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Especial

No Dia Mundial do Rock, conheça artistas de blues no Brasil e em SC

Na última parte do especial sobre a história do blues, veja como o estilo rompeu fronteiras e conquistou o mundo

13/07/2021 - 07h01

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Marina
Por Marina Martini Lopes
Por Ben Ami Scopinho
blues britânico
Foi depois dos anos 1950, e a partir do Reino Unido, o blues se espalhou pela Europa
(Foto: )

Nos anos 1950, a partir do Reino Unido, o blues começou a se espalhar pela Europa - e daí surgiu o Blues Britânico, uma das vertentes mais populares do estilo. Em uma união com o rock, o gênero deu origem ao Blues-rock - e o blues, claro, chegou também ao Brasil.

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Acompanhe o Bilheteiro do Trem do Blues enquanto ele narra a última parte desta história.

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Blues britânico

Minha senhora, nessa época a fama do Blues alcançou até a Europa! É verdade! Foi depois dos anos 1950, e a partir do Reino Unido: dois ingleses, Cyril Davies e Alexis Korner - que eu só posso imaginar que fossem sujeitos admiráveis -, gostavam tanto do trem que até criaram um bar chamado The London Blues and Barrelhouse Club.

Aos poucos, por meio dessa estação, mais e mais músicos britânicos foram embarcando no Blues: John Mayall e seus Bluesbreakers, Peter Green e, mais tarde, grupos como os Rolling Stones, o Cream, o Led Zeppelin e o Fleetwood Mac. Alguns anos depois, Ian A. Anderson e sua Country Blues Band também deram as caras por aqui.

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VOCÊ SABIA QUE...
Os pioneiros Cyril Davies e Alexis Korner
Cyril Davies e Alexis Korner foram os pioneiros do blues britânico: além da fundação do The London Blues and Barrelhouse Club, eles também foram responsáveis pela criação da banda Blues Incorporated, que recebia diversos artistas para sessions e jams. O grupo costumava se apresentar na casa noturna Marquee Club, que acabou batizando o primeiro álbum de blues britânico, o Blues From The Marquee. Dois nomes de destaque na cena são John Mayall e sua banda Bluesbreakers, além de Peter Green, um dos membros fundadores do Fleetwood Mac.

Blues-rock

Mais novinha, a Blues-Rock só começou a ser construída depois de 1960, e servia a dois trens: o nosso big ol' Blues e um outro, barulhento e pintado de preto, o Rock. Os passageiros às vezes pegavam uma linha, às vezes outra; e viajavam quase sempre em bandos: Creedence Clearwater Revival, Cream, Rolling Stones. Até um brasileiro, um tal de Raul Seixas, deu as caras por aqui.

Os passageiros que embarcavam e desembarcavam por esta estação gostavam de riffs e de longas sessões de improvisação; e faziam um som mais pesado, que certamente aprenderam lá nos trilhos do Rock. Dizem que foi por meio da estação Blues-Rock que Chuck Berry se tornou um dos primeiros passageiros a embarcar no outro trem.

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VOCÊ SABIA QUE...
Blues-rock: ainda vivo
Nos anos 1970, o blues-rock inspirou o hard rock, em bandas como Aerosmith, ZZ Top e Lynyrd Skynyrd - mas o ritmo entrou em declínio com o predomínio das bandas glam dos anos 1980. Na virada do milênio, o White Stripes foi uma das principais bandas a resgatar o blues-rock, agora com um som mais "de garagem": até hoje, em seus projetos solo ou pararelos, Jack White é influenciado pelo estilo. Outras bandas atuais que usam inspirações do blues-rock são The Black Keys e Band of Skulls; além do texano Gary Clark Jr.

Brasil

Em 1979, B.B. King viajou ao Brasil para participar de um tal Festival de Montreux, em São Paulo - depois dele, foi a vez de Buddy Guy e Junior Wells visitarem esse país. E os três voltaram dizendo que espalharam por lá o gosto pelo nosso Blues!

I ain't gonna lie: depois disso, eu vi muitos brasileiros embarcando no trem: Celso Blues Boy, André Christovam, Blues Etílicos, Nuno Mindelis (que é angolano, mas radicado no Brasil), Zé da Gaita, Fernando Noronha, Fred Sunwalk, Igor Prado, Alex Rossi, Marcos Ottaviano, Adriano Grineberg, Faiska, Renato Fernandes, Duca Belintani, Big Joe Manfra, Solon Fishbone, Bebeco Garcia. Viram como quem conhece o Blues toma gosto pela coisa? I done told you!

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VOCÊ SABIA QUE...
Made in Brazil
Registros marcantes do blues no Brasil incluem Som na Guitarra (1984), de Celso Blues Boy, contendo os sucessos Aumenta Que Isso Aí é Rock and Roll e Blues Motel; os álbuns Mandinga e Água Mineral (ambos de 1989), respectivamente de André Christovam e Blues Etílicos; e os discos Texas Bound (1996) e Blues on the Outside (2000), do angolano radicado no Brasil Nuno Mindelis, que contaram com a participação do baterista Chris Layton e do baixista Tommy Shannon, músicos que acompanhavam o texano Stevie Ray Vaughan em turnês.
Blues Time Records
Em 2000 foi fundado o primeiro selo brasileiro dedicado ao estilo, o Blues Time Records. Hoje, diversas cidades do Brasil têm festivais regulares de blues, como Rio das Ostras, Búzios, Paraty, Guarujá, Caxias do Sul, Guaramiranga, Garanhuns e São Paulo.
Santa Catarina
Embora de nicho, a cena do blues em Santa Catarina já é bastante sólida: Beto Blues foi um dos pioneiros, misturando o blues com o rock; mas, a partir dos anos 2000, começaram a surgir bandas e artistas mais focados no blues tradicional e em seus subgêneros. Hoje em dia, alguns dos principais representantes do estilo no Estado são Marzio Lenzi (Blues-Rock), Cristiano Ferreira (Blues tradicional, Jump Blues, Texas Blues, Swing Jazz), The Headcutters (Chicago Blues) e Leo Maier (Blues tradicional, Jump Blues).

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Vejam só, senhoras e senhores: parece que chegamos àquela que, por enquanto, é a nossa última estação - mas não é o fim da viagem, não mesmo! O Blues vai continuar rodando enquanto houver dor, tristeza, angústia e solidão - e também enquanto existir a música, que transforma tudo isso em inspiração e beleza. E parece que nenhuma dessas coisas vai sumir tão cedo! Precisa de ajuda com suas malas, senhora? Por aqui, por aqui - e cuidado com os degraus. Até a próxima, senhor! Y'all come back now, ya hear! Ei, Robert, você não! Você fica aqui comigo, esqueceu? Aliás, quem quiser continuar a bordo, é só permanecer onde está - acho que eu ainda tenho algumas histórias para contar na viagem de volta...
Expediente
Reportagem
Marina
“Midnight
Rembler”
Lopes
Concepção e Arte
Ben Ami
“Born Under
A Bad Sign”
Scopinho
Curadoria
Joe Mahofer
Voz e gaita do
“The Headcutters”

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