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Entrevista

Guga Chacra: "Eram 800 pessoas morrendo por dia", diz o jornalista sobre a pandemia em Nova York

Correspondente internacional do Grupo Globo em Nova York, jornalista relembra o cenário de caos e fala sobre o combate à pandemia em uma das maiores cidades do mundo

15/08/2020 - 12h00 - Atualizada em: 16/08/2020 - 10h53

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Everton
Por Everton Siemann
Guga Chacra, correspondente internacional da TV Globo
Guga Chacra
(Foto: )

Gustavo Cerello Chacra tem 44 anos. Paulistano e neto de imigrantes italianos e libaneses, fez do mundo o escritório. É um dos correspondentes internacionais do Grupo Globo em Nova York (EUA) e, com frequência, adentra a casa dos brasileiros pela tela da TV para informar e comentar sobre assuntos que acontecem mundo afora e repercutem no nosso cotidiano.

Palmeirense, está feliz pelo título conquistado pelo time do Palestra Itália no último fim de semana. Mas reconhece que o momento é estranho e que a celebração foi marcada pela tristeza da pandemia do novo coronavírus, já que no dia da decisão contra o Corinthians o Brasil alcançou a triste marca de 100 mil vidas perdidas para a Covid-19.

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Por telefone, Guga Chacra conversou com a reportagem e falou sobre a explosão no Líbano, o momento de crise que o pequeno país do Oriente Médio atravessa, a situação do presidente norte-americano Donald Trump, as eleições norte-americanas, o Movimento Vidas Negras Importam, a pandemia do novo coronavírus e o papel do jornalismo profissional hoje em dia.

Confira tudo isso na entrevista a seguir:

Tivemos no último dia 4 o triste episódio da explosão na zona portuária de Beirute, no Líbano. As cenas são assustadoras. Você é de origem libanesa e chegou a viver na cidade por um tempo. Como você se sentiu ao saber do caso? Como foi para você todo esse episódio?

O primeiro momento em que chega a notícia, que teve uma explosão em Beirute, não sabia da dimensão da explosão. Não estava muito claro. Falava-se da região portuária, mas podia ter sido perto do porto. A primeira coisa que pensei foi que tivesse sido um atentado, faz tempo que não tem nenhum. Porém, logo depois surgiu aquele vídeo no Twitter. Nunca tinha visto uma imagem de uma explosão daquelas. Foi uma das três cenas que mais me impactaram em termos de imagem, junto com o tsunami e com o 11 de setembro. A cena foi muito impressionante. Fiquei triste naquele momento, tendo que trabalhar, entrar no ar, porque é um tema que conheço, uma cidade que conheço bem e ao mesmo tempo iam chegando as informações. A gente não sabia ainda o que inicialmente teria ocorrido. 

Naquele momento, você começa a pensar que se é atentado, o cenário vai para um lado. Se é bombardeio vai para outro. E se é uma explosão, como foi, é diferente. Com o passar das horas começou a crescer a hipótese de ter sido uma explosão. Quando comecei a ver as cenas da destruição de Beirute, fiquei muito triste porque é uma região que eu conheço bem, que circulava bastante, que são as áreas cristãs de Beirute. Regiões que eu ia muito, toda vez que vou a Beirute vou a essas áreas porque tem muitos cafés, muitos restaurantes, barzinhos. E também o bairro de Achrafiyé, que é um tradicional bairro dos cristãos libaneses. 

Beirute é uma cidade que só na história recente, desde que nasci, foi destruída duas vezes: na Guerra Civil o centro da cidade foi aniquilado e outras partes completamente destruídas e depois na guerra de 2006, que foi mais destruída a parte sul.

Aquela cidade tem uma magia especial. Ela tem de tudo, essa mistura de Oriente com Ocidente. Lá é a porta de entrada para o Oriente Médio e também é a porta da saída para o Mediterrâneo. É uma cidade que cresceu em função, em grande parte, desse comércio, que mistura as religiões... Você vê muitas igrejas perto de mesquitas, e acaba se impactando pela mistura religiosa muito impressionante. E também tem a parte da questão da sociedade, muito parecida em certo ponto com o Brasil, que você tem uma elite, a classe média e uma população mais pobre. Tem uma desigualdade social que lembra à brasileira.

