O ano começa com novos desafios para a multinacional Engie Brasil Energia, líder no mercado brasileiro em energia renovável. Além das frentes de geração e transmissão, onde a companhia tem projetos bilionários sendo implantados, uma prioridade é avançar em comercialização de energia no mercado livre, agora aberto também para as pequenas empresas, com conta de luz a partir de R$ 10 mil.

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O diretor-presidente da companhia, Eduardo Sattamini, informa que do plano de investimentos de R$ 14 bilhões para três anos anunciado em 2023, a maior parte, aproximadamente R$ 6 bilhões, será investida neste ano de 2024. São dois grandes parques eólicos e uma usina solar no Nordeste, e uma linha de transmissão. A geração vai somar 2 gigawatts (GW) e elevará em 25% a geração da Engie Brasil Energia.

Além disso, a Engie segue como referência em investimentos sociais no Brasil. Um dos programas que desenvolve é o Parcerias do Bem, no qual investe em projetos junto com empresas parcerias. No final do ano passado, Sattamini liderou evento na sede da empresa, em Florianópolis, onde alguns exemplos desse trabalho no Brasil foram apresentados. Saiba mais na entrevista de Sattamini a seguir.

A Engie anunciou em 2023 um grande plano de investimento de três anos. Qual é o montante desse plano e quanto planejam investir em 2024?

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– Podemos dizer que temos um plano de investimento comprometido para os próximos dois a três anos da ordem de R$ 14 bilhões. Neste ano que se inicia, vamos investir aproximadamente R$ 6 bilhões, a grande parte em parques eólicos.

Tem um parque eólico em fase final que é o Conjunto Eólico Santo Agostinho, no Rio Grande do Norte. Tem um outro parque eólico  em construção que está começando, que é o Serra do Assuruá, na Bahia. E temos o Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, que é um grande parque de geração solar no Rio Grande do Norte.

Ao todo, em termos de geração, estamos falando em um acréscimo de 2 gigawatts (GW) com esses investimentos. Para uma empresa que tem 8,2 gigawatts (GW), estamos falando de um crescimento de 25% nesses dois anos.

Além disso, estamos começando o projeto Asa Branca, que é uma linha de transmissão entre os estados da Bahia, passando por Minas Gerais e que vai até o Espírito Santo. É uma linha de mil quilômetros, com algumas subestações. O investimento será da ordem de R$ 3,5 bilhões. Por isso, o grande volume de investimentos vai acontecer em 2024 e um pouco, em 2025.

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Com esses novos investimentos, como fica a posição da empresa entre os maiores geradores do Brasil?

– Nós somos a maior empresa de energia renovável do país e vamos continuar com essa liderança após esse crescimento, com certeza. Não somos o maior gerador privado, posição hoje da Eletrobrás. Mas ela precisa se desfazer de ativos a carvão e geração fóssil (ela é geradora a gás natural) para ser uma empresa 100% de energia renovável.

A Engie não gera mais com gás natural?

– Não geramos. Nós vendemos a usina Willian Arjona há cerca de três anos. Depois, terminamos de vender as usinas a carvão e aí saímos completamente dos combustíveis fósseis.

Vocês têm algum projeto para geração hidrelétrica?

– Não temos. Hoje, no Brasil, não tem ninguém construindo usina hidrelétrica (grande). É possível construir PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), mas isso sai fora do nosso radar. A última vez que a gente adquiriu usinas hidrelétricas foi em 2017, usinas da Cemig que foram relicitadas.

O que a gente tem visto agora é que as empresas estatais que teriam suas concessões vencendo como a Copel, a Cemig e a própria Eletrobras, arrumaram outro jeito de fazer essas renovações, através de privatizações para valorizar as empresas.

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Isso foi feito com a Eletrobras e com a Copel. A Cemig estava nesse processo, mas aí estão falando da federalização dela para pagamento da dívida do Estado de Minas Gerais com a União. Não sabemos se vai acontecer. É um pouco contra o fluxo normal das coisas, mas é possível que aconteça. Então, em hidroeletricidade, a gente só vai crescer se fizer aquisições de ativos existentes.

Acaba de entrar em vigor este ano nova regra para aderir ao mercado livre de energia. Pequenas empresas, com conta de luz a partir de R$ 10 mil por mês, podem participar. Qual é a expectativa da empresa para esse mercado?

