No dia 6 de março, os familiares da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, que moram no Rio Grande do Sul, perceberam que a corretora, que morava em uma pousada no Norte da Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, apresentou um comportamento estranho. Naquele dia, ela não havia entrado em contato com a mãe para desejar feliz aniversário. A partir daí a família de Luciani vive dias de pesadelo, com o caso completando um mês neste sábado (11).
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Depois de ficar desaparecida por mais de uma semana, o corpo de Luciani foi encontrado no dia 11 de março em Major Gercino, há cerca de 109 quilômetros da Capital catarinense. Desde então, a Polícia Civil iniciou uma intensa investigação, que culminou na prisão de três pessoas poucas horas após o corpo ter sido encontrado. O crime é investigado como latrocínio, com roubo seguido de morte.
No entanto, a família ainda vive uma angústia. Isso porque, mesmo após um mês, o corpo da gaúcha passa por perícia e, até o momento, a família ainda não conseguiu realizar o velório e enterro da corretora no Rio Grande do Sul, como já divulgado que é da vontade dos familiares.
Nesta sexta-feira (10), o NSC Total conversou com a irmã de Luciani, Mônica Estivalet, que afirmou que foi informada pelo laboratório responsável que a perícia está na “reta final”.
— Nos foi informado que meados da metade da semana que vem vai ser liberado o DNA para que o corpo seja liberado — disse.
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A Polícia Científica destacou que o corpo ainda está no setor de Genética e Toxicologia, ainda aguardando confirmação. Foram coletadas amostras que, de acordo com a Polícia Científica, o resultado pode levar entre 20 a 40 dias para ser concluído. Se contabilizado em dias corridos, o prazo finalizaria no dia 26 de abril. Se contabilizado apenas os dias úteis, esse prazo pode chegar até o dia 14 de maio.
Quem era Luciani?
Quem está preso suspeito pela morte da corretora gaúcha?
Ao todo, três pessoas estão presas suspeitas pela morte da corretora gaúcha: Ângela Maria Moro, de 47 anos, Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e a companheira dele, de 30 anos. A prisão temporária de Ângela foi prorrogada nesta semana.
Angela foi presa em flagrante no dia 12 de março por estar em posse de diversos bens pertencentes à Luciani. Ela é responsável pela pousada onde a corretora morava, no Norte da Ilha. Perguntada pelos policiais, Angela disse que Matheus, que também morava na pousada, pediu para que ela guardasse objetos relacionados à corretora em um dos apartamentos desocupados da pousada.
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No apartamento, foram encontradas malas com pertences pessoais, além de outros bens adquiridos por Matheus, como dois arcos de balestra, controles de videogame, e uma televisão.
Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março. As mercadorias seriam entregues em um endereço no norte da Ilha. Os policiais realizaram vigilância no local e avistaram o momento em que um adolescente chegou para retirá-los.
Ele, então, teria dito que as mercadorias eram de seu irmão, Matheus, e que moraria com a família no mesmo bairro que Luciani, local em que posteriormente foi encontrado o carro da mulher que, na época, estava desaparecida.
Segundo a Polícia Civil, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco partes.
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O que a investigação indica como papel de cada suspeito até o momento?
De acordo com o Ministério Público, as provas até então apresentadas mostram que Matheus teria tido atuação central na execução do crime, assim como posteriormente teria subtraído e utilizado os bens de Luciani. Além disso, a companheira de Matheus, presa com ele, também teria tido “participação ativa, tanto no contexto da execução quanto na fruição do proveito econômico do delito e na evasão”. Já Ângela teria ocultado os bens e os vestígios, com uma “possível atuação na própria prática homicida, com indícios de envolvimento desde momento anterior à descoberta dos fatos pelas autoridades”.
