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Mudanças climáticas: como será a vida nos próximos 30 anos, segundo a ONU

Painel de climatologistas aponta que efeitos do aquecimento global podem provocar falta de água, fome, doenças, extinção de espécies e elevação do nível do mar

13/08/2021 - 08h00 - Atualizada em: 13/08/2021 - 18h12

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Por AFP
Carros são responsáveis por grande parte da emissão de gases do efeito estufa
Carros são responsáveis por grande parte da emissão de gases do efeito estufa
(Foto: )

O esboço de um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta uma fotografia pouco animadora dos próximos anos, que inclui falta de água, fome, doenças, extinção de espécies, calor insustentável, êxodos e cidades submersas pela elevação do nível dos oceanos.

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O documento de 4 mil páginas, obtido em primeira mão pela AFP, traz riscos como extinção de espécies, disseminação de doenças, calor insustentável à vida e colapso dos ecossistemas, entre outros. O relatório deve ser publicado na íntegra em fevereiro de 2022.

As crianças que nascerem hoje sentirão fortemente esse impacto negativo antes de completarem 30 anos, segundo o informe.

Seu objetivo é informar os tomadores de decisões ao redor do mundo para evitar que as piores hipóteses se cumpram e alertar para a necessidade de se agir agora.

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Confira algumas de suas descobertas

Água e comida

O informe demonstra como as mudanças climáticas já reduziram a grande produção agrícola globalmente e estima-se que vá impactar cultivos ao longo do século 21, colocando sob forte pressão países com um número crescente de bocas para alimentar.

- Entre 2015 e 2019, estima-se que 166 milhões de pessoas, principalmente na África e América Central, tenham necessitado de assistência humanitária devido a emergências alimentares relacionadas ao clima.

- O aumento dos níveis de CO2 afetará a qualidade das principais safras, reduzindo minerais vitais e nutrientes em alimentos essenciais.

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- Apesar dos maiores níveis de desenvolvimento socioeconômico, cerca de 10 milhões de crianças a mais sofrerão de subnutrição e atrofias até 2050, expondo-as a uma vida associada a riscos de saúde.

- O potencial de captura da pesca marinha - da qual milhões de pessoas dependem como principal fonte de proteína - deve diminuir entre 40% e 70% em regiões tropicais da África, sem redução na poluição de carbono.

- Reduzir à metade o consumo de carne vermelha e dobrar a ingestão de castanhas, frutas e vegetais poderia diminuir as emissões de gases-estufa em até 70% até meados do século e salvar a vida de 11 milhões de pessoas até 2030.

- Até 2050, entre 31 e 143 milhões de pessoas se tornarão deslocados internos devido à escassez de água, questões agrícolas e ao aumento do nível do mar na África Subsaariana, sul da Ásia e América Latina, a depender dos níveis de emissões.

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Clima extremo

O aumento das temperaturas vai reduzir a capacidade física de trabalho, com o sul da Ásia, a África Subsaariana e partes das Américas Central e do Sul perdendo até 250 dias de trabalho por ano até 2100.

- Um adicional de 1,7 bilhão de pessoas serão expostas a um calor severo e 420 milhões serão submetidas a ondas de calor extremas a cada cinco anos se as temperaturas aumentarem de 1,5°C para 2°C de aquecimento - a extensão estabelecida no Acordo de Paris.

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- Um aumento de 1,5°C resultaria em um aumento de 100 a 200% na população afetada por enchentes no Brasil.

Amazônia pode virar savana

Uma combinação perigosa de temperaturas mais elevadas, aridez e secas significa que as temporadas de incêndios florestais em todo o planeta serão mais longas e áreas com potencial para queimar dobrarão de tamanho.

- Com emissões altas, a seca e os incêndios florestais podem transformar metade da floresta amazônica em savana, um ponto de virada com potencial para liberar carbono.

- Na tundra ártica e na floresta boreal, a área queimada aumentou nove vezes em toda a Sibéria entre 1996 e 2015.

- Restaurar florestas pode estocar carbono e ajudar a reduzir a vulnerabilidade humana às mudanças climáticas. Entretanto, plantar árvores fora das florestas naturais - como em pastagens e savanas - pode prejudicar a biodiversidade e aumentar os riscos climáticos.

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Extinção de espécies

O informe esclarece que as perspectivas para a vida no planeta são perigosas.

- As taxas de extinção estão se acelerando drasticamente e são estimadas em cerca de mil vezes mais do que antes do impacto das atividades humanas na Terra no século passado.

- Confrontados com o aumento das temperaturas, muitas plantas e animais irão se afastar em centenas de quilômetros de seus hábitats naturais até o fim do século.

- Até 54% das espécies terrestres e marinhas do mundo estarão ameaçadas de extinção neste século, com o aquecimento de 2ºC a 3ºC com base nos níveis pré-industriais. Espécies de alta montanha e insulares estão particularmente em risco.

- Mesmo com o aumento de 2ºC na temperatura, animais polares - como pinguins, focas e ursos - e áreas de rica biodiversidade, como recifes de coral de água quente e manguezais, estarão sob ameaça severa.

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Doenças

Enquanto as temperaturas em elevação aumentam os hábitats dos mosquitos, estima-se que até 2050 metade da população mundial esteja exposta a doenças provocadas por vetores, como dengue, febre amarela e zika.

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