Nos primeiros 58 dias da Operação Veraneio em Santa Catarina, 37 pessoas morreram afogadas. Se comparado o mesmo período com a temporada anterior, são apenas duas mortes a menos. Oficialmente, a operação encerra-se neste domingo (18), mas o Corpo de Bombeiros segue atuando na etapa pós-temporada, já que com as altas temperaturas, a busca por praias, rios, piscinas e cachoeiras deve seguir.

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Na temporada passada (de 15 de outubro de 2022 a 26 de fevereiro de 2023), 89 pessoas perderam a vida por afogamento. Para especialistas, o risco de as pessoas se afogarem está no desconhecimento desses ambientes, na falta de respeito à sinalização e orientações dos bombeiros. Além dos exageros que tendem a tomar conta nos momentos de lazer, como o consumo de álcool.

Seja nas águas salgadas ou doces, o afogamento acontece por fatores que fogem do controle da pessoa que está se banhando nesses ambientes, por isso é fundamental não superestimar as suas capacidades. O alerta é do coronel Zevir Anival Cipriano Júnior, comandante da 1º Região Bombeiro Militar, área responsável pelo litoral catarinense, que concentra a maior parte da Operação Veraneio.

– Entre os perigos permanentes está a profundidade da água, que é um risco potencial e deixa a pessoa dependente apenas da sua habilidade de natação. Essa vulnerabilidade independe se a pessoa está na praia ou em um rio.

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Nos ambientes de água doce (cachoeiras, lagos, lagoas, rios, represas e córregos) os índices de afogamento são maiores que em água salgada, avalia o especialista:

– As famílias que residem no interior, por exemplo, utilizam muito esses espaços para lazer nos dias de calor, mas infelizmente na maior parte das vezes desconhecem os riscos. Por isso, a indicação é que procurem espaços sinalizados ou mesmo com vigilância profissional e claro, jamais se aventurem, pois, podem ser surpreendidos e não conseguirem ser salvos – ressalta o coronel Zevir.

Para o militar, existem três pilares primordiais para se divertir em um ambiente aquático e diminuir o risco de as pessoas se afogarem: olhar as sinalizações e ter conhecimento do local, preparo e senso de autoprevenção.

Oceanógrafo alerta sobre correntes de retorno

Entre os perigos não permanentes, mas que são corriqueiros, estão as correntes de retorno. O oceanógrafo Argeu Vanz, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Ciram), explica que o fenômeno acontece quando depois de chegar à praia as ondas precisam voltar para o oceano. O evento que tecnicamente tem partes conhecidas como boca, pescoço e cabeça, puxa as pessoas para o mar.

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O que significam as cores das bandeiras nas praias

Normalmente, no local não tem quebra de ondas e a água tem uma cor mais escura devido à maior profundidade e agito da sedimentos e mesmo areia do fundo.

– A primeira coisa que as pessoas precisam fazer quando chegam à praia, se monitorada pelo bombeiro, é olhar para as bandeiras vermelhas perpendiculares à praia (e não só para aquela pendurada no posto salva-vidas). Mas existe uma corrente mais traiçoeira, que às vezes começa na praia e fica longitudinal, quebrando em outro lugar – orienta Vanz.

Para o oceanógrafo, segue valendo a máxima: água sempre até o umbigo.

– As pessoas devem saber que uma corrente de retorno “anda” três metros por segundo, ou seja, nem um nadador olímpico consegue vencê-la. Além disso, o fundo oceânico não é perfeito como um assoalho, ele tem cava (buracos) e bancos. Pessoas que não conhecem o local precisam prestar atenção, principalmente crianças, mais vulneráveis, assim como idosos, e os jovens, que gostam de se aventurar – observa.

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Com a experiência de quem conhece a realidade das praias, o oceanógrafo faz elogios ao trabalho de prevenção feito atualmente pelos bombeiros, que não ficam esperando as pessoas cair num buraco ou ser tragado pela água:

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– O bombeiro, ao ver que a pessoa está se aproximando do perigo, vai de quadriciclo até o lugar e chama o banhista de volta. Com certeza, essa atitude tem salvado muito mais.

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População precisa mudar comportamento

Os números de pessoas que se afogam em águas catarinenses têm chamado a atenção. Mas a situação seria muito pior sem ações dos bombeiros. Até o último dia 11, foram quase 3 mil salvamentos. Para se ter uma ideia, a cada 15 minutos uma pessoa é atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar de SC.

Em 58 dias, de 16 de dezembro de 2023 a 11 de fevereiro deste ano, foram salvas 2.948 pessoas que estavam em situação de risco, sendo por arrastamento em correntes de retorno ou afogamentos no litoral catarinense. Mas os bombeiros alertam sobre a necessidade de uma mudança de comportamento das pessoas.

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Um dos avisos é sobre a necessidade de evitar nadar sozinho. Em seguida, outro alerta que pelo desespero nem sempre é obedecido: não se deve tentar salvar pessoas em afogamento sem estar devidamente habilitado, ou seja, saber nadar. Só nesta temporada, cinco pessoas perderam a vida por tentarem salvar outras que estavam se afogando. Em casos assim, prefira lançar flutuadores para salvar pessoas ao invés da ação corpo a corpo.

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É preciso confiar também no guarda-vidas civil voluntário (GVCV) que atua no litoral catarinense durante a Operação Veraneio. Esses profissionais passam por curso de certificação para trabalhar em ambientes aquáticos. Todos atuam sob a supervisão dos militares do Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina (CBMSC). Os cursos preparatórios incluem questões sobre sinalização de praia, orientações para os banhistas, sinais sonoros (apito).

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Já os testes de aptidão física são atualizados rotineiramente, seguindo o padrão internacional de salvamento aquático e proporcionam que o GVCV realize provas que simulam a rotina de trabalho e capacitado para realizar atendimento pré-hospitalar (APH). Outro fator destacado pelo comando dos bombeiros de SC são as ações de prevenção realizadas: quase 10 milhões.

Mais de 6,2 mil crianças foram formadas no projeto Golfinho, que completou 25 anos em janeiro e já formou cerca de 100 mil crianças. O programa inclui atividades educativas em segurança de praias, oferecido durante a temporada, e são trabalhados aspectos de prevenção e conscientização sobre os perigos do mar, cidadania e meio ambiente com meninos e meninas de sete a 14 anos.

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