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Outra questão é que Beirute é uma cidade vibrante, é uma cidade viva, com uma vida noturna forte, com muita paixão. Os libaneses são muito emotivos, recebem muito bem, buscam ser agregadores. É uma cidade cosmopolita e trilíngue: tem o árabe, o francês e o inglês. A maioria dos libaneses tem um parente que vive no exterior, como um parente no Brasil, no Canadá, em Dubai, na Austrália ou aqui nos Estados Unidos. Eles têm uma conexão com o mundo muito forte. É difícil pensar num país que tem tanta gente com conexão com tantos países. 

E, por último, Beirute é uma cidade que só na história recente, desde que nasci, foi destruída duas vezes: na Guerra Civil o centro da cidade foi aniquilado e outras partes completamente destruídas e depois na guerra de 2006, que foi mais destruída a parte sul. E a cidade agora é impactada pela terceira vez, agora a parte leste, que é a parte cristã. Com todo o histórico de atentados, tem essa parte mágica, mas tem toda essa parte trágica também.

Após anos de Guerra Civil, o Líbano vive um momento turbulento de crise política, econômica e social além de enfrentar a pandemia do coronavírus. Agora, terá de se recuperar da explosão na zona portuária. Como o Líbano vai passar por isso? 

Vai ser muito difícil, porque junta uma série de crises. A crise econômica, que é quase colapso econômico, similar ao que ocorreu com a Argentina. Vocês em Santa Catarina vão se recordar do colapso econômico argentino em 2001, quando houve a desvalorização do peso, as pessoas não tinham emprego e muitos argentinos foram embora do país. O Líbano estava passando por uma situação dessa, com a desvalorização da moeda libanesa, sendo que a maioria dos produtos, incluindo alimentos, são importados com o preço em dólar. Quando você tem uma desvalorização acentuada, a população recebe o salário em lira, mas o preço de tudo tem inflação e diminui o poder de compra dessa classe média. Esse é o primeiro ponto. 

A crise política é algo que a gente já viu no Brasil, com a insatisfação muito grande com a corrupção da classe política. É algo fácil para os brasileiros entenderem dessa fadiga com a classe política. Esse é o segundo ponto. A Covid-19 agrava o cenário, o Líbano é afetado como todos os países, embora até vinha lidando bem com a pandemia, não era um país com uma situação caótica como os EUA e o Brasil, que vão mal na condução da pandemia. O Líbano ficava vários dias sem morrer ninguém, aí morria uma ou duas pessoas num dia, mais ou menos nesse ritmo. E continua assim. É claro que a ajuda externa diminui, como todos os países também passam por uma crise econômica agora, mesmo não tão acentuada como a do Líbano, dificulta qualquer forma de ajuda. E para complementar tem essa explosão, que além das vítimas fatais e a enormidade de feridos que provocou, tem a destruição. Tudo para reconstruir será algo que vai custar bastante dinheiro. 

E por último, o Líbano é um país pequeno, que faz fronteira com Israel – que é uma nação que tecnicamente o Líbano está em guerra –, e com a Síria, que não precisa nem explicar. O porto de Beirute é muito importante, era por onde entrava mais de 80% do comércio do Líbano. Não tem mais esse porto, passa a ter dois portos menores, que não têm como compensar a perda do porto de Beirute. É difícil inclusive chegar ajuda. O porto de Beirute para o Líbano é como se fosse o porto de Santos para o estado de São Paulo. É difícil você compensar a perda do porto de Santos com o porto de São Sebastião, que é um porto importante, mas não tem como compensar. 

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Em Nova York o vírus parece estar controlado. Na semana passada chegamos a ficar três dias sem ninguém morrer da Covid-19 na cidade de Nova York, mas aqui a imensa maioria das pessoas usa máscara e existe uma série de restrições.

Os Estados Unidos lideram o ranking de casos confirmados e mortes por Covid-19 no mundo. Por quê? 

Em primeiro lugar, o tamanho. Assim como o Brasil, é um país continental. Isso por si só já dificulta, é mais difícil você lidar com a pandemia numa nação com limites territoriais tão grandes como EUA e Brasil, do que num país menor. Em segundo lugar, os EUA é muito conectado com o resto do mundo. Você tinha voos de Wuhan direto para os EUA, além de outros lugares da China. Tinha vários voos da Itália diariamente para os EUA, então o vírus acabou chegando aqui com maior facilidade. Até fecharam a fronteira, mas aí já era tarde. 

