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ANIMAIS FANTÁSTICOS

Gigantes do mar: conheça os hábitos e as histórias das baleias que visitam Santa Catarina no inverno; veja vídeo

De julho a novembro, o litoral do Estado vira berço das baleias, que fazem espetáculos nas regiões costeiras

24/07/2021 - 10h48

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Maria Eduarda
Por Maria Eduarda Dalponte
Registro de uma baleia-jubarte brincando em Abrolhos
Registro de uma baleia-jubarte brincando em Abrolhos
(Foto: )

O início do inverno no hemisfério Sul traz uma ilustre visitante para o Litoral catarinense. As baleias têm data marcada para chegar no Brasil. Todo ano, de julho a novembro, as praias do Estado são presenteadas com os espetáculos das gigantes dos oceanos. A baleia-franca é uma velha conhecida e tem Santa Catarina como o principal destino no inverno. Já a jubarte se concentra no Banco de Abrolhos, na Bahia, mas em anos atípicos, como em 2021, essa espécie também faz de SC a sua morada. 

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Além dessas duas espécies, a baleia-de-bryde pode ser encontrada no Litoral brasileiro. Elas permanecem o ano inteiro na costa do país, mas não são vistas tanto quanto as francas e jubartes, que passam apenas as temporadas por aqui.

As baleias vêm para a costa brasileira por três motivos: acasalar, dar à luz e desmamar o filhote. A franca e a jubarte são costeiras e migratórias. A migração ocorre entre a região Antártica, mais especificamente, nos arredores das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, e a costa brasileira. 

> Vídeo mostra baleias-franca em SC pela primeira vez em 2021

No verão, as baleias-franca e jubarte ficam pelas águas frias do extremo sul do mundo para se alimentarem com krill e produzirem uma reserva energética para os demais meses do ano. Durante o inverno é a hora de percorrer o caminho até o Brasil. Quando chegam aqui, devido ao comportamento costeiro, elas ficam perto da areia e, por isso, é comum a avistagem desses animais no Estado.

Baleia-franca e jubarte

Ao enxergar uma baleia no mar é possível identificar algumas características que diferenciam a franca e a jubarte. Nas duas espécies a fêmea é maior que o macho. Enquanto a franca tem um corpo mais arredondado, com calos na cabeça e uma nadadeira peitoral pequena, a jubarte possui um corpo um pouco mais fino, com nódulos e pelos na parte da frente, e uma nadadeira peitoral grande, que tem um terço do comprimento total do animal. As duas saltam e mergulham constantemente, mas a jubarte é mais conhecida pelos balés e acrobacias no mar.

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A quantidade de baleias é bem diferente entre as duas espécies. A população da franca vem crescendo lentamente nos últimos anos e a gigante ainda está ameaçada de extinção. Uma estimativa do Instituto Australis, órgão que protege e monitora essa espécie, mostra que existem cerca de 550 baleias fêmeas que se reproduzem regularmente no Brasil no decorrer dos anos. Por outro lado, a população da jubarte já se recuperou. O Instituto Baleia Jubarte estima que havia 3,5 mil baleias na população brasileira em 2002. Hoje já são mais de 20 mil que vêm todo ano para o Brasil e se concentram mais ao nordeste do país.

A caça das baleias

Caça da baleia-franca em SC
Caça da baleia-franca em SC
(Foto: )

A quantidade de baleias foi muito afetada devido à caça desses animais. Desde o século XVII, em toda a costa do Brasil, do Nordeste ao Sul, pescadores caçavam baleias. Uma das maiores armações baleeiras se encontra no município de Garopaba, na Grande Florianópolis. As gigantes eram trazidas para esses locais após a caça para fazer o processamento das partes dos animais. 

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O óleo da baleia tinha a mesma função que o petróleo faz atualmente e servia para a iluminação de ruas e como argamassa para a construção de casas, por exemplo. A carne, escura e gordurosa, era muito usada para a alimentação de escravos. A última baleia foi caçada em 1973.

A área de proteção da baleia-franca

Filhote de baleia-franca nada nas águas de SC
Filhote de baleia-franca nada nas águas de preservação de SC
(Foto: )

Em 1982 pesquisadores brasileiros começaram a buscar dados sobre esses animais em Santa Catarina. Em 2000, após avaliar a situação e reconhecer a fragilidade que a espécie ainda se encontra, foi criada a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, com 130 quilômetros, se estendendo por nove municípios, desde o sul de Florianópolis até o Balneário Rincão. 

A ideia da APA é proteger a baleia-franca-austral e garantir a sua presença no Estado todos os anos na temporada de inverno. Imbituba é a cidade que tem a maior concentração desses animais durante a temporada. Por isso, foi intitulada de Capital Nacional da Baleia Franca. Já a jubarte não tem uma reserva específica para a espécie, mas as baleias se concentram principalmente no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, que é uma unidade de conservação.

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