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Transporte coletivo de Blumenau já não anda com as próprias rodas

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Por Evandro de Assis
08/08/2021 - 07h00
Pesquisa do Ipea mostra que dilema do transporte público é nacional
Pesquisa do Ipea mostra que dilema do transporte público é nacional (Foto: Patrick Rodrigues, BD, Santa)

Faz cinco anos que Blumenau passou uma semana inteira sem ônibus para trocar o Consórcio Siga pela Viação Piracicabana, atual Blumob. Ingenuamente, a cidade acreditou ser aquele o ápice da crise no transporte coletivo: greves por falta de pagamento dos salários, ônibus em mau estado e passageiros abandonando o sistema. Ledo engano. Uma sucessão de crises trouxe o sistema de ônibus urbanos a um estágio em que já não anda com as próprias rodas. Tornou-se inviável.

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O número de usuários segue caindo, processo agravado pela pandemia de Covid-19, a prefeitura precisou bancar parte dos custos com subsídios milionários, motoristas e cobradores voltaram a fazer paralisações, desta vez exigindo a reposição da inflação nos salários, e a Câmara de Vereadores abriu uma CPI para investigar o contrato.

O transporte coletivo de Blumenau tornou-se ruim demais para atrair novos passageiros e, porque tem poucos passageiros, caro demais para se manter. Deve-se admitir que o modelo não para mais em pé. Nem aqui e nem na maior parte do país.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional, divulgado nesta semana, mostra que o número de passageiros de ônibus urbanos nas regiões metropolitanas do país em 2018 representava 60% do contingente transportado na década de 1990. A população cresceu, mas usa menos os ônibus.

Em contrapartida, aumentaram a frota de motocicletas e automóveis (330% de 2001 a 2020) e o tempo de deslocamento das pessoas até o trabalho. Estímulos à indústria automotiva e subsídios ao preço dos combustíveis explicariam em parte o fenômeno. No caso dos ônibus, entretanto, as passagens subiram acima da inflação, afugentando passageiros.

O que resulta dessa combinação é um sistema ineficiente e caro, que afasta quem tem outra opção de transporte e nega a famílias pobres o direito de ir e vir. Conforme a pesquisa do Ipea, investir no transporte público dinheiro advindo da cobrança de impostos não seria suficiente para resolver o problema. Os pesquisadores sugerem que o custo dos ônibus seja bancado, em parte, por quem usa o carro. A arrecadação de uma Área Azul mais abrangente e rigorosa (com parquímetros) ou uma parcela da cota municipal do IPVA poderia ser destinada a subsidiar o sistema público.

Como se viu pela reação de sete entidades empresariais de Blumenau à paralisação da última segunda-feira, as soluções para essa encruzilhada interessam a todos.

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