Em terceiro lugar, como não havia máscaras a recomendação foi para que as deixassem para os profissionais da saúde e também policiais. Demorou para a população começar a usar máscara de proteção. Demorou para começar a fazer a testagem aqui nos EUA também. Foi bem lenta em comparação com outros países desenvolvidos, como a Alemanha ou a Coreia do Sul, por exemplo. Isso também teve um impacto, sem dúvida. Inicialmente foi em Nova York, como demorou para fechar, uma cidade que além de densa e muito povoada, usa-se muito o transporte público. Então as pessoas acabaram tendo um contato inicial com o vírus muito grande, tanto em Nova York quanto em Nova Jersey. 

A segunda etapa da pandemia foi causada em parte porque muitos governadores, seguindo a linha do presidente Trump, reabriram a economia antes de haver um controle do vírus. Isso fez com que crescesse o número de casos e, consequentemente, de mortes nesses estados que neste momento são os que enfrentam os maiores problemas, como a Flórida, por exemplo. Mas é diferente em cada região. 

Em Nova York o vírus parece estar controlado. Na semana passada chegamos a ficar três dias sem ninguém morrer da Covid-19 na cidade de Nova York, mas aqui a imensa maioria das pessoas usa máscara e existe uma série de restrições. Isso não ocorre em outros estados americanos, porque Nova York viveu um trauma muito grande durante o pico da pandemia em abril, quando era assustador o barulho das ambulâncias. Era assustador. Era o tempo todo você ouvindo ambulâncias. Eram 800 pessoas morrendo por dia. Isso não aconteceu, nem proporcionalmente, em nenhum lugar do Brasil, nem no mundo, com exceção de Bergamo, na Itália. Durante aqueles dias de abril, você tinha mais ligações para o número de emergência do que no 11 de setembro.

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Que análise você faz do desempenho de Donald Trump durante a pandemia? 

O desempenho do Trump ficou aquém do esperado, segundo pesquisas de opinião. Você vê líderes de outros países, onde mesmo que tenha havido número de mortes proporcionalmente superior ao dos EUA, subiram a popularidade. Porque as pessoas querem ver ao menos o presidente, o líder, lutando, informando, buscando resolver o problema. O Trump, muitas vezes, adotou uma postura contrária às recomendações científicas. Isso acabou afetando a imagem dele. Claro que ele ainda tem um apoio muito grande, uma base “trumpista” muito sólida, mas no geral ele ficou com uma aprovação na condução da pandemia inferior inclusive à aprovação dele. Pessoas que apoiam o Trump, em alguns casos, não gostaram da condução dele da pandemia, especialmente por essa postura anticiência que ele teve. E o resultado até agora são 164 mil mortos nos EUA (até a manhã de terça-feira, dia 11). Isso é uma catástrofe!

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É muito difícil dizer como vai ser (eleições nos EUA), tem muita coisa para acontecer. Dá para dizer que o Biden ganharia eleição hoje? Sim, ganharia. Mas a eleição não é hoje, é em novembro.

Trump está no último ano de gestão. Se você pudesse destacar o ponto mais forte e o mais frágil do governo dele, quais seriam?

O mais forte é a questão da economia americana, que vinha bem antes da pandemia, com uma baixa taxa de desemprego. Lembrando que o desemprego já vinha caindo durante todo o mandato do Obama e o Trump manteve essa queda. A economia vinha em crescimento, com a inflação controlada. Esse seria o ponto forte do Trump durante o mandato dele, na minha avaliação. O mais frágil, acho que no final o que vale é a condução dele na pandemia da Covid-19. Isso daí, sem dúvida alguma, é o ponto mais frágil da administração Trump. Poderia citar outros, mas esse realmente não tem como contar algo de positivo na condução do Trump. 

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As eleições norte-americanas estão marcadas para novembro. O que o mundo pode esperar do pleito? 

Vai ser uma eleição muito parecida com as de 2012 e 2016. No sentido de que será equilibrada, vai depender muito da mobilização dos eleitores, especialmente do lado democrata. A gente sabe que no voto popular os democratas vão ganhar, isso já está claro. Eles ganharam todas as eleições desde 1992, com a exceção de 2004. Mas o que interessa é o colégio eleitoral e os estados com domínio democrata ou republicano. E nesse censo os republicanos têm condição de ganhar. Vai depender muito da mobilização dos votos. 

