O desdobramento das investigações sobre o Banco Master atingiu um novo patamar de gravidade, sinalizando que o caso ultrapassou a esfera técnica para se tornar um teste de estresse político no Congresso. Com o avanço da CPMI do INSS, a Justiça autorizou o acesso total às contas bancárias, dados fiscais e registros de comunicações de Daniel Vorcaro. O empresário é alvo de convocação para explicar indícios de irregularidades que incluem a ausência de lastro contratual, suspeitas de fraude e desvios que podem somar cifras bilionárias.

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A ofensiva da comissão mista surge como uma alternativa estratégica ao impasse político. Enquanto a CPI exclusiva do Banco Master permanece paralisada — em um cenário descrito nos bastidores como “modo avião” — a CPMI do INSS tornou-se o principal canal para desvendar a profundidade das supostas fraudes e a extensão dos danos ao sistema previdenciário.

Esquema de contratos “fantasmas” e bloqueios no INSS

As investigações que pesam sobre o Banco Master detalham um esquema de operacionalização irregular de empréstimos consignados voltados a aposentados e pensionistas. De acordo com os autos, a instituição teria viabilizado mais de 250 mil contratos considerados “fantasmas”, muitos dos quais sem qualquer evidência de autorização ou aval por parte dos beneficiários.

O volume de reclamações e indícios de fraude provocou uma série de bloqueios administrativos por parte do INSS, que tenta estancar o desconto indevido diretamente na folha de pagamento dos segurados. A CPMI apura se o banco utilizou bases de dados vazadas para simular assinaturas digitais, criando dívidas para pessoas que sequer tinham ciência das operações. Parlamentares classificam o episódio como uma “fábrica de consignados”, onde a velocidade do crescimento da carteira do banco teria sido impulsionada por práticas predatórias que agora ameaçam a estabilidade financeira de milhares de famílias brasileiras.

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Congresso apura gestão de bilhões de institutos de previdência estaduais

A investigação sobre o Banco Master ganhou uma nova e grave dimensão. Além dos problemas com empréstimos, a CPMI do INSS agora apura como o banco gerenciava bilhões de reais pertencentes a institutos de previdência de estados como Rio de Janeiro (Rioprevidência) e Pará (Igeprev).

O foco dos parlamentares recai sobre a solidez dos fundos de investimento onde esses recursos foram alocados. Há suspeitas de que o banco tenha direcionado o capital de aposentados e servidores estaduais para ativos de alto risco ou sem liquidez imediata, colocando em xeque a sustentabilidade do pagamento de benefícios futuros. O relator da comissão busca entender se houve pagamento de taxas de administração acima do mercado ou favorecimento indevido na escolha da instituição para a custódia desses valores, que formam a reserva estratégica da previdência pública estadual.

Decisão de André Mendonça no STF e o novo impasse sobre o depoimento de Vorcaro

O governo federal e setores do Congresso agem para evitar que o caso cause pânico no mercado financeiro, mas o embate jurídico ganhou novos contornos nesta segunda-feira (23). O depoimento de Daniel Vorcaro, cercado de expectativa, foi cancelado após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou o comparecimento do empresário facultativo.

Amparado pela decisão, o dono do Banco Master desistiu de prestar esclarecimentos ao colegiado. A desistência de Vorcaro em depor é vista como o lance mais recente de um xadrez jurídico que agora depende da análise dos dados sigilosos pelo Congresso. Apesar da ausência física, a cúpula da CPMI considera a manutenção da quebra de sigilos — também confirmada pelo STF — como uma vitória estratégica para o avanço das investigações.

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Cronologia do caso: da ascensão do Banco Master ao impasse no Supremo

“Loteria do STF”, CPI e mais notícias sobre o Caso Master