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Chapecó volta a adotar rodízio no consumo de água por conta da estiagem

Ao todo 14 bairros terão o fornecimento interrompido durante a noite; situação pode se agravar nos próximos meses

03/05/2021 - 14h21

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Maria Eduarda
Por Maria Eduarda Dalponte
Falta de água em Chapecó afeta fornecimento urbano e rural
Falta de água em Chapecó afeta fornecimento urbano e rural
(Foto: )

Um rodízio preventivo de fornecimento de água para os bairros de Chapecó foi adotado pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) para tentar amenizar os efeitos da estiagem na região. A seca já dura um pouco mais de 20 meses na cidade.

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A Barragem do Engenho Braun, conhecida como Captação do Lajeado São José, teve uma grande redução no volume de água no último mês, o que gerou a ação da Casan de organizar um novo cronograma de rodízio para evitar transtornos maiores caso a seca se prolongue.

Com volume de chuvas 50% abaixo do normal nos últimos três meses, e sem perspectivas para os próximos dias, 14 bairros começam a receber água somente durante o dia, entre 7h e 19h. À noite não há abastecimento.

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As regiões mais baixas desses bairros conseguem ter um reabastecimento mais rápido depois que o sistema for religado pela manhã. Os outros locais da cidade não serão afetados, mas a recomendação é de que a água seja utilizada apenas para higienização e produção de alimentos. Nada de lavar carros, calçadas, por exemplo.

Bairros com abastecimento suspenso durante a noite

Regiões baixas dos bairros:

Alvorada Cristo Rei Eldorado Jardim Itália Lajeado Palmital Passo dos Fortes Quedas do Palmital SAIC Santa Paulina Santo Antônio Santos Dumont Seminário Universitário

Previsão para os próximos meses

A previsão para os meses de maio e junho é de precipitação abaixo da média histórica para Santa Catarina, principalmente entre o Meio-Oeste e Extremo Oeste catarinense. 

Os próximos meses indicam um período ainda mais seco. Entre os dias 13 e 17 de maio a previsão é de chuva fraca para a região de Chapecó e, em julho, há um indicativo de que as chuvas serão mais recorrentes. O problema é que esse volume não deve solucionar o problema da região, já que a previsão é de que sejam baixos, explica o metereologista da Epagri, Clóvis Corrêa.

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A situação da seca em Chapecó

Segundo o último Boletim Hidrometeorológico Integrado do Estado, divulgado no dia 23 de abril, o baixo volume de precipitação nos últimos dois meses provocou o agravamento da situação de estiagem em Santa Catarina. Chapecó ainda está em estado de atenção e vive uma seca moderada. 

As previsões para o próximo trimestre indicam um período ainda mais severo em relação à seca. Por isso, a Casan já prepara o racionamento de água na cidade como forma de prevenção.

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O governo do Estado retorna com os boletins quinzenais, que estavam suspensos, para acompanhar a situação do agravamento da seca.

As consequências da estiagem

Desde junho de 2019 a região enfrenta a falta de chuva prolongada e a consequente estiagem. Segundo o metereologista da Epagri, houve um aumento do abastecimento em alguns meses, como em janeiro de 2021, porém, a quantidade de água não foi suficiente para solucionar os problemas que surgem com a falta desse recurso por um longo período.

Guilherme Miranda, hidrólogo da Epagri, explica que o déficit hídrico de Chapecó vem se agravando a cada mês, com pouco acúmulo de água nos lençóis freáticos.

— A falta de chuva desde maio de 2019 na região é da ordem de mais 900 milímetros. Atualmente estamos com somente 13 milímetros de água no solo, considerando um balanço hídrico desde o início de 2019.

As consequências, para além da escassez para uso em atividades humanas diárias, atingem o abastecimento dos rios, os animais, o desenvolvimento de pastagem, a produção do leite e o calendário de plantio na região. 

A safra do milho, por exemplo, foi muito afetada. O engenheiro agrônomo da Epagri, Gilberto Luiz Curti, conta que o que seria destinado para grãos está sendo usado como alimento para os animais devido à qualidade, que não serve nem para fazer silagem para o gado.

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Essa é uma das secas mais severas da história. Outros períodos de estiagem rigorosa foram registrados em 1957 e 2005, de acordo com o metereologista Clóvis Corrêa. Chapecó registrou 16 dias sem chuva no mês de abril.

Recomendações na estiagem

• Evite banhos demorados;

• Mantenha a torneira fechada ao fazer a barba e ao escovar os dentes;

• Antes de lavar os pratos e panelas, limpe bem os restos de comida e jogue-os no lixo;

• Deixe a louça de molho na pia com água e detergente por uns minutos e ensaboe. Repita o processo e enxágue;

• Adote o hábito de usar a vassoura e não a mangueira para limpar a calçada e o quintal de sua casa;

• Não lave o carro durante a estiagem. Caso precise, use balde e pano para lavar o carro em vez de mangueira;

• Use regador para molhar as plantas no lugar de mangueira;

• Utilize a máquina de lavar somente quando estiver na capacidade total;

• No tanque, feche a torneira enquanto ensaboa e esfrega a roupa;

• Mantenha a válvula de descarga regulada, e conserte imediatamente vazamentos.

Atividades com maior desperdício de água

• Torneira gotejando: 40 litros diários;

• Torneira aberta durante 5 minutos: 80 litros diários;

• Banho de 15 minutos: 243 litros;

• Lavar a calçada com mangueira por 15 minutos: 279 litros.

*Sob supervisão de Augusto Ittner

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