O eleitorado do Trump vai sair para votar, com certeza, nesses estados. Vai votar também pelo correio, já que a votaço vai começar assim em setembro. Depende se o (Joe) Biden vai conseguir mobilizar o eleitorado democrata. Se o eleitor anti-Trump for votar, o Biden está eleito. Se não for, aí o Trump tem uma chance grande. Por isso, comparei com 2012, quando o eleitor democrata foi votar. 

O (Barack) Obama teve cerca de 51% dos votos, o (Mitt) Romney teve cerca de 47%. Muita gente não para prestar atenção, mas o Trump teve 46%, teve menos votos em porcentagem do que o Romney. Quer dizer, teve um desempenho pior do que o candidato republicano anterior a ele. A diferença é que a Hillary (Clinton) foi muito pior do que o Obama, teve 48% e pouco, enquanto o Obama teve 51%, foram três pontos percentuais a menos. Então, a diferença se deu no fracasso da Hillary com parte do eleitor democrata não saindo para votar, ou por não gostar da Hillary ou por achar que ela ganharia de qualquer forma, enfim. Se isso acontecer de novo e o eleitor não sair para votar no Biden, o Trump pode ganhar. Porque o eleitor do Trump vai votar. É muito difícil dizer como vai ser, tem muita coisa para acontecer. Dá para dizer que o Biden ganharia eleição hoje? Sim, ganharia. Mas a eleição não é hoje, é em novembro. 

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O Trump faz parte desse novo mundo das redes sociais e ele busca usar a favor dele essas ferramentas. E a gente sabe que ele difundiu muitas informações que são classificadas como fake news, porque não correspondem à realidade, não correspondem à verdade.

A morte de George Floyd, em Minneapolis, desencadeou protestos em diversas regiões dos EUA e do mundo. Que leitura você faz desse momento? 

Esse foi um movimento histórico aqui nos Estados Unidos. O George Floyd, um afro-americano, foi morto com crueldade por policiais, brancos, e a morte dele causou enorme comoção nos EUA e provocou essa onda protestos ao redor de todo o país contra a violência policial. Foi algo que contou com o apoio da maioria da população americana, foram momentos muito fortes, a população das mais variadas origens nas ruas protestando, se juntando nesse momento. Foi um divisor de águas aqui nos EUA. A gente já teve outros protestos contra o racismo no passado, mas nunca nada dessa dimensão que observamos após a morte do George Floyd.

A propagação de informações, principalmente por pessoas com poder, que sejam mentirosas e, principalmente relacionadas à saúde pública, acho muito grave.

Você acredita que vamos conseguir derrotar esse inimigo chamado racismo? 

É uma luta importante. Acabar totalmente acho difícil dizer, mas a gente vê mudanças. Observamos desde o comportamento da polícia, especialmente com muitas pessoas com a noção da importância de ser antirracista, de combater o racismo, que a pessoa tem que se levantar, tem que mostrar a voz e apontar o dedo contra o racista. A gente viu na semana passada aquele episódio de um racista no interior de São Paulo (em Valinhos, quando um homem atacou um entregador), todo mundo foi lá, condenou o episódio e isso tem acontecido mais vezes. Acho importante. Para as pessoas também prestarem mais atenção no racismo estrutural, que muitas vezes as pessoas não percebem que está havendo racismo em determinada circunstância. Esses movimentos estão chamando a atenção também para o racismo estrutural, que tem tanto na sociedade americana quando na sociedade brasileira.

Guga Chacra
Guga Chacra mora em Nova York
(Foto: )

Trump assumiu queda de braço com as plataformas digitais nos EUA, após elas adicionarem links de verificação de fatos em publicações dele nas redes sociais. Ele chegou a assinar uma ordem executiva redefinindo as proteções legais. Trump estaria tentando “institucionalizar as fake news”? 

O Trump faz parte desse novo mundo das redes sociais e ele busca usar a favor dele essas ferramentas. E a gente sabe que ele difundiu muitas informações que são classificadas como fake news, porque não correspondem à realidade, não correspondem à verdade. Isso é algo que acontece de forma constante nas redes sociais, não só nos EUA como em outras partes mundo – mas eu diria que nos EUA e também no Brasil de forma mais intensa. E as redes sociais finalmente decidiram agir contra a propagação de informações inverídicas ou mesmo mentirosas nessas plataformas. 