– Nossa expectativa é grande. Tanto é que a gente passou a investir mais forte na mídia, em campanhas em massa para atingir um conjunto maior de pessoas. O número de empresas que podem aderir a esse mercado, agora, cresceu umas 10 vezes. Tínhamos cerca de 15 mil e, agora, temos cerca de 150 mil potenciais compradores nesse mercado de energia livre, com a abertura total do mercado de alta tensão.

Com isso, a gente precisa ter mecanismos para chegar aos potenciais clientes de uma forma mais rápida e eficiente. Então, investimos muito em comunicação, em digitalização e em parcerias para que a gente possa alcançar esse cliente de forma rápida, eficiente e com o menor custo possível.

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A Engie atua forte também na área de transmissão de energia. Como avalia esse mercado?

– A gente tem perspectivas de crescimento grande com as linhas de transmissão. Hoje, temos três ativos e vamos construir o quarto grande ativo, o projeto Asa Branca. Isso nos posiciona como um player relevante. É um mercado muito pulverizado ainda, tirando as estatais.

Mas nós começamos a ter um pouco mais de voz dentro desse segmento da indústria e, nos próximos dois ou três anos, a transmissão deve representar um segmento importante de crescimento da companhia, sempre através de leilões.

A companhia se destaca também em projetos sociais. Um deles é o Parcerias do Bem, em que investe em projetos sociais em todo o Brasil com empresas parceiras. Como surgiu essa iniciativa?

– Nós tivemos algumas fases no desenvolvimento da responsabilidade social dentro da companhia. A gente sempre teve esse lado social bastante aflorado na empresa porque sempre que a gente construía hidrelétricas, tinha impacto social, afetava a população, tinha impacto ambiental e precisava ter contrapartidas.

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Então, a gente sempre teve nas proximidades das nossas usinas hidrelétricas muitos trabalhos sociais. Aí começamos a montar os centros de cultura. Encontramos uma maneira de deixar um legado também para aquela comunidade, mas isso passou a ser pouco na nossa avaliação.

Então como crescer, chegar um pouco mais próximo do nosso cliente, para atendê-lo melhor e trazê-lo para projetos sociais? Foi assim que pensamos em fazer parcerias, em ser sócios dos nossos clientes em projetos sociais.

O projeto “Produtos Sociais” surgiu por volta de 2019. Em 2020, com a pandemia, a gente começou a fazer o “Mulheres do nosso bairro”, voltado para uma situação específica de mulheres na fase da pandemia. Naquela fase aumentava muito a violência doméstica porque os homens não podiam sair de cada.

Então, como a gente poderia valorizar, dar dignidade para a mulher? Foi aí que a Luciane Nabarrete (diretora de Pessoas, Processos e Sustentabilidade da Engie) trouxe o projeto (Parcerias do Bem) no final de 2020.

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Em 2021, a gente ampliou, para crescer. Aí passamos de dois a três projetos para mais e hoje estamos com quase 70 projetos com os nossos parceiros. Esses parceiros são clientes, fornecedores, competidores e outros. Não importa quem seja, se quiser fazer o bem de uma maneira responsável e sustentável, a gente é parceiro.

Por que nesse grupo de parceiros da Engie no social muitas empresas são catarinenses?

– Isso acontece porque quando começamos a compartilhar informações sobre responsabilidade social foi através da relação com a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), quando lançamos um programa de capacitação para empresas do Estado.

Lançamos isso há seis ou sete anos porque, naquela época, olhamos para empresas catarinenses e observamos que um número muito pequeno delas investia os seus recursos incentivados na totalidade. E a gente, normalmente, gastava mais do que os nossos recursos incentivados (aqueles percentuais permitidos por lei para doações para Fundo da Infância e Adolescência, Fundo do Idoso e outros).

Quando a gente identificou isso, um dos programas que implantamos foi para educar as empresas do Estado a utilizar os recursos para o social. Aí fizemos uma parceria com a Fiesc e lançamos o programa Capacitar.

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Criamos cartilhas para capacitar as empresas e os projetos sociais para que eles pudessem se tornar aptos a utilizar aqueles recursos, como um projeto se cadastra dentro de diversos órgãos do governo para ter acesso a recursos incentivados. Isso aí gerou essa corrente do bem e muitas empresas catarinenses acabaram se juntando a nós e nos tendo como referência em empresa responsável socialmente.

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