Após o Estado conquistar cinco dos 22 troféus na oitava edição do Prêmio Nacional de Inovação (PNI) 2023, terça-feira (26) em São Paulo, o presidente do Sebrae Nacional, o catarinense Décio Lima, ampliou uma referência sobre o setor de tecnologia estadual.

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Florianópolis, com frequência, é citada como “Ilha do Silício”, pela liderança do setor de tecnologia na economia, em alusão ao Vale do Silício, dos Estados Unidos. Mas Décio ampliou, dizendo que “SC é o nosso Vale do Silício”.  

Em entrevista à coluna logo após a premiação, ele disse que tem viajado pelo Brasil e, pelo que tem observado, é visível a diferença que SC hoje representa nessa área de tecnologia e inovação.  

Na terça, o Estado conquistou os prêmios “Ecossistema de Inovação – Grande Porte” pela cidade de Florianópolis. A empresa NanoScoping, da capital, foi reconhecida com três troféus e a Holding Christal, de Timbó, um.

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SC é presença frequente no palco desse prêmio que é considerado o “Oscar” da inovação do país. Ele é realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Sebrae Nacional, por meio da Mobilização Empresarial pela Inovação, que envolve outras entidades.

Nessa entrevista, Décio Lima também fala sobre os novos desafios da neoindustrialização, que inclui inovação, preservação ambiental e inclusão e, comenta também sobre a economia do país. Confira:

Como o senhor avalia o fato de Santa Catarina ter conquistado cinco troféus no Prêmio Nacional de Inovação?

– Acho que Santa Catarina é um paradigma na construção deste momento extraordinário que a humanidade vive, onde nós estamos vendo e vivendo um processo de transformação da vida e da economia. O próprio capitalismo se movimenta na expressão da acumulação da riqueza.

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Se nós observarmos, os mais ricos do mundo não são os mesmos de 10 anos atrás, são aqueles que, justamente, desenvolveram os processos da Inteligência Artificial. Então, nós estamos diante de um grande desafio, e Santa Catarina fez uma construção histórica, com uma percepção daquilo que estava já acontecendo no mundo.

É por isso que as premiações aqui dadas às iniciativas do Estado de Santa Catarina revelam claramente o nosso pioneirismo no contexto do Brasil no campo da inovação e da Inteligência Artificial.

Eu tenho andado pelo Brasil, participei de praticamente todos os eventos que envolvem a construção das feiras, dos encontros vinculados às startups, os eventos que, inclusive, produzimos de caráter internacional no Rio de Janeiro, os eventos em vários estados, e é visível a diferença que Santa Catarina, hoje, representa. 

Eu diria que Santa Catarina é o nosso Vale do Silício, com potencial extraordinário para dar ao Brasil, inclusive, este grande desafio no que consegue a contribuição que precisamos, porque o Brasil precisa voltar à industrialização, e a industrialização não é mais a da fábrica, não é a robotização, é justamente a nova industrialização, a neoindustrialização que ela tem que ser produzida com a inteligência artificial. 

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Então, veja o potencial que o nosso Estado tem, com esse destaque nas premiações, nesse encontro que estamos realizando aqui em São Paulo.

Esse resultado tem a ver com a união de esforços do setor privado, setor público e universidades?

– Eu sempre sou daquele que quanto mais abelha mais mel, né? A inclusão dos vários atores traz um conceito que é indiscutível, que é o que diferentes, mesmo no mutualismo, encontram as soluções. Eu sempre digo que toda hegemonia é burra, mas a convivência na divergência, ela estabelece a possibilidade da criação de novas ideias.

Eu acho que Santa Catarina conseguiu reunir essa complexidade, de tratar as coisas públicas com a privada, e fazer com que haja um sentimento unificado dentro de uma visão econômica e de interesses difusos. No meu ver, foi isso que permitiu que chegássemos a esse patamar.

Um desafio que está preocupando o mundo todo é a questão climática. Muitas empresas estão investindo nesse setor. Como está a atuação do Sebrae nesse tema? 

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– Olha, nós temos trabalhado três formulações que vocês irão concordar que são fundamentais. A primeira delas é, evidentemente, a sustentabilidade do mundo. Nós não podemos mais continuar com um processo econômico destrutivo do planeta. Isso ninguém mais tolera, nem o próprio planeta. O Brasil deu salto de qualidade histórico, principalmente com a construção da energia renovável.

Hoje, 87% do nosso consumo energético não é agressivo ao planeta. Nós temos a Amazônia, que é um patrimônio não do Brasil, é um patrimônio para manter a sustentabilidade do mundo, então é uma riqueza que precisa ser utilizada. Ao mesmo tempo, nós temos a inovação que, como a gente sabe, é irreversível.

O outro tripé é a inclusão, que é o que o presidente Lula está ensinando para o mundo. Colocar o povo no orçamento, um estado social, um estado que não seja feito apenas para ter um mundo limpo, um mundo sustentável, uma inteligência revolucionária no processo econômico, e ter pessoas excluídas, isso é inconcebível.

Então, são três elementos que são fundamentais, e que eu acredito que são os novos conceitos que se agregam para um mundo melhor.

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Qual é a sua expectativa para a economia brasileira este ano? Como será até o final do ano? 

– É inacreditável o que o Brasil alcançou em pouco tempo, depois de um processo destrutivo da economia e das nossas relações com o mundo, porque a economia é globalizada. É inacreditável que hoje o FMI mudou a visão que ele tinha do crescimento do nosso PIB. Nós já alcançamos três vezes mais do que a previsão do FMI, nós estamos vivendo um superavit da balança comercial brasileira, que é o maior da nossa história.

Alcançamos já uma empregabilidade de 1,2 milhão de novos empregos, e estamos vivendo uma supersafra, onde nós vamos ter em torno de 15% de estoque.

Isso revela o extraordinário momento para economia brasileira: recuperar o tempo perdido e colocar de novo o mundo de inclusão para o Brasil, para que o país possa sair do mapa da fome.

A última questão que tem que ser observada é a liderança do Brasil. O Brasil, hoje, é presidente do Mercosul e do G20, e cria uma nova ordem econômica mundial, que é o Sul Global, que se transformou numa aglutinação do maior PIB do planeta.

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Isso vai mudar a correlação de forças, para podermos ter uma sociedade e uma humanidade mais justa. Essa liderança é do Brasil. O Brasil está liderando uma força econômica, hoje, no mundo inteiro e os resultados serão, também, fantásticos para nossa economia.

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