nsc
dc

Coronavírus

"Daqui a pouco vai faltar cova nos cemitérios", diz prefeito de Lages ao defender restrições

Antonio Ceron decretou fechamento do comércio e a suspensão das aulas presenciais até a próxima segunda-feira (15)

08/03/2021 - 08h35 - Atualizada em: 08/03/2021 - 10h18

Compartilhe

Catarina
Por Catarina Duarte
Município da Serra vive situação "desesperadora" segundo o prefeito
Município da Serra vive situação "desesperadora" segundo o prefeito
(Foto: )

Após anunciar medidas mais restritivas no domingo (7), o prefeito de Lages, Antonio Ceron (PSD), defendeu que a tomada de ações em relação à pandemia deve partir dos gestores municipais. Em entrevista à NSC TV na manhã desta segunda-feira (8), Ceron afirmou que publicou um novo decreto depois de ouvir relatos das equipes de saúde do município. A situação, descreveu o gestor, é desesperadora.

> Clique aqui e receba as principais notícias de Santa Catarina no WhatsApp

— Nós estamos convencidos de que tomamos a medida mais necessária neste momento. Não adianta reclamar do Bolsonaro e do governo do Estado. Aqui em Lages o gestor não é nem o Bolsonaro, nem o Carlos Moisés. Em Lages quem tem que tomar atitude e arcar com as consequências é o prefeito e eu vou tomar. Eu teria um receio pessoal de consciência se eu pecasse por omissão — afirmou Ceron.

​> Imposto de Renda 2021: veja tudo que você precisa saber​

O decreto passa a valer a partir de terça-feira (9) e segue até a próxima segunda-feira (15). Apenas serviços essenciais podem funcionar durante o período. As aulas presenciais também foram suspensas. O texto também estipula uma multa para quem descumprir as medidas. O valor pode chegar a R$ 21 mil para os donos de estabelecimentos e de R$ 2 mil para pessoas flagradas infringindo o regramento.

> Opininão: decisão de Lages lembra que política inclui ações e consequências

Durante a entrevista, o prefeito defendeu o novo decreto. Segundo ele, as medidas foram tomadas após conversas com médicos e gestores do Hospital Tereza Ramos, Nossa Senhora dos Prazeres e do Centro de Triagem que atende pacientes com a Covid-19.

> Filha morre por Covid-19 cinco dias após a mãe em Gaspar

— A situação é dramática, é desesperadora. Nós não podemos deixar para agir daqui uns dias quando não só faltar leito de UTI e de enfermaria. Daqui a pouco vai faltar cova nos cemitérios da região. Quem sabe a gente consiga dissipar esse drama — afirmou Ceron.

Os prefeitos da região se reuniram no fim de semana para discutir medidas. São Joaquim também anunciou medidas de restrição. O comércio de rua e as aulas estão suspensas no município por sete dias. As medidas passam a valer na terça-feira. A expectativa é que mais cidades da Serra publiquem decretos mais rígidos.

> “Covidário Brasil”, desabafa infectologista de Joinville sobre colapso na saúde

Prioridade para a saúde

Ainda em entrevista, Ceron afirmou que o momento é de priorizar a saúde. Segundo ele, pacientes cada vez mais jovens, incluindo crianças, estão testando positivo para a Covid-19 em Lages.

— Como nós não temos um comando de cima para baixo, firme, seguro, claro, nós aqui que somos os gestores não podemos fugir da nossa responsabilidade. Eu sou da atividade comercial, eu sei o quanto impacta na economia, mas neste momento a prioridade é a saúde. A saúde econômica você recupera, a saúde humana não — completou.

> Mulher que estava em moto arrastada por caminhão na BR-101 morre no hospital

De acordo com a última atualização de dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Lages registrou 15.274 casos e 237 mortes pelo coronavírus desde o início da pandemia. A região da Serra também enfrenta a lotação dos serviços de saúde, com 13 pacientes aguardando por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Leia mais:

Prefeituras de SC esperam 3 milhões de doses da vacina Sputnik até o fim de março

Joinville cita “iminente colapso” por causa da Covid-19 e anuncia novas restrições nesta segunda

Indígena relata dificuldade para registrar nome da filha em Blumenau; caso vai parar no MPF

Colunistas