Em alguns casos elas são fundamentais porque envolvem vida ou morte quando diz respeito a temas relacionados à saúde pública. Ali você não pode propagar uma informação que seja contrária ao que diz a ciência. Outras questões, como por exemplo, se alguém me ofender no Twitter, aí acho que não cabe à rede social apagar esse post, e sim cabe à mim processar a pessoa que me ofendeu, ou responder, você tem uma série de alternativas. Mas a propagação de informações, principalmente por pessoas com poder, que sejam mentirosas e, principalmente relacionadas à saúde pública, acho muito grave.

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A informação é essencial para salvar vidas. Mas ao mesmo tempo, nas redes sociais, há quem atue para desinformar, disseminar notícias falsas e atacar o jornalismo. Como você lida com isso? Já foi alvo de algum tipo de ataque? 

Já fui alvo de ataques. Mas você pode encarar de duas formas. Primeiro depende de quem atacou. Se é um seguidor que não gostou de algo que eu falei e respondeu de forma mais agressiva, você pode bloqueá-lo. Ou você pode responder a essa pessoa, ou então pode processá-la. Se for uma pessoa que tenha autoridade, aí é algo mais grave. Comigo já houve críticas de pessoas que exercem cargos políticos, pessoas conhecidas, mas nenhuma que tenha me ofendido pessoalmente. Podem ter criticado de forma agressiva algo que eu disse, mas aí tudo bem, respondi e vamos em frente. 

Vejo outros jornalistas que são alvos de campanhas organizadas, aí é algo muito mais complicado. Não só jornalistas, mas também políticas, celebridades. Não aconteceu comigo ainda, espero que não aconteça, uma campanha tão organizada e contra a minha pessoa e não contra algo que eu escrevi. Porque, assim, críticas ao que escrevi ou disse acho que vão existir e algumas serão agressivas nesse mundo das redes sociais. Você não pode se deixar impactar emocionalmente. Se fossem agressões à minha pessoa ou à minha família, aí não sei como que eu reagiria.

Aqui se tem o exemplo positivo da NBA, mas há também o exemplo negativo da MLB. E o Brasileirão vai ter problema porque não há o controle do vírus no Brasil.

Você é fã de futebol e não esconde de ninguém o amor pelo Palmeiras. Está feliz pelo título do Campeonato Paulista conquistado no último dia 8? 

Sim, sempre é importante ganhar um título. Claro que agora, nessas circunstâncias da pandemia da Covid-19, diminuiu bastante, não vou negar. Foi um dia triste, que somamos 100 mil mortos no Brasil, então, foi um tanto estranho. A outra coisa estranha foi o estádio vazio, mas tem que ser. Ganhar do Corinthians, naquelas circunstâncias, com eles empatando no finalzinho, com um pênalti... É sempre bom. E evitando o tetracampeonato paulista do Corinthians, fiquei mais feliz. Também fiquei feliz porque pessoalmente tenho como o rival do Palmeiras “o time do Morumbi”. Saber que aquele time está há 12 anos sem conquistar um título importante, ou oito anos se contar a Sul-Americana, que não época não tinha tanta importância, mas depois passou a ter. Enfim, é sempre bom ganhar.

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Por estar nos EUA, você acompanha de perto todo o trabalho que as ligas esportivas norte-americanas têm feito para a retomada das atividades. Como você avalia a situação aqui no Brasil, com o retorno do futebol e o início tumultuado do Campeonato Brasileiro, com episódios como o do jogo Goiás x São Paulo? 

A NBA (liga de basquete, que levou os times para um único lugar, em Orlando, para retomar os jogos) é uma exceção, porque a MLB (liga de beisebol) está fazendo os times viajarem e está tendo muitos casos de Covid-19. Então, está num cenário similar ao do Brasil, porque tanto o Brasil quanto os EUA não controlaram o vírus, não têm condições de fazer o que países europeus fizeram. A grande dúvida aqui nos EUA, claro, é a maior liga, que vai começar em setembro, a NFL (liga de futebol americano), em que as pessoas vão observar. 

Mas como a MLB já tem dado problemas, muito difícil que não haja riscos na NFL, embora sejam menos jogos que a MLB. E o College Football (liga de futebol americano universitário), que é outro torneio que se acompanha muito, talvez nem ocorra neste ano. Aqui se tem o exemplo positivo da NBA, mas há também o exemplo negativo da MLB. E o Brasileirão vai ter problema porque não há o controle do vírus no Brasil. Você só consegue ter uma segurança maior com o controle do vírus. Então, a tendência é que novos episódios voltem a ocorrer, como ocorreu no jogo Goiás x São Paulo.

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