“2020 foi um ano para se reinventar. Longe das redações, precisamos aprender a trabalhar em home office, criar rotinas e espaços em casa para conseguir dar conta das demandas sem nos sobrecarregar. Não foi tarefa fácil para ninguém, foi um desafio. Nesse período foi possível viver experiências nunca antes vividas; para quem trabalha com cultura e entretenimento, um vácuo inicial com vários cancelamentos de shows e eventos, um boom de lives e novas histórias sendo contadas de novas maneiras. Artistas se reinventaram, jornalistas também. Criamos oportunidades para divulgar novos trabalhos e recebemos a oportunidade de conversar com ídolos no conforto de nossas casas, com o cachorro latindo e o vizinho em obra. Por aqui apresentamos nesses últimos 12 meses entrevistas com artistas nacionais e internacionais que nos deram orgulho e satisfação de viver essa profissão.
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Conversar com Bebel Gilberto sobre o álbum que seria, tempos depois, indicado ao Grammy; bater um papo longo com o manezinho Carlos Trilha, que produziu álbuns de Renato Russo; falar com Sérgio Britto sobre a trajetória do Titãs, banda que surgiu antes mesmo que eu tivesse nascido, a qual ouvi incansavelmente na adolescência. Que privilégio! Que privilégio poder dividir isso tudo com outras pessoas. Finalizo esse ano com a sensação de esgotamento, é verdade; mas também com a certeza de que fiz um bom trabalho. Contei boas histórias, aprendi com muitas; e com a certeza que ainda tenho muitos desafios para viver, e que eles parecem muito maiores quando estamos vivendo, depois de superados dão aquela sensação de ‘ufa, consegui’.”
*por Janaína Laurindo
“Pensa no nervosismo que eu senti quando recebi a missão de entrevistar ninguém menos que Patti Smith para a edição do DC, AN e Santa que seria publicada às vésperas do Dia Mundial do Rock, em julho. Nervosismo misturado com empolgação, é claro! Sou apaixonada por música e literatura desde que me conheço por gente, e uma conversa com Patti é uma aula sobre as duas coisas. Foi surreal pegar o telefone, discar o número da casa da artista (!) em Nova York, e ouvir ela atender, com voz suave, do outro lado da linha.
Não foi a única entrevista do ano que serviu para desenferrujar o inglês: falei ao telefone com o tranquilo Fantastic Negrito, que parece transformar o entrevistador em amigo em cinco minutos de papo; o focado Adrian Quesada, da dupla Black Pumas, que está na lista de indicados ao Grammy de Álbum do Ano agora em 2021; e a jornalista Nikole Hannah-Jones, vencedora do Pulitzer por um projeto multimídia que faz uma revisão da história da escravidão nos Estados Unidos. Por Zoom, conversei também com a fofa e tímida Arlo Parks; a desinibida Greentea Peng; e o eloquente Fran Healy, vocalista do Travis, que me contou tudo sobre o processo de composição do novo disco da banda. E isso só para citar algumas! Quais entrevistas será que vêm por aí em 2021?”
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*por Marina Martini Lopes
Patti Smith
Eu não gosto de ficar em casa, sem contato social, mas eu quero viver uma vida longa e produtiva; então nesse momento eu estou sendo prudente e fazendo o que preciso fazer para sobreviver.
Leia aqui a entrevista completa com Patti Smith.
Fantastic Negrito
O fato de uma música como How Long?, que parece tão atual, tão pontual, não ter sido escrita agora, nem deveria ser surpreendente; porque as coisas de que eu falo na canção não são novidades para os afro-americanos. A polícia ser arbitrariamente violenta contra essa parte dos cidadãos do país não é nada novo. É algo atemporal.
Leia aqui a entrevista completa com Fantastic Negrito.
Bebel Gilberto
Um cara tá aqui em casa instalando o filtro, mas tá tudo certo. Avisei que ia dar entrevista, disse: ‘tu segura aí que eu vou dar uma entrevista’. Ele deve estar lá esperando e pensando ‘quem é essa aí?’. Não deve nem fazer ideia de quem eu sou. (risos)
Leia aqui a entrevista completa com Bebel Gilberto.
Carlos Trilha
Quando consegui ficar em pé, acho que a primeira coisa que fiz foi caminhar até uma pianola, um instrumento dos anos 1960, que tinha sido do meu irmão. Lembro de ter tido contato com esse instrumento, sem entender nada obviamente, mas sempre interessado pelo som.
