo preparado, é o Desenrola TJ +. O governo está trabalhando nisso e deverá lançar – destacou ele.
Famílias com dívidas mais caras
Os dados da Febraban mostram que as famílias estão mais endividadas e tomam recursos mais caros. Em outubro de 2025, o endividamento das famílias, excluído o crédito habitacional, alcançou 30,9% da renda anual.
Linhas como as de cartões de crédito e crédito pessoal não consignado ganharam participação na carteira. O diretor da Febraban explica que essas modalidades possuem juros mais altos, o que contribui para o aumento da inadimplência e para o maior comprometimento da renda disponível. O melhor seria empréstimos consignados, que têm taxas mais baixas.
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