nsc
    nsc

    Opinião

    Prefeito de Itajaí é médico, mas age como benzedeiro no combate ao coronavírus

    Compartilhe

    Evandro
    Por Evandro de Assis
    04/08/2020 - 08h12 - Atualizada em: 04/08/2020 - 21h50
    Além da cânfora, Itajaí adotou a ivermectina e, agora, o ozônio
    Além da cânfora, Itajaí adotou a ivermectina e, agora, o ozônio (Foto: Reprodução)

    Itajaí é exemplo sui generis de combate à pandemia do novo coronavírus em Santa Catarina. Embora seja médico, o prefeito Volnei Morastoni escolhe políticas de saúde com a precisão científica de uma benzedeira. Na cidade, faltam UTIs, testes e controle da Covid-19, mas sobram medicamentos duvidosos e promessas mirabolantes de cura.

    > Aplicação retal de ozônio para tratar coronavírus deve ser cancelada em Itajaí, recomenda MP-SC

    Em Itajaí, para um contingente de 3.648 pessoas infectadas há 105 mortos. É um índice de letalidade próximo de 3%, superior a cidades como Joinville (1,7%), Florianópolis (1,5%) e Blumenau (0,6%). Com 200 mil moradores, a cidade teve, apenas em julho, mais mortes que Blumenau (357 mil habitantes) em toda a pandemia.

    > Clique aqu para receber notícias do Vale do Itajaí pelo WhatsApp.

    A explicação óbvia é a subnotificação de casos, por falta de testagem. Como a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em 0,6% a taxa de letalidade da Covid-19, pode-se deduzir que, para cada caso confirmado, Itajaí deva ter outros quatro desconhecidos.

    Sem saber quem são e por onde circulam os doentes, o município permite que continuem transmitindo o vírus. Não à toa as UTIs da Foz do Itajaí Açu estão no vermelho desde maio.

    Então, como os fatos e a ciência não oferecem boas notícias à população, a prefeitura tratou de criar os próprios fatos e o próprio conhecimento científico. Primeiro foi a cânfora, depois a ivermectina e, agora, o ozônio.

    Ozônio

    Morastoni promete inscrever Itajaí em um estudo nacional sobre a aplicação de ozônio no tratamento de coronavírus e, antes mesmo de qualquer conclusão, garante que ela tem "um excelente resultado". Isso para quem topar a aplicação retal do medicamento — num país em que homens evitam o exame de toque para combater o câncer.

    Morastoni transformou Itajaí em um grande laboratório e os itajaienses, em cobaias. Baseia-se em "aulas" de uma médica ultrassonografista (?!) paulista disponíveis no YouTube. E garante: os remédios "não fazem mal nenhum". As garrafadas das benzedeiras, idem.

    — Nós vamos fazer tudo, o impossível, para ajudar a nossa população.

    Melhor para os itajaienses se Morastoni começar pelo possível.

    Deixe seu comentário:

    Últimas do colunista

    Loading...

    Mais colunistas

      Mais colunistas