Leia aqui a entrevista completa com Carlos Trilha.
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Nikole Hannah-Jones
Os Estados Unidos não eram de fato uma democracia quando foram fundados: a maior parte da população não podia votar. Portanto, meu argumento é de que foi a população negra que, por meio da resistência, de fato transformou nosso país em uma democracia.
Leia aqui a entrevista completa com Nikole Hannah-Jones.
Adrian Quesada
Acho que o Brasil tem muitos compositores incríveis – Caetano Veloso, por exemplo. Gosto de algumas coisas mais antigas, como Som Imaginário; e algumas bandas mais recentes, como Boogarins.
Leia aqui a entrevista completa com Adrian Quesada.
Nasi
Acho que o Ira! tem essa vertente: sabe falar de política sem ser panfletário e de amor sem ser meloso. Às vezes as bandas se dividem muito, ou são só românticas ou então falam só sobre política. E navegamos nisso, porque assim é a vida.
Leia aqui a entrevista completa com Nasi.
Sérgio Britto
Acho que somos uma banda de velhos. O que eu acho é que na nossa juventude a gente fez coisas bem pensadas, então acho que elas não ficaram muito datadas, e continuam tendo esse poder afirmativo que a juventude tem.
Leia aqui a entrevista completa com Sérgio Britto.
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Arlo Parks
Meu pai sempre amou jazz. Na minha casa sempre estava rolando Miles Davis, Chet Baker, John Coltrane. E minha mãe era obcecada pelo Prince. Eu comecei a descobrir meus próprios ídolos musicais na adolescência. Uma das primeiras bandas pelas quais me interessei de verdade foi Arctic Monkeys.
Leia aqui a entrevista completa com Arlo Parks.
Caio Cavechini
O jornalismo e a ciência, como formas de conhecimento da realidade, enfrentaram um duplo desafio: lidar com o negacionismo e ajudar as pessoas a se cuidar e as instituições a tomar decisões que protejam o maior número de cidadãos.
Leia aqui a entrevista completa com Caio Cavechini.
Fernanda Takai
Acho que a arte é uma válvula de escape nesse momento em que está todo mundo apreensivo e todo mundo isolado. Eu como artista me sinto bem produzindo algo novo e dando isso para as pessoas.
Leia aqui a entrevista completa com Fernanda Takai.
Moriel
A galera se identificou com o Dazaranha desde os primeiros momentos. A banda começou a ser um gerador de alegria e a coisa foi crescendo e nós fomos nos responsabilizando por aquele crédito que as pessoas nos deram.
Leia aqui a entrevista completa com Moriel.
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Fran Healy
Você tem que escavar profundamente até encontrar uma inspiração, uma pequena frase, para então começar a trabalhar a partir dela. Compor é como pescar em um lago enorme onde só há um ou dois peixes – boa sorte tentando encontrá-los.
Leia aqui a entrevista completa com Fran Healy.
Gabriel Braga Nunes
O interessante dos sonetos é justamente que eles são muito pessoais, autobiográficos: é a parte da obra do Shakespeare que não tem personagens; em que ele fala por si, fala de seus medos, suas paixões, seus amores.
Leia aqui a entrevista completa com Gabriel Braga Nunes.
Luiza Possi
Sinto falta do palco como um todo, tenho saudade de conversar e cantar com a plateia, de ver a reação das pessoas. Realmente essa é uma relação que o online nunca vai nos proporcionar, não adianta.
Leia aqui a entrevista completa com Luiza Possi.
Humberto Gessinger
O importante para o artista é ficar flexível e atento ao momento. O pessoal da minha geração, muitos estão ficando velhos rançosos, reclamando das novidades; mas assim como algumas coisas ficam mais difíceis, outras se abrem para novas possibilidades.
Leia aqui a entrevista completa com Humberto Gessinger.
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Greentea Peng
Eu tento não ter muitas expectativas sobre as coisas – é assim que eu vivo a vida. Tento não fazer planos com prazos muito longos, porque planos falham. Acho que este ano, especialmente, nos mostrou como tudo pode mudar de repente e desfazer tudo o que planejamos.
Leia aqui a entrevista completa com Greentea Peng.
Frejat
A minha paixão pela música é enorme, eu não imagino parar de fazer isso enquanto eu estiver vivo. É logico que em algum momento eu posso ficar idoso demais para ficar viajando e fazendo show na estrada, mas fazer música e continuar gravando e tocando eu vou até onde puder ir.
Confira aqui a entrevista completa com Frejat.