“Os elementos foram apresentados para justificar a prorrogação da prisão temporária de Ângela. Tais elementos evidenciam não apenas a gravidade concreta da conduta investigada, marcada por extrema violência, planejamento prévio e esquartejamento do corpo da vítima, mas também a pertinência e a imprescindibilidade da manutenção da prisão temporária para ratificar os elementos já produzidos, evitar a combinação de versões, impedir a destruição de provas e garantir a adequada reconstrução da dinâmica criminosa“, diz o documento.
Para o Tribunal de Justiça, que concordou em manter a prisão temporária de Ângela, a soltura da suspeita “representaria um risco concreto e iminente à coleta de outros elementos probatórios e à completa individualização das condutas de todos os envolvidos, notadamente porque, caso solta, não há como impedir a destruição de provas, de modo a frustrar a elucidação integral do caso”.
O inquérito ainda não foi concluído pela Polícia Civil e, por isso, ainda não há confirmações sobre os reais papéis dos suspeitos no crime.
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Os elementos envolvidos na investigação
A investigação sobre a morte da corretora envolve diversos elementos complexos que dificultam o andamento das diligências. De acordo com a polícia, a investigação parte desde testemunhas ainda não localizadas até laudos periciais que ainda não foram concluídos.
Conforme um documento do Ministério Público, a apuração sobre a morte de Luciani envolve:
- múltiplos investigados;
- fuga interestadual de corréus (dois dos investigados foram presos no Rio Grande do Sul enquanto tentavam fugir);
- testemunhas ainda não localizadas;
- extrações de telefones ainda pendentes;
- quebras de sigilo em processamento;
- laudos periciais ainda não concluídos, inclusive genéticos.
Como o sumiço de Luciani foi descoberto
A última vez que Luciani havia sido vista foi na Praia dos Ingleses, no dia 4 de março. A família começou a desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.
De acordo com os irmãos, ela também mandava figurinhas e emojis, o que não era o habitual, desde o dia 4 de março, quando ela foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da Ilha. De acordo com informações da Polícia Civil, que analisou imagens de câmeras de segurança, o carro dela foi visto por volta das 2h na região. Depois, às 4h, foi visto atravessando a Via Expressa, já na Grande Florianópolis e, por volta das 9h, entrando na Ponte Pedro Ivo Campos, na Capital.
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O boletim de ocorrência foi registrado no dia 9 de março. No mesmo dia, o irmão da corretora, Matheus Estivalet Freitas, que mora em Itapema, no Litoral Norte, foi até o apartamento de Luciani acompanhado de policiais e gravou um vídeo, mostrando comidas estragadas e louça suja acumulada na cozinha.
Outro caso pode estar relacionado à morte de Luciani
No dia 18 de março, um corpo que foi encontrado esquartejado dentro de uma mala na Praia do Santinho em dezembro de 2025, em Florianópolis, foi identificado pela polícia. Segundo o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), trata-se de Alberto Pereira de Araújo, de 29 anos.
No mesmo dia, a polícia descobriu que Alberto morava na mesma pousada que Luciani, a partir de informações e uma foto de Alberto com moradores antigos da pousada. Ele estava desaparecido desde dezembro. O desaparecimento do homem não havia sido registrado pela família, natural de São Paulo, já que não havia contato próximo entre os familiares e Alberto há algum tempo.
Alberto era natural de Laranjal Paulista, mesma cidade de Matheus, um dos investigados pelo envolvimento na morte da corretora.
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Na quinta-feira (9), Matheus foi ouvido pela primeira vez pela Delegacia de Homicídios, em Porto Alegre, onde está preso, em relação ao caso de Alberto, já que ele é considerado um dos principais suspeitos pelo crime. Matheus, no entanto, negou qualquer envolvimento com a morte do jovem e disse que conhecia Alberto “apenas de vista”.
As duas investigações são realizadas de forma independente. Sobre a morte de Luciani, o caso é conduzido Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, enquanto em relação à Alberto, a apuração está sendo feita pela Delegacia de Homicídios